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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0130 - A escola pública no olhar dos jovens herdeiros
Num momento em que a escola pública enfrenta
múltiplos e complexos desafios e se vê no
centro de inúmeros debates políticos e
investigações científicas, pretendemos
reflectir sobre ela a partir não do
(tradicional) olhar de quem nela vive e de
quem a constrói, mas do olhar distanciado de
quem se sente membro de um sistema de
ensino “à parte”: os alunos das escolas
privadas.
Os dados apresentados resultam de uma
investigação de doutoramento sobre o sucesso
educativo em duas escolas privadas
frequentadas pelas classes dominantes. Apesar
de esta pesquisa não ter como foco analítico
as representações sobre a escola pública,
foram muitos os momentos em que os discursos
dos alunos nos reenviaram para o universo do
ensino estatal. Dissociado da complexidade e
diversidade que o carateriza, ele surge
representado pelos alunos como uma realidade
homogénea e desqualificante que tem
por “contraponto qualificante” o ensino
privado, também falaciosamente associado a um
todo social e escolarmente homogéneo. Tomando
por base apenas umas das técnicas de recolha
de dados acionada nesta investigação – o grupo
de discussão focal -, analisamos, num diálogo
entre o “nós” (escola privada) e o “eles”
(escola pública), os principais eixos em que,
na opinião destes jovens, assenta a dicotomia
entre os dois sistemas de ