PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório)
Esse projeto de pesquisa propõe uma intervenção em escolas públicas, a partir da perspectiva da Cultura de paz e da não violência em escolas na Restinga (em Porto Alegre) e em Medianeira (em Osório). A violência hoje é um assunto que faz parte das discussões do nosso cotidiano, em todas as esferas da nossa vida social e, principalmente, na escola. Uma das variáveis fundamentais para se compreender o crescente aumento da violência da sociedade brasileira não é apenas a desigualdade social, mas o fato desta ser acompanhada de um esvaziamento de conteúdos culturais, particularmente, os éticos e de cultura de paz, nos sistemas de relações sociais. A perspectiva metodológica a ser adotada é a Pesquisa Participante. Os sujeitos da pesquisa serão os respectivos membros dessas comunidades escolares como: os professores, alunos, equipe diretiva, pais e funcionários. Como resultados esperados, a partir do viés da Pesquisa Participante, pretendemos conhecer o processo de construção de uma cultura de paz e não-violência nas escolas proponentes, estabelecendo coletivamente estratégias que visam acabar ou coibir a violência no contexto escolar, e também, posteriormente, a partir dos resultados obtidos, promover cursos de extensão voltados para a formação continuada de professores na perspectiva da Cultura de Paz e Não-Violência. A pesquisa encontra-se em fase de coleta de dados.
A Cultura de Paz está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não violenta dos conflitos. É uma cultura baseada em tolerância, solidariedade e compartilhamento em base cotidiana, uma cultura que respeita todos os direitos individuais - o princípio do pluralismo, que assegura e sustenta a liberdade de opinião - e que se empenha em prevenir conflitos resolvendo-os em suas fontes, que englobam novas ameaças não-militares para a paz e para a segurança como exclusão, pobreza extrema e degradação ambiental. A cultura de paz procura resolver os problemas por meio do diálogo, da negociação e da mediação, de forma a tornar a violência inviável. Tolerância, democracia e direitos humanos - em outras palavras, a observância desses direitos e o respeito pelo próximo - são os valores "sagrados" para a cultura de paz. A Cultura de Paz é uma iniciativa de longo prazo que deve levar em conta os contextos histórico, político, econômico, social e cultural de cada ser humano. É necessário aprendê-la, desenvolvê-la e colocá-la em prática no dia-a-dia familiar, regional ou nacional.
Portanto, é no contexto das escolas, que os profissionais da educação passam a se constituir numa escuta privilegiada dos jovens e das famílias, muitas vezes, isolados de uma rede de solidariedade. Em meio à multiplicação das demandas por cuidados, é através destas questões essenciais, que precisamos refletir sobre o papel da escola frente a estes fenômenos.
- COSTA, Giseli Paim
- RODRIGUES, Stellen Giacomelli

- LOPES, Felipe Ferreira

- COSTA, Zuleika Schimidt
Nome: Stellen Giacomelli Rodrigues
Afiliação institucional: Faculdade Cenecista de Osório - FACOS/CNEC
Área de fomação: Psicologia
Interesse de Investigação: Psicologia Social Comunitária
Nome: Felipe Ferreira Lopes
Afiliação Institucional: Faculdade Cenecista de Osório/FACOS - Brasil
Área de formação: Graduando do curso Bacharelado de Psicologia da FACOS
Interesses de investigação: Psicologia Social Comunitária
PAP0130 - A escola pública no olhar dos jovens herdeiros
Num momento em que a escola pública enfrenta
múltiplos e complexos desafios e se vê no
centro de inúmeros debates políticos e
investigações científicas, pretendemos
reflectir sobre ela a partir não do
(tradicional) olhar de quem nela vive e de
quem a constrói, mas do olhar distanciado de
quem se sente membro de um sistema de
ensino “à parte”: os alunos das escolas
privadas.
Os dados apresentados resultam de uma
investigação de doutoramento sobre o sucesso
educativo em duas escolas privadas
frequentadas pelas classes dominantes. Apesar
de esta pesquisa não ter como foco analítico
as representações sobre a escola pública,
foram muitos os momentos em que os discursos
dos alunos nos reenviaram para o universo do
ensino estatal. Dissociado da complexidade e
diversidade que o carateriza, ele surge
representado pelos alunos como uma realidade
homogénea e desqualificante que tem
por “contraponto qualificante” o ensino
privado, também falaciosamente associado a um
todo social e escolarmente homogéneo. Tomando
por base apenas umas das técnicas de recolha
de dados acionada nesta investigação – o grupo
de discussão focal -, analisamos, num diálogo
entre o “nós” (escola privada) e o “eles”
(escola pública), os principais eixos em que,
na opinião destes jovens, assenta a dicotomia
entre os dois sistemas de ensino: excelência
académica; valorização do mérito; vivências e
dinâmicas de (in)disciplina; noções
de “identidade de escola”, de “família
educativa”, de “educação em valores” e
de “educação na/para a diversidade sócio-
cultural”. Estes indicadores permitem-nos não
só uma reflexão em torno das lógicas de
distinção – escolar e social – presentes no
discurso dos herdeiros, mas também um
reequacionar crítico da polarização entre
ensino público e privado: o primeiro,
percecionado como espelho da “crise” da
escola; o segundo, como miragem para um ensino
de qualidade.
Escutando os herdeiros de hoje, estaremos (pre)
vendo as políticas educativas de amanhã…
- QUARESMA, Maria Luísa

Identificação: Maria Luísa da Rocha Vasconcelos Quaresma
Filiação:Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto / Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto
Habilitações Literárias: Doutoramento em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Bolsa FCT - SFRH / BD/ 39952/ 2007)
Investigação/docência: Investigadora Integrada do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto/Assistente convidada na Escola Superior de Educação do IPP.
Áreas de interesse: Sociologia da Educação, Sociologia da Juventude, Sociologia das Classes Sociais
Principais Publicações: QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Da escola pública ao colégio privado: entre a homogeneidade perdida e a homogeneidade reivindicada. Revista Luso-Brasileira “Sociologia da Educação”, nr.2; QUARESMA, Maria Luísa; LOPES, João Miguel (2011) – Os TEIP pela perspetiva de pais e alunos. Revista de Sociologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, vol XX; QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Interação, disciplina e indisciplina. In ABRANTES, Pedro, org. – Tendências e controvérsias em Sociologia da Educação. Lisboa: Editora Mundos Sociais; QUARESMA, Maria Luísa (2011) – Democratização escolar: percursos e percalços. In LIMA, Francisca [et al.] – Democratização e educação pública: sendas e veredas. São Luís: EDUFMA --
PAP0675 - Diversidade cultural nas escolas: uma ponte para novos (des)encontros?
Sendo a igualdade de oportunidades um ideal em permanente (des)construção, e a massificação do ensino persistentemente associada a baixos níveis de qualidade, o direito à diferença tem vindo a ganhar protagonismo nas escolas públicas, em diferentes espaços de afirmação institucional, familiar e individual. As diferenças de mérito são fixadas através de rituais renovados – os prémios escolares – que permitem seleccionar e distinguir os alunos com as melhores performances escolares; embora sem consenso generalizado, as crianças com necessidades educativas especiais são introduzidas num sistema que procura para estas um encaixe, simultaneamente, especial e inclusivo.
Mas o que acontece quando alunos afrodescendentes assumem o uso do crioulo, ou quando famílias de etnia cigana hesitam no valor a atribuir à escola? Diferentes experiências etnográficas revelam o potencial de dissociação e confronto que estas interações encerram, permitindo problematizar o papel da escola enquanto instância de aculturação.
Mas o que pode acontecer quando, em contexto de formação contínua, desafiamos um grupo de professores-formandos a pensar nas regras escolares como opções culturais, associadas a significados historicamente produzidos com base em relações de poder? Poderá a noção de mediação funcionar como um instrumento útil numa aproximação ao outro enquanto produtor de significados? Como fazer esta viagem sem cair num vazio comprometedor ou numa incerteza paralisante? Este parece ser um terreno que exige uma continuada reflexão sobre os diferentes referenciais em jogo e sobre as modalidades de partilha, debate e recriação experimentados.
- LEANDRO, Alexandra

Alexandra Leandro, doutoranda do Departamento de Antropologia do ISCTE, em fase de conslusão da tese de doutoramento, as áreas de interesse são - educação, escolas e segurança e formação de professores.
PAP0554 - ENTRE FRAGMENTAÇÕES E PERMANÊNCIAS: IDENTIDADES DE GÊNERO E AS VIOLÊNCIAS NA ESCOLA
Partindo da perspectiva de que não são as características sexuais que determinam o que é ser masculino ou feminino, defende-se que é a forma como essas características são representadas, aquilo que se diz ou se pensa sobre elas que vai constituir identidades gendradas em uma dada sociedade e em dado momento histórico. Na modernidade tardia descentramentos e fragmentações caracterizam as identidades de homens e mulheres, provocando a perda das estabilidades, das ancoragens que forneciam elementos para o “sentido de si” estável, conhecido, previsível. Na escola este processo é intensificado por ser local de socialização e aprendizagens diversas, onde diferenças são produzidas, espaços são delimitados, relações de poder e discursos delineiam as práticas; gestos, sentidos, movimentos, olhares, condutas e posturas são incorporados por alunos e alunas tornando-se parte de suas experiências e representações cotidianas. A escola não apenas transmite conhecimentos, mas também fabrica sujeitos, produz identidades étnicas, de gênero, de classe, geralmente através de relações desiguais. Compreender as relações de gênero como constituinte da identidade dos sujeitos, nos levou a investigar jovens de ambos os sexos de 15 a 24 anos de uma escola da rede pública da cidade de Aracaju, capital do estado de Sergipe, localizada no nordeste brasileiro. Fruto de pesquisa ora em andamento este artigo busca fomentar reflexões em torno dos valores nos quais estão sendo embasadas as construções das identidades de gênero e seus possíveis nexos com as violências no âmbito escolar. O estudo de caso de cunho etnográfico permitiu utilizar além das conversas informais, técnicas e instrumentos de investigação como a entrevista semi estruturada, a observação participante e o diário de campo de modo a perceber a cultura escolar, suas práticas rotineiras e comuns, os gestos e as palavras banalizados, tornando-os alvos de atenção, de questionamento e, em especial, de desconfiança. Conclusões preliminares apontam para identidades lastradas em bases tradicionais de oposição entre o masculino e o feminino tendo como elemento novo a representação feminina associada à ascensão no espaço público através do trabalho. Identifica-se ainda o preconceito velado contra a homossexualidade expondo o não reconhecimento das identidades consideradas diferentes, bem como o entrelaçamento das violências.
- COUTO, Maria Aparecida Souza

Maria Aparecida Souza Couto, professora de Educação Física da Rede Pública Estadual de Ensino de Sergipe, doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Sergipe; Mestra em Educação por essa mesma Universidade; graduada em Serviço Social pela Universidade Católica do Salvador – UCSAL. Membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher e Relações de Gênero (NEPIMG), integrante do grupo de pesquisa Educação, Formação, Processo de Trabalho e Relações de Gênero, ambos da Universidade Federal de Sergipe. Temas de investigação de interesse: Gênero; Violência de Gênero;Violências nas Escolas; Bullying; Sexualidade; Diversidade Sexual; Juventudes; Família; Educação Física escolar.
PAP0728 - Educação, desigualdades sociais e usos do computador Magalhães: uma pesquisa comparativa
A educação tem sido assumida como uma das áreas chave de intervenção no âmbito da promoção do que se tem designado de sociedade da informação, do conhecimento ou em rede (Castells, 2005; Lyon, 1992; Webster, 2006). Ao longo das últimas décadas têm-se implementado múltiplos programas governamentais e realizado investimentos consideráveis em tecnologias da informação e comunicação nas escolas, na generalidade dos países europeus, incluindo no nosso país. Uma das crenças que acompanha este esforço é a de que estão em causa políticas essenciais para a inclusão digital das novas gerações, particularmente dos grupos sociais mais desfavorecidos.
Na esteira destas políticas, a distribuição de computadores portáteis às crianças do 1º ciclo do ensino básico, em Portugal, realizada no quadro do programa e.escolinha, com início em 2008/09, tem, ainda, a particularidade de pretender promover precocemente o uso das tecnologias de informação e comunicação desde o início da escolaridade, bem como de incidir a sua intervenção, além da escola, no contexto familiar.
Alguns dados já apurados apontam para o efeito que este programa teve na democratização do acesso a estas tecnologias na população em causa (GEPE, 2001; Silva e Diogo, no prelo). Resta, contudo, aprofundar em que medida esta democratização de acesso se está a traduzir numa verdadeira democratização de usos. Interessa-nos enquadrar este problema no campo da Sociologia da Educação, nomeadamente, na questão das desigualdades sociais face à educação, mais especificamente, na análise da articulação entre escola e família nos velhos e novos processos de (re)produção social e cultural (Zanten, 2005).
A partir de dados de dois estudos de caso, um na Região Centro e outro na Região Autónoma dos Açores, baseados em métodos extensivos (inquérito a pais, alunos e professores) e intensivos (entrevistas a pais e professores e registos etnográficos de uma turma), com tratamento da informação por procedimentos estatísticos e por análise de conteúdo, propomo-nos analisar, numa perspetiva comparativa, como é que as crianças dos diferentes grupos sociais usam o computador Magalhães e como é mediado esse uso pela escola e pela família. Nesse sentido, serão analisados dados provenientes da pesquisa nas duas comunidades educativas.
- DIOGO, Ana
- SILVA, Pedro
- COELHO, Conceição
- FERNANDES, Conceição
- GOMES, Carlos
- VIANA, Joana
PAP0449 - Entre a escola e a família: usos do computador Magalhães
A distribuição de computadores portáteis às crianças do 1º ciclo do ensino básico, em Portugal, constituiu uma medida política que, no seguimento de outras, teve como desígnios democratizar o acesso às tecnologias de informação e comunicação (TIC) e, assim, promover a utilização destas nos processos de ensino-aprendizagem, preparando precocemente as novas gerações para a sociedade do conhecimento.
Contudo, a ideia de que as TIC, por si sós, podem ser geradoras de mudança e progresso, presente em muitos discursos sobre a sociedade da informação, parece padecer de algum determinismo tecnológico que tem vindo a ser denunciado pela evidência empírica (Lyon, 1992). No campo da educação, estudos têm revelado que a aplicação simples das TIC, sem nada modificar as práticas de ensino, não traz mudanças significativas aos sistemas educativos e pode agravar desigualdades de aprendizagem iniciais (Eurydice, 2001; Miranda, 2007). Ao distribuir computadores às famílias, o programa e.escolinha veio amplificar o potencial alcance deste tipo de iniciativas, colocando questões relativas ao processo de integração das novas tecnologias no espaço escolar, como também no espaço familiar, e, em particular, em relação à articulação entre estes dois contextos. A sociologia da educação tem dado conta de obstáculos estruturais e dificuldades de interacção na relação escola-família (Dubet, 1997; Montandon e Perrenoud, 2001; Silva, 2003) que poderão contribuir para compreender a forma como a medida política em causa está a ser apropriada pelos actores sociais.
Com o objectivo de investigar os usos e efeitos do computador Magalhães no 1º ciclo do ensino básico no quadro da relação escola-família, temos em curso um estudo de caso numa Escola Básica Integrada de Ponta Delgada (Açores), baseado em métodos extensivos (inquérito a pais, alunos e professores) e intensivos (entrevistas a pais e professores e registos etnográficos de uma turma).
Entre os resultados já apurados (Diogo, Gomes e Barreto, 2010), foi possível constatar que o computador Magalhães tem sido muito mais amplamente utilizado em casa do que na escola, quer pela frequência do uso, quer pela amplitude do tipo de utilizações que lhe é dado. Trata-se de resultados que não são surpreendentes, na medida em que estão em consonância com os encontrados noutros trabalhos em relação ao uso das TIC em geral (Almeida, Alves e Delicado, 2008; Fluckinger, 2007). Nesta comunicação iremos centrar-nos na exploração de pistas para a compreensão desta constatação, incidindo, especialmente, na hipótese relativa aos modos de articulação e colaboração estabelecidos entre escola e família. Para o efeito, serão mobilizados dados provenientes de inquéritos por questionário, entrevistas e registos etnográficos realizados na comunidade escolar onde o estudo decorre.
- DIOGO, Ana
- GOMES, Carlos
PAP1247 - Entre a vitimização e o heroísmo: relatos autobiográficos da experiência escolar produzidos no âmbito do processo RVCC
A educação de adultos tem vindo a ser reordenada com base em políticas e práticas que consolidam o discurso em torno da aprendizagem ao longo da vida. Entre as novas ofertas educativas destinadas ao público adulto sobressai, pela sua originalidade, o Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), assente na valorização das aprendizagens não-formais e rompendo com os tradicionais modelos de educação escolar.
As práticas de reconhecimento, validação e certificação de competências, ainda que orientadas pelos Referenciais de Competências-Chave, são bastante diversificadas e contextualizadas. Várias investigações (Ávila, 2005; Cavaco, 2008; Freire, 2009) têm revelado que o modo como é concretizado este processo pode apresentar variações de Centro para Centro. Apesar da diversidade de instrumentos utilizados pelos Centros Novas Oportunidades, o processo RVCC baseia-se num conjunto de pressupostos metodológicos: o Balanço de Competências e a abordagem Autobiográfica.
A metodologia adoptada, baseada sobretudo na escrita, visa promover um trabalho reflexivo do adulto sobre si mesmo, permitindo o reconhecimento do valor das suas experiências de vida.
Nesta comunicação iremos apresentar alguns resultados da análise de um corpus documental de cem autobiografias elaboradas por adultos que passaram pelo sistema RVCC em quatro Centros Novas Oportunidades da região Alentejo. Iremos centrar-nos, sobretudo, nos relatos e descrições das experiências escolares destes indivíduos. No caso particular dos adultos certificados através do processo RVCC, a prova escolar (na acepção de D. Martuccelli, 2006) compõe-se de percursos escolares de duração bastante variável e de casos de sucesso e insucesso.
Assim, a comunicação irá estruturar-se em duas partes distintas. Em primeiro lugar, o julgamento que os indivíduos fazem da experiência escolar, elucidando os critérios de julgamento tidos em consideração. Dada a abrangência intergeracional do programa, são várias as formas escolares e os modos de socialização que configuraram as diferentes experiências escolares.
Em segundo lugar, a análise dos motivos e das condições em que ocorreu a interrupção do percurso escolar. A larga abrangência do programa, correspondendo aos quatro ciclos de ensino não superior, abarca indivíduos com níveis de qualificação bastante díspares, envolvendo, por um lado, aqueles com níveis de qualificação escolar muito baixos e, por outro, indivíduos com níveis de qualificação acima da média verificada na sociedade portuguesa. Procuraremos, pois, identificar quais os factores que favorecem o encurtamento e o prolongamento das trajectórias escolares, caracterizando, quer os percursos e o abandono escolares, quer os retornos à escola, ao longo da vida.
- CALHA, António Geraldo Manso

António Calha é docente na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre, licenciado em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e mestre em Sociologia pela Universidade de Évora. Investigador do C3I-IPP. Doutorando em Sociologia no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). As suas áreas de interesse incluem: sociologia da saúde; sociologia da educação; sociologia do desenvolvimento. Contactos: antoniocalha@hotmail.com; antoniocalha@essp.pt.
PAP1444 - Escola, leitura(s) e imagem(ens): contribuições metodológicas
Este trabalho é parte de uma pesquisa de doutorado na área da educação. O objetivo geral do estudo foi discutir com professores e alunos de uma escola pública de ensino médio do Rio de Janeiro algumas questões relacionadas com as suas práticas de leitura. De modo mais específico queríamos discutir a relação das denominadas novas tecnologias com a leitura, entendida como uma prática cultural mais ampla, realizada em diferentes suportes e sujeitas a diferentes avaliações. Tal compreensão da leitura como prática social mais ampla seguiu principalmente as proposições de Roger Chartier. Com isso foi possível superar uma visão restrita de leitura identificada apenas com o material impresso, em particular com os livros, e sua restrição à leitura literária.
Em termos metodológicos optei por utilizar imagens fotográficas produzidas pelos sujeitos da pesquisa. O uso da imagem tinha o objetivo inicial de promover uma melhor aproximação com esses sujeitos, dirimindo a sua possível resistência à participação na pesquisa. Elas também proporcionariam o ponto de partida para a realização das entrevistas. Ao longo da realização da pesquisa a produção das imagens trouxe importantes contribuições tanto do ponto de vista da discussão das relações entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa e do próprio fazer da pesquisa, quanto em relação às discussões dos temas relacionados à leitura. Desta forma, pude problematizar minha intenção inicial de utilizar as imagens fotográficas apenas como forma de estimular a participação dos sujeitos e como ponto de partida para a realização das entrevistas. Elas foram incluídas com a pretensão de serem mais do que uma ilustração ao texto escrito. Também tentei não utilizá-las como uma cópia do real, prova de realidade, acentuando minha autoridade como pesquisador. Várias foram então as possibilidades abertas pelo uso das imagens fotográficas nessa pesquisa. Sua produção por parte dos sujeitos serviu para conferir-lhes maior liberdade, tornando o processo de muito mais colaborativo, diluindo a autoridade do pesquisador. Seu uso também permitiu conferir importância e visibilidade a determinados aspectos do cotidiano escolar relacionados à diferentes práticas de leitura que muitas vezes passam desapercebidas. São essas e outras possibilidades do uso das imagens em minha pesquisa que gostaria de discutir nesse texto.
- ROCHA, Sérgio Luiz Alves da

Sérgio Luiz Alves da Rocha. Professor do Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos. Doutor em educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (ProPEd), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) . Possui graduação e licenciatura em Ciências Sociais pela UERJ. Atua também no ensino médio como professor de sociologia da rede pública. Sua área de interesse são os estudos sobre as práticas de leitura dos jovens na sua relação com as denominadas novas tecnologias.
PAP0238 - Estilos e perfis dos líderes com funções de avaliação de desempenho docente – discussão conceptual
Nesta comunicação pretende-se discutir os conceitos do perfil de liderança e estilo de liderança a partir das lideranças intermédias que, nas organizações escolares, têm a função de avaliar o desempenho dos docentes.
A proposta de comunicação aqui apresentada dá conta da investigação em curso no âmbito do Programa de Doutoramento em Educação, especialidade em Liderança Educacional, na UAb, com o título Estilos e perfis dos líderes intermédios na escola com funções de avaliação de desempenho docente. Neste contexto, procuramos distinguir os dois conceitos partindo do entendimento de perfil enquanto predominantemente relacionado com as características profissionais / académicas existentes / exigidas e de estilo mais ligado às características pessoais moldáveis e relacionadas com os traços de personalidade ou eventualmente com as formas de actuação impostas pelo líder de topo.
Os recentes desenvolvimentos das políticas educativas têm vindo a colocar as instituições escolares no centro das preocupações sociais. Concretamente, medidas como a generalização dos programas de avaliação de desempenho docente e a sua relação com a implementação de um novo modelo de gestão da escola têm contribuído para a reconfiguração da organização escolar ao nível das suas dinâmicas internas de funcionamento.
Neste sentido, interessa compreender os modos como a organização escolar reage a este tipo de imperativos, de que forma recria as suas dinâmicas através da compreensão das práticas e olhares dos sujeitos nos seus contextos de ação. Começamos, pois, por mobilizar os conceitos de estilo de liderança e perfil de liderança fazendo a sua discussão tendo por referência a conjuntura atual de acentuados condicionalismos, o quadro de reflexividade social e a complexidade organizacional escolar. Desta forma, esperamos que esta comunicação (nesta fase, mas também o nosso trabalho) possa constituir um contributo para o entendimento coletivo do modo como as reconfigurações – que resultam das crises e outras – são refletidas e geridas no campo educativo.
Palavras-chave: estilos de liderança; perfis de liderança; avaliação de desempenho docente; organizações escolares; reconfigurações sociais.
- RICARDO, Luís

- HENRIQUES, Susana

- SEABRA, Filipa.

Luís Ricardo
Habilitações académicas/profissionais:
- Licenciado em Engenharia Eletrotécnica (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra);
- Licenciado em Educação na especialidade Administração Escolar (Escola Superior de Educação de Leiria);
- Pós graduado em Educação na especialidade Administração Escolar e Planificação da Educação (Universidade Portucalense);
- Mestre em Educação na especialidade Administração Escolar e Planificação da Educação (Universidade Portucalense);
- Doutorando em Educação na especialidade Liderança Educacional (Universidade Aberta) sob a orientação da professora doutora Susana Henriques e da professora doutora Filipa Seabra;
- Tutor na Universidade Aberta (mestrado em Administração e Gestão Educacional; licenciatura em Educação; Curso de Profissionalização em Serviço de professores);
- Professor no Grupo 540 (Esc. Sec. Engº Acácio Calazans Duarte – Marinha Grande).
Morada:
Rua das Arroteias, Lt 39, 2500-568 Caldas da Rainha
E-mail:
luisffricardo@gmail.com
Tel.:
960223344
Nome:
Susana Henriques
Habilitações académicas/profissionais:
Doutorada em Sociologia, especialidade me Sociologia da Educação, da Comunicação e da Cultura. Professora Auxiliar do Departamento de Educação e Ensino a Distância da Universidade Aberta, responsável por UCs de 1º, 2º e 3º ciclos. Investigadora no CIES-IUL e no LE@D-UAb, na área da educação, lideranças, literacias e das competências pessoais e sociais, bem como na área da comunicação.
Morada:
UAb – DEED
Campus do Taguspark
Edifício Inovação I
Av. Dr. Jacques Delors
2740-122 Porto Salvo, Oeiras
E-mail:
susanah@uab.pt; susana_alexandra_henriques@iscte.pt
Tel.:
213916300
Nome:
Filipa Seabra
Habilitações académicas/profissionais:
Doutorada em Ciências da Educação, especialidade em Desenvolvimento Curricular, pela Universidade do Minho. Professora Auxiliar do Departamento de Educação e Ensino a Distância da Universidade Aberta. Investigadora no LE@D-UAb, na área da educação, lideranças e no CIEd-UM, na área da teoria e desenvolvimento curricular.
Morada:
UAb – DEED
Campus do Taguspark
Edifício Inovação I
Av. Dr. Jacques Delors
2740-122 Porto Salvo, Oeiras
E-mail:
fseabra@uab.pt
Tel.:
216011417
PAP0400 - GEOGRAFIA E SUSTENTABILIDADE: Diálogos transversos.
A pesquisa que originou este trabalho, buscou apresentar, observar, acompanhar, intervir e avaliar, para finalmente validar, o programa de Educação para a Sustentabilidade, desenvolvido com alunos do quinto ano do Ensino Fundamental no Centro de Atenção Integral a Criança e ao Adolescente - CAIC - São Francisco de Assis, que teve origem nas atividades do Projeto Geografar, Viver e Plantar Ecologicamente no CAIC - São Francisco de Assis – Catalão (GO), apoiado pelo Programa de Bolsas de Licenciatura - PROLICEN – Universidade Federal de Goiás - UFG. Nossa atuação se deu na forma de uma metalinguagem, ou seja, tivemos como objetivo avaliar, mensurar e identificar realidades e potencialidades das estratégias e objetivos deste Projeto. Assim, nos integramos à rotina do Projeto, mas com o objetivo (metaobjetivo) de fazer a crítica do processo de ensino com suas metodologias. Neste sentido, fazíamos a crítica e retroalimentávamos o processo com as observações e considerações obtidas a partir do momento que a realização dos objetivos originais eram inicializados. Sendo assim, foram preparadas algumas intervenções que se deram por meio de ações teóricas e práticas educativas com a finalidade de estimular a consciência crítica e coletiva dos alunos e dos educadores. De modo a permitir uma mediação socioambiental que qualifique as relações sociedade-natureza, desenvolvendo atitudes e hábitos sustentáveis. Para tanto, foram abordados temas como a sustentabilidade, água, reciclagem, destinação e segregação de resíduos e culminamos com a implantação da composteira e da horta escolar, que além de apresentar uma alternativa para o encaminhamento dos resíduos orgânicos provenientes da cozinha instalada nas dependências do CAIC - São Francisco de Assis, também proporcionou maior e melhor variedade na merenda escolar. Após a conclusão do primeiro ciclo de intervenções, realizamos uma reunião com a coordenação e professores envolvidos, para conversarmos sobre a viabilidade da continuação do Projeto, e nesta ocasião foi sugerido por parte da escola que auxiliássemos na elaboração de uma atividade com questões referentes aos assuntos estudados, a qual pudesse ser aplicada aos alunos para que obtivéssemos as respostas pretendidas. Os resultados obtidos apontaram para a necessidade de intervenções mais efetivas, pois observamos que os objetivos iniciais do Projeto não foram completamente alcançados, levando-nos a considerar dentre outros aspectos a importância de se trabalhar esses temas a partir dos primeiros anos do Ensino Fundamental, o que acreditamos a principio que garantiria melhores resultados na internalização dos conhecimentos e assim nas relações com o meio.
- NOGUEIRA, Ariane Martins
- BERTAZZO, Cláudio José.

Claudio José Bertazzo
Bacharel, Licenciado, Mestre e Doutor em Geografia pela UNESP de Presidente Prudente.
Professor no Departamento de Geografia da UFG – Campus Catalão e Professor do Programa de Pós-Graduação em Agroecologia da UFSCAR – Campus Araras.
Líder do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Agroecologia e Coordenador do Programa Institucional de Iniciação à Docência - PIBID/CAPES. Realiza pesquisas sobre ensino de Geografia, Sustentabilidade Ambiental e Agroecologia.
PAP0517 - Gestão democrática: consenso no discurso, insuficiente na presença
Durante décadas, tanto no Brasil quanto em outros países, especialmente nos europeus, procurou-se vincular as teorias adotadas pelas administrações escolares com as teorias clássicas de administração, particularmente com a concepção de Taylor em que a segmentação entre o planejamento e ação, a fragmentação entre o pensar e o agir e a dicotomia entre o planejar e o executar tiveram como consequência a divisão entre os grupos de trabalho. Apesar de o momento contemporâneo requerer competências para a adaptação às constantes rupturas e transformações e estimular a administração dinâmica, participativa e a tão propalada gestão democrática, não é tarefa complexa citar rotinas demonstrativas de que, ainda hoje, a maioria das escolas baseia grande parte de suas práticas nos modelos gerais das teorias administrativas, contemplando muito mais posturas burocráticas do que democráticas. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é de elencar situações do cotidiano que ilustram a desvinculação da escola com posturas democráticas, presentes no dia-a-dia. Parte-se de análise da própria legislação brasileira em que a gestão democrática é prescrita na Constituição do país e na Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A participação, um dos aspectos mais relevantes desse tipo de gestão, deveria ser conquista e aprendizado e não, estabelecimento legal. Prossegue-se analisando a excessiva quantidade de regras e normas comumente estabelecidas apenas para comprimento das instituições escolares. Avalia-se que papel da escola é fundamental na formação de uma sociedade participativa e o adequado funcionamento de órgãos auxiliares e conselhos escolares ainda representa desafios para os profissionais dessa instituição. Outros aspectos igualmente relevantes são abordados e explorados, procurando-se a partir dessas ilustrações, elaborar propostas que envolvam especialmente os educadores para que possam modificar estas práticas, vinculando-as à possível transformação social.
- ZERO, Maria Aparecida

Maria Aparecida Zero
Possui graduação em Pedagogia pela Universidade de Franca (1987), graduação em Ciências com Habilitação em Física pela Universidade de Franca (1978), mestrado em Ciências e Práticas Educativas pela Universidade de Franca (1999), com o tema: Repetência e avaliação: a legislação secundária fez diferença e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2006), com o tema: Diretor de Escola: compromisso social e educativo. Atualmente é professora da Universidade de Franca e Supervisora de Ensino do Governo do Estado de São Paulo. Tem experiência na área de educação presencial e a distância, com ênfase em Avaliação da Aprendizagem, Gestão e Supervisão Escolar e Legislação do Ensino Brasileiro . Recentemente foi aprovada no Processo de Certificação Ocupacional para Dirigente Regional de Ensino promovido pela Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo-Brasil.
PAP1103 - In-school marketing: between social responsibility and commercialism
Advertising has long been taboo in public education, but budget reductions and shortfalls have annulated schools as “commercial free zones” (Molnar, 2007:7). This study was built on an analysis about the state, market and society working together and demarcates one another to enhance a win-win relationship, a legitimacy/visibility one.
One strand of my research uses the school as the unit of analysis (Feuerstein, 2001), trying to understand how in-school marketing activities are taking place according to the headteachers perceptions in the last 5 years in Portuguese public schools (10-15 year olds). The majority of studies have focused more on a passive type of marketing, that which children see, hear and read (Alves, 2002), rather than forms of interactive marketing (Moran, 2006). Therefore, this study developed a national survey to show that interactive in-school marketing includes activities to be carried out revolving a given company.
Other strand looks deep in the position of directly or indirectly involved state, market and civil society players (26 semi-structured interviews were made to WFA's National Advertiser Association Member, Ministry of Education, teachers, parent/guardian representative, marketers and advertising agencies, consumer rights-related institutions, town councils, Federations) to illustrate the inherent paradoxes: How can a profit orientated commercial activity be distinguished by a social responsibility one? What are the general views of in-school marketing? Is it morally controversial? Which ethical and law safeguards are needed in a world of brands and globalised products? In fact, the verbal analysis shows different ideological viewpoints about the win-win effect of socially responsible in-school marketing vs commercialism itself.
Another purpose was also testing a “Working with Schools-Best Practice Principles Checklists" as a business decision-making tool for schools and partners to ensure that both schools and their commercial and non-commercial partners can build an ethical and responsible relationship.
We are able to say that headteachers have autonomy, although some in-school marketing activities remain an ideological or controversial issue. Also, the inclusion of any advertising messages necessarily implies the acquisition of consumer competencies by children and teachers, a way to decode commercial messages in today’s consumer society, and that acquisition of media literacy competencies can prevent the ‘manipulated child’. Finally, there were several messages from schools headteachers indicating that they wouldn´t participate in the survey because they are deontological and morally against it.
Key Words: in-school marketing, school commercialism, child consumer, captive audience.
- FARINHA, Isabel

Nome: Isabel Farinha
Afiliação Institucional: Professora Assistente IADE;Investigadora
IDIMCOM/UNIDCOM
Área de Formação: Licenciada em Sociologia, e mestre em Comunicação,
Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE-IUL, onde se encontra
também a concluir o doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura
e Educação.
Interesses de Investigação: Marketing e Comunicação Escolar
PAP0608 - Interacção Escola-Família, parceria ou mera aproximação? – a influência sobre os alunos, escola e comunidade
O tema da presente investigação é a problemática da interacção escola-família em diferentes contextos nacionais e locais, procurando dar resposta: à premissa de que nas sociedades actuais todos os alunos têm de frequentar a escola e com sucesso escolar; à dificuldade em promover a participação das famílias nas escolas, sobretudo em países onde a participação cívica e a responsabilização social são baixas; e em fazer despertar nos professores a necessidade de trabalhar em parceria com as famílias dos alunos. O objectivo será analisar o que as políticas públicas, as estratégias das escolas e as práticas dos professores exigem das famílias relativamente à participação na escola, ao envolvimento parental nos trajectos escolares dos educandos e de verificar se existe uma interferência da escola nas dinâmicas familiares sem colocar em causa a distinção entre a esfera do público e a esfera do privado. Na primeira parte serão analisadas/comparadas as políticas educativas de incentivo à interacção escola-família de países com diferentes ideologias, níveis de participação cívica e responsabilização social e resultados escolares diferenciados, de forma a tentar posicionar Portugal numa escala de interacção escola-família, ou seja, quanto à capacidade que se espera que as escolas tenham em integrar os pais dos seus alunos em actividades pedagógicas, em casa e na escola, e de gestão escolar. Da análise macro avança-se para uma análise meso de como as escolas se apropriam das políticas educativas nacionais no nosso país e de como, com elas, constroem ou não a sua estratégia de aproximação às famílias. Essa visão estratégica para a promoção da interacção escola-família das escolas será recolhida, através de entrevistas semi-directivas, junto dos representantes da educação das Câmaras Municipais e Directores de algumas escolas de cinco concelhos do país (representativos das realidades socio-económicas e educacionais nacionais). Uma vez que a figura escolar da efectiva ligação entre a escola e a família é o director de turma e à grande autonomia profissional dos professores, a análise da apropriação das políticas educativas nacionais não ficará completa sem uma análise ao nível micro de como os professores de facto praticam ou não as directrizes das políticas nacionais e das estratégias escolares com as famílias dos seus alunos (através de entrevistas semi-directivas e da análise de práticas). O fio condutor será o de verificar se as políticas nacionais, estratégias escolares e práticas dos professores são influenciados pelos e/ou terão influência sobre os níveis de participação e de responsabilização social das populações, como é que profissionais da escola e famílias olham para a menor separação entre escola e casa numa aproximação exigida pelas políticas de expansão de autonomia das escolas e se a colaboração entre professores e famílias tem alguma influência sobre os resultados escolares dos alunos.
- GONÇALVES, Eva

Eva Patrícia Duarte Gonçalves, licenciada (UAL) e mestre em Sociologia do Conhecimento, Educação e Sociedade pela FCSH da UNL. Encontra-se a frequentar o programa de doutoramento em Sociologia no ISCTE-IUL, estando em fase de desenvolvimento da tese sobre a temática da Interação escola-família, também realizado no âmbito do projeto ESCXEL, rede de escolas de excelência, coordenado pelo Professor Doutor David Justino no CesNova onde foi bolseira desde 2009. É atualmente bolseira da FCT.
PAP1226 - Na Cozinha De Famílias Rurais: Práticas De Escolarização De Mães Com Filhos Em Idade Escolar
A comunicação proposta se insere em uma pesquisa mais abrangente denominada As práticas de escolarização de famílias rurais com filhos em idade escolar: o caso do povoado de Goiabeiras, São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil (PORTES e outros, 2010), que vem sendo desenvolvida nos últimos cinco anos. Ela procura responder uma pergunta básica: como é o cotidiano de mães que vivem no meio rural na lida com seus filhos naquilo que diz respeito às questões escolares?
Assim, tomamos os relatos construídos em vivências diárias junto a 15 famílias, acompanhadas de segunda a domingo, de 11 da manhã às 18 horas da noite. Anotamos os acontecimentos diários dessas famílias, mas especialmente aqueles voltados para as ações da criança e daquilo que diz respeito às práticas escolares. Este acompanhamento durou dois meses e meio. Trata-se de um estudo etnográfico e baseamo-nos nos diários construídos durante o acompanhamento.
Queríamos construir um painel complexo de uma realidade já definida, utilizando de diferentes técnicas e métodos de pesquisa, para que pudéssemos cruzar discursos e práticas de famílias e professores. Inspiramo-nos basicamente nos trabalhos de Bernard Lahire, notadamente nas questões configuracionais; nos trabalhos de Daniel Thin, principalmente aqueles relacionados às diferentes lógicas socializadoras da escola e da família; na etnografia efetuada por Pedro Silva sobre um conjunto de escolas portuguesas de diferentes posições sociais e nos trabalhos de Anettle Lareau.
Para além dos aportes teóricos já indicados, concentramos nossas leituras em textos etnográficos de Fonseca, Mauss, Geertz, Velho, Ezpeletta e Rockwell, Van Zanten, Martins, Elias e Scotson. Precisávamos estar providos de uma compreensão simbólica do sentido da nossa inserção nessas famílias e dos efeitos da nossa presença em uma cena complexa, privada, que se abria generosamente à nossa curiosidade investigativa.
Para interpretar esse conjunto de dados, apoiamo-nos em um conceito que vem sendo trabalhado por Portes (2001), denominado circunstâncias atuantes. As primeiras análises indicam um aprofundamento dos estudos no que se refere: ao conceito de famílias rurais, ao significado de tempo e de espaço no meio rural, ao lugar ocupado pela criança nas famílias e no povoado, ao lugar da mãe nas famílias, as manifestações simbólicas das famílias, a ordenação da casa, ao lugar da escola na casa e as práticas específicas de escolarização no meio rural. Os dados mostram que se essas famílias são semelhantes materialmente falando, as inserções simbólicas diferenciam sobremaneira as suas práticas de escolarização.
- PORTES, Écio

- SILVA, Pedro
- CAMPOS, Alexandra
- SANTOS, Valéria
Écio Antônio Portes, professor adjunto da Universidade Federal de São João del-Rei, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisa no campo da Sociologia da Educação, com ênfase nas trajetórias escolares de estudantes pobres e nas práticas de escolarização da famílias rurais. É ainda, professor do Programa de Pós-Graduação Processos Sócioeducativos e Práticas Escolares da UFSJ.
PAP1223 - O Olhar Bourdiano sobre os Trajectos Escolares de Contratendência
Parte da curiosidade suscitada pelos trajectos escolares de sucesso de alguns jovens com origens sociais desfavorecidos, aquilo a que chamaremos na linha de Costa e Lopes et al (2008), trajectos escolares de contratendência ascendente, advém de aparentemente terem pouco lugar nas teorias que, entre as décadas de 60 e 80, se debruçaram sobre a maior vulnerabilidade escolar das classes populares. Aliás, as pesquisas pioneiras sobre esses trajectos “inesperados”, na sua maioria de origem francesa, tecem-se num movimento mais geral de crítica àquilo a que podemos chamar, talvez correndo o risco de uma excessiva simplificação, “teorias da reprodução cultura”, na qual o trabalho de Pierre Bourdieu pode ser enquadrado.
Na extensa obra de Pierre Bourdieu não é conhecida nenhuma pesquisa especificamente dedicada a esse tipo de trajectos. É interessante aliás, que das poucas vezes que se refere directamente a esses casos o autor considere que dão “uma aparência de legitimidade à selecção escolar” e “crédito ao mito da escola libertadora” (Bourdieu, 1998, 1966:59). Ainda assim, é possível encontrar não só pequenos apontamentos do autor sobre estes trajectos “inesperados”, como algumas pistas analíticas para a sua explicação, algumas advindas dos contributos do autor para a análise das classes sociais e recomposição social, outras das suas propostas para a análise das desigualdades sociais na escola.
Na presente comunicação pretende-se discutir parte dessas ferramentas analíticas, cruzando-as com as conclusões de algumas pequisas sobre trajectos escolares de contratendência nas classes populares e com os resultados obtidos na análise dos dados do questionário Estudantes à Entrada do Secundário 07/08 do Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES-GEPE/ME).
- ROLDÃO, Cristina

Cristina Roldão
Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL)
Licenciada e doutoranda em Sociologia
A investigadora tem-se dedicado, entre outras coisas, à análise das desigualdades sociais – de classe e de origem étnico-nacional – no acesso à escola e no sucesso escolar, quer de um ponto de vista extensivo, através da participação no Observatório de Trajectos dos Estudantes do Ensino Secundário (OTES), quer qualitativo, por via do trabalho de terreno em projetos como a avaliação do Programa Escolhas, do Programa TEIP e nos territórios do Programa K’CIDADE. Outra linha de trabalho, tem sido aquela iniciada no projecto “Imigrantes Idosos: Uma Nova Face da Imigração em Portugal”, onde teve a oportunidade de desenvolver uma análise extensiva de fundo sobre esta população ainda pouco conhecida, assim como intensiva, através de múltiplas entrevistas biográficas.
PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis-Brasil)
O desenvolvimento e reorganização de territórios são indicativos do processo de modernização das cidades. Em particular, eles andam de mãos dadas com a modernização de equipamentos e estruturas coletivas, e no presente, cada vez mais ligadas às questões relativas ao meio-ambiente. Indicativo de um horizonte de projeções políticas e econômicas, novos projetos forjam a utopia urbana através de novas vias de circulação, de ocupação e renovação do espaço. O ambiente urbano engendra vários interesses e estes estão presentes nas práticas sociais em instituições públicas. Áreas territoriais da cidade refletem a modelos políticos e organizacionais de uma época. Atualmente, as políticas de desenvolvimento urbano realçam a qualidade de vida e utilizam como "sinônimo" da mesma, o desenvolvimento urbano sustentável. No entanto nas tomadas de decisões os habitantes nem sempre são consultados, o que muitas vezes gera tensões entre o que é do domínio do espaço público e do privado. Com uma paisagem ímpar e uma riqueza histórica, multicultural e ambiental peculiar a Armação, ao sul da cidade de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, é uma das localidades da ilha que ainda resiste ao processo de expansão urbana emanado do centro de Florianópolis depois do início dos anos 90. A localidade conta com a escola Dilma Lúcia dos Santos que tem um papel social notável na comunidade. Ela participa na organização social do espaço urbano local e projeta a reconfiguração espacial do lugar através do Projeto “Entorno Escolar”. Este foi concebido em 2005 pela comunidade escolar, e desde então mobiliza moradores e associações de bairro. O objetivo principal do projeto é, cito: “Transformar o terreno do entorno da escola Dilma Lúcia dos Santos em área pública e propor formas de ocupação visando o desenvolvimento sustentável e o exercício da cidadania.” Mas o caminho não é tão fácil porque o terreno se situa num território de grande interesse político e econômico. Entre as dificuldades de executar o projeto está a oposição dos atuais proprietários que objetivam a construção de um condomínio fechado. Esta comunicação pretende a partir da experiência de campo de minha pesquisa de doutorado, apresentar elementos que despontam em torno do projeto “Entorno Escolar” como práticas sociais, políticas e culturais locais e problemáticas vividas na execução deste.
- PARABOA, Clara Rosana Chagas

Clara Rosana Chagas Paraboa
PAP1381 - O projeto “Entorno Escolar”, entre meio-ambiente e modernidade (Florianópolis -Brasil)
CV
Licenciada em Geografia (UFSC[1]), com Mestrados em Ciências da Educação (UFSC e Lyon 2[2]). Especialista no ensino de geografia e meio-ambiente para crianças, atuou como professora durante 15 anos em Florianópolis (Br) e desde 2010 desenvolve numa escola em St. Fons (Fr) um projeto intitulado P’tits Architectes de la Ville[3]. Encontra-se no segundo ano de doutorado em Antropologia (Lyon 2) associada ao Laboratório CREA (Centre de Recherches et d’Etudes Anthropologiques) com o projeto de tese intitulado “O território da escola: Contexto e desafios no planejamento urbano. Sociabilidade, reivindicações identitárias e meio-ambiente. Florianópolis (Brasil) e Saint Fons (França)”
[1] Universidade Federal de Santa Catarina - Brasil
[2] Université Lumière Lyon 2 – Lyon - France
[3] Pequenos Arquitetos da cidade
PAP1275 - PARCERIAS NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E NO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO
O tema “Parcerias na Educação Pré-Escolar e no 1º Ciclo do Ensino Básico” surge no contexto do trabalho final de um Mestrado em Ensino em Educação Pré-Escolar e em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O tema foi abordado do ponto de vista de quem realizou estágios em dois níveis de ensino (Educação Pré-Escolar e no 1º Ciclo do Ensino Básico) e pôde, não apenas observar, mas também participar de formas diversificadas, em várias situações e atividades que envolviam diversos parceiros que colaboravam com a escola no esforço educativo. Isto permitiu constatar, em situação, que a Escola desenvolve a sua missão, não de forma isolada, mas sim em distintas formas de cooperação com outras entidades, algumas com propósitos e meios diferentes dos seus, porém, convergindo todas na mesma finalidade: a resolução de questões que dizem respeito a todos e o sucesso da educação. Assim, o objetivo principal da abordagem a esta temática foi tentar compreender as relações existentes entre os diversos atores envolvidos na missão educativa, para além da escola, e de forma particular, as famílias e as autarquias.
Para além das observações e reflexões em situação, foi elaborada uma revisão de literatura relativa a esta temática, com a finalidade de procurar aprofundar com quem e como se relacionam as entidades que estão mais envolvidas na educação. Neste trabalho procura-se, então, descrever e analisar questões como: quem são os parceiros educativos da escola? Quais são as responsabilidades, contribuições e limitações educativas específicas desses parceiros?
O trabalho está dividido em quatro pontos. No primeiro, são clarificados alguns dos conceitos mais frequentemente utilizados na discussão da temática: parceiro, parceria, rede, rede social, cooperação, partenariado socioeducativo, envolvimento, participação, colaboração; nos restantes três pontos, são abordados os tópicos comunidade, autarquias e famílias, considerados os parceiros externos à Escola mais relevantes do ponto de vista das práticas pedagógicas.
- FERREIRA, Sarah
- COSTA, Isabel

(Maria Isabel Barros Morais Costa)
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Doutoramento em Ciências da educação
Áreas de interesse: Metodologias de investigação em educação; educação formal versus educação não formal; educação e turismo; pedagogia na universidade; e-learning; formação de profissionais de ciências sociais e humanas.
PAP0435 - Pensar a (des)centralização e autonomia das escolas na Europa: o papel da avaliação na redistribuição de competências
Nas últimas décadas, reformas de (des)centralização dos sistemas educativos e autonomia das escolas multiplicaram-se em diversos países europeus. Assumindo contornos e significados distintos, essas progressivas redefinições de competências entre actores educativos tornaram inoperante a clássica distinção entre sistemas centralizados e descentralizados proposta por Archer (1979).
O papel da avaliação em todas as dimensões das políticas educativas e respectivos actores permite-nos compreender o significado dessas transformações na organização dos sistemas educativos. O conceito de “Estado Avaliador” permitiu a Broadfoot (1996) – no seguimento do trabalho de Neave (1989) – encontrar o elemento comum nas respostas diferenciadas dos sistemas educativos inglês e francês. Num projecto de investigação mais recente, Maroy (2004) examinou igualmente a convergência das políticas educativas europeias para “modelos pós-burocráticos de regulação” à luz desse conceito, ao qual associou o de “Quase-Mercado”.
A presente proposta de comunicação procura reflectir sobre os novos arranjos institucionais, o tipo de actores envolvidos nos processos de tomada de decisão, a sua relação e o tipo de competências (des)centralizadas no espaço da União Europeia. Mais precisamente, visa identificar elementos comuns que possam ser explicados com referência ao papel da avaliação na repartição de competências (Normand e Derouet, 2011). Simultaneamente, a construção de uma tipologia permitirá caracterizar os principais padrões de configuração de relações e competências dos actores educativos, examinando como grupos de países mediatizam, de forma particular, essas orientações comuns (Van Haecht, 1998).
Para proceder à análise comparada – que contribuirá para melhor compreender e situar as transformações do sistema educativo português –, mobilizaremos um conjunto de dados disponíveis em fontes secundárias (OCDE, Eurydice). A leitura dos dados estatísticos e a construção da tipologia terá igualmente em conta estudos sociológicos realizados sobre a questão.
A discussão sobre a articulação entre os elementos de convergência das medidas de política educativa e as respostas diferenciadas dos sistemas educativos será complementada, para concluir, por uma primeira consideração dos efeitos destas medidas, através de uma leitura de estudos empíricos.
- BATISTA, Susana

Susana Paiva Moreira Batista é bolseira de doutoramento da FCT desde
Abril 2011 e colaboradora do CESNOVA no âmbito do Projeto “ESCXEL”. É
licenciada e mestre em Sociologia pela FCSH-UNL, especialização em
“Políticas Públicas e Desigualdades Sociais”. Atualmente, os seus
principais interesses de investigação estão relacionados com Políticas
Educativas, Análise comparada e inserção profissional de diplomados.
PAP0611 - Percursos de excelência escolar na escola pública: novos sentidos para a meritocracia?
Comunicação integrada no Grupo de Trabalho "Entre mais e melhor escola em democracia: inclusão e excelência no sistema escolar português"
Partindo da necessidade de compreender o processo de construção da excelência académica na escola pública, a nossa comunicação elege como principais objetivos o estudo dos percursos escolares e não-escolares dos alunos que integraram um quadro de excelência de uma escola secundária do norte do país e a sua eventual relação com as dinâmicas de distinção académica inscritas no projeto político-pedagógico dessa instituição. Inscrevemos a nossa abordagem no plano de discussão das atuais políticas da democratização da escola pública, procurando problematizar os sentidos que a noção de mérito atualmente recobre, seja por referência às políticas macroestruturais, seja em relação ao entendimento que a instituição dela faz no seu quotidiano educativo, seja a sua interiorização pelos alunos que a corporizaram nos seus percursos escolares. Mobilizaremos, para o efeito, dados recolhidos no âmbito de um projeto de investigação em curso, de natureza intensiva (estudo de caso), provenientes da administração de um inquérito por questionário (n=250), da análise dos processos biográficos dos alunos e de outros documentos estratégicos da escola investigada e da realização de entrevistas a alunos e a professores. Dos resultados já obtidos no âmbito deste projeto e que pretendemos agora aprofundar no decurso desta comunicação, destacamos: i) o número crescente de alunos distinguidos no quadro de excelência observado nos últimos anos; ii) a existência de cerca de 40% de alunos oriundos de famílias cuja escolaridade máxima se situa até ao 9º ano e cujas profissões dos progenitores se encontram no nível intermédio e na base da estrutura social; iii) uma fraca participação destes estudantes na vida organizacional e cultural da escola; iv) um envolvimento diversificado em práticas educativas não-escolares fora da escola; v) um reconhecimento por parte destes alunos do papel da escola e dos professores na obtenção de elevados níveis de desempenho académico; vi) uma cultura de liderança escolar promotora da qualidade e do mérito; vii) a constatação da não concretização de algumas expectativas de ingresso no curso superior desejado. Por fim, recentraremos o nosso debate na tensão enquadradora deste grupo de trabalho (mais escola, melhor escola), procurando dilucidar as dimensões sociológicas e epistemológicas que subjazem ao retorno da noção de mérito no atual panorama educativo.
- TORRES, Leonor Lima

- PALHARES, José Augusto
LEONOR LIMA TORRES, PhD
Professora Associada / Associate Professor
Departº. de Ciências Sociais da Educação
Department of Social Sciences of Education
Instituto de Educação / Institute of Education
Universidade do Minho / University of Minho
CAMPUS DE GUALTAR, 4710-057 BRAGA - Portugal
Email: leonort@ie.uminho.pt
Telef.: 253 604660/604279
Fax.: 253 604250
PAP1248 - Processos de regulação da violência escolar: das políticas às práticas
Esta comunicação tem como objetivo analisar a forma como a nível local são concretizadas as políticas respeitantes à segurança escolar. Para tal foi tomada em conta como da interação entre direções das escolas e outros agentes educativos locais resultam sistemas de relações que expressam orientações e estratégias particulares de intervenção e regulação da violência. Foram selecionados três clusters de escolas na Área Metropolitana de Lisboa, sendo para isso considerados os contrastes intra e inter clusters, assim como a posição relativa destes a nível nacional nos últimos 5 anos quanto ao registo de situações de violência escolar.
O trabalho de campo incluiu entrevistas aos diretores e responsáveis pela segurança escolar (delegado de segurança) de cada uma das 7 escolas, e ainda a realização de grupos focais em cada um dos clusters com representantes das diversas entidades locais, nomeadamente associações comunitárias com intervenção na área da juventude, PSP, CPCJ, Junta de Freguesia, Rede Social Local/Freguesia, Centro de Saúde, entre outros. Procedeu-se ainda à análise dos principais documentos orientadores das escolas (Regulamento Interno e Projeto Curricular de Escola) e dos dados sobre ocorrências de conflitualidade e indisciplina nas escolas estudadas.
Foram ainda recolhidos e analisados dados de caracterização destes territórios educativos junto de entidades diversas como a autarquia, juntas de freguesia, CPCJ, as próprias direções das escolas, e o ministério da educação.
A análise efetuada permitiu identificar uma diversidade significativa de respostas à violência, caracterizadas pela concorrência entre a prossecução das metas políticas definidas centralmente e a demanda de interesses estratégicos próprios pelas direções das escolas. Esta tensão materializa-se na estruturação de redes locais de poder e na hierarquização de competências e responsabilidades, assim como pela mobilização diferenciada dos recursos, processos através dos quais vão sendo redefinidos os objetivos do processo de prevenção e intervenção.
A ocultação ao exterior das situações de violência, o recrutamento preferencial de estudantes de classe média e/ ou com sucesso educativo elevado e a expulsão (muitas vezes utilizando estratagemas) dos transgressores; a aplicação de sanções desproporcionadas e desiguais face à gravidade do ato cometido para alunos agressores ou indisciplinados, foram algumas das estratégias identificadas. Tais estratégias e o entendimento das mesmas pelos responsáveis escolares e locais pela segurança e pacificação do ambiente escolar, mostra que os atores têm diferentes possibilidades e capacidades de ação num sistema complexo de regras sociais e que, dentro de certos limites, podem mesmo reconstrui-las, o que, em última instância, poderá contribui para a transformação do próprio sistema (Mouzelis, 2000; Burns e Flam, 2000; Lipsky, 1971).
- SEBASTIÃO, João

- CAMPOS, Joana

- MERLINI, Sara

João Sebastião é graduado em Pedagogia (1980) e em Sociologia (1988), Mestre em Sociologia Urbana e Rural (1995) e doutorado em Sociologia (2007). Tem como principais áreas de investigação a educação, as políticas educativas e a marginalidade juvenil. Durante o período de 1989 e 2011, lecionou sociologia na Escola Superior de Educação de Santarém, principalmente na graduação e pós-graduação em formação de professores e em Educação Social. Atualmente é professor do Instituto Universitário de Lisboa. Investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL) desde 1988. Autor e co-autor de diversos artigos em revistas científicas, capítulos de livros e livros. Algumas de suas publicações mais recentes incluem capítulos de livros e artigos de revistas sobre desigualdades sociais em educação e violência escolar. Membro do Conselho Editorial das revistas Interacções (Portugal) e Meta: Avaliação (Brasil). Membro do Coordinating Board of the Sociology of Education Research Network of the European Sociological Association.
Joana Campos
Docente na Escola Superior de Educação de Lisboa e investigadora do CIES-ISCTE-IUL. Licenciada em Sociologia e Mestre em Educação, actualmente a frequentar o programa de Doutoramento em Sociologia do ISCTE. As principais áreas de investigação desenvolvidas inscrevem-se na Sociologia da Educação; anteriormente em torno das problemáticas da diversidade cultural e desigualdades sociais na escola. Actualmente a investigação desenvolvida orienta-se sobretudo para os processos de formação e profissionalização dos professores e de outros profissionais da educação, como os animadores socioculturais. Outra linha de pesquisa ocupa-se essencialmente das problemáticas associadas à violência na escola, tendo contribuído para o seu desenvolvimento a integração na equipa do Observatório da Segurança Escolar.
Sara Merlini é Mestre em Sociologia, com especialidade em Sociologia da Família, da Educação e das Políticas Sociais.
Actualmente é Bolseira de Investigação do Projeto Estratégias de educação socioeducativa em contextos sociais complexos.
CIES - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
PAP1290 - Relação Família e escola na municipalidade de Mariana: as vozes da reprodução social.
Neste artigo temos como intento discutir as
relações entre duas importantes instituições:
a família e a escola. Tendo como mote a
associação cada vez maior do discurso
científico no educar das novas gerações
observando as variações de seus impactos nas
camadas populares com o passar dos anos.
Realizaremos, destarte, uma análise com o
propósito de refletirmos acerca do
funcionamento dos mecanismos seletivos das
instituições de ensino e seus reflexos nas
desigualdades sociais. Com o objetivo de
compreendermos a construção do discurso da
escola dirigido às gerações das famílias de
camadas populares na cidade de Mariana - MG,
estamos realizando entrevistas com pais e
filhos adultos (com idades entre os dezoito e
vinte e cinco anos) baseadas na técnica da
História Oral Temática, além de pesquisa
documental. Os depoentes supramencionados são
referenciados a um Centro de Referência de
Assistência Social do município (órgão público
vinculado à Secretaria de Desenvolvimento
Social e Cidadania da Prefeitura),
encontrando-se, portanto, em um quadro de
“vulnerabilidade social”. A partir de um
assunto definido previamente, a história oral
temática se compromete com o esclarecimento ou
opinião do entrevistado sobre algum evento
definido, no caso, o processo de
escolarização. As análises dos dados estão
sendo feitas a partir do olhar principal de
dois teóricos: Pierre Bourdieu e Jean-Claude
Passeron e nos apontam, juntamente com os
dados coletados até o momento, para a
desvalorização dos discursos e práticas
familiares em prol de um conhecimento
cientifico e educador da escola. Assim, a
escolha do destino esbarra nas experiências de
fracasso observadas entre as gerações e o
meio. Além disso, a falta de conhecimento e
familiaridade com o cursus escolar por parte
desta camada social acaba por favorecer
menores investimentos e ampliar as barreiras
em relação a um possível êxito. Percebemos,
assim, uma escola que acaba por ser arrolada
às apreciações das camadas dominantes, sem
muitas preocupações com a cultura popular
local (majoritariamente afro descendente) e
suas expressões e manifestações.
- PRADO, Giovani Barbosa
- COUTRIM, Rosa Maria da Exaltação

Rosa Coutrim é professora do Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e membro do Núcleo de Estudos Sociedade, Família e Escola (NESFE) e do Centro de Investigação Identidade(s) e Diversidade(s) (CIID). Atualmente está fazendo seu pós doutoramento no Instituto Politécnico de Leiria e suas áreas de interesse são relação família-escola e relações intergeracionais.
PAP1283 - Sociologia e Educação de Adultos:
Na linha de outros escritos pretende-se, com esta comunicação, chamar a atenção para o campo não escolar da sociologia da educação. De forma mais concreta é nosso objectivo refelctir sobre um conjunto de "novos" actores de educação de adultos que têm surgido entre nós na última década. Tal é feito, essencialmente, a partir de dados provenientes de entrevistas realizdas no âmbito de um projecto de investigação, financiado pela FCT, desenvolvido no campo do terceiro sector. Apresentam-se, de forma mais profunda, seis casos e tratam-se três grandes tipos de questões: qual é o percurso académico e de formação profissional destes novos actores? Qual o seu percurso profissional até entrarem no campo da educação de adultos? E, qual a relação entre a formação académica e profissional destes agentes educativos e o seu trabalho actual?
Estas questões e outras próximas delas, são colocadas pela Sociologia da Educação acerca dos professores. Nomeadamente, quando é abordada a problemática da identidade profissional. Julgamos ser relevante colocá-las também tendo por objecto de análise estes novos actores da educação não escolar de adultos: formadores, profissionais de Reconhecimento e Validação de Competências, Coordenadores de Centros Novas Oportunidades, entre outros.
- LOUREIRO, Armando

- CARIA, Telmo
- COSTA, Isabel

Armando Loureiro
É Professor Auxiliar de Sociologia da Educação e de Educação de Adultos na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – Departamento de Educação e Psicologia. É vice-presidente da Escola de Ciências Humanas e Sociais da mesma Universidade. É professor visitante na UNIMONTES/Brasil. É licenciado em Sociologia, mestre em Desenvolvimento Local e doutor em Educação. Tem investigado nas áreas da sociologia da educação de adultos e do conhecimento profissional. É autor ou co-autor de mais de dez capítulos de livros, três livros e mais de quinze artigos publicados em revistas científicas nestas áreas.
(Maria Isabel Barros Morais Costa)
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Doutoramento em Ciências da educação
Áreas de interesse: Metodologias de investigação em educação; educação formal versus educação não formal; educação e turismo; pedagogia na universidade; e-learning; formação de profissionais de ciências sociais e humanas.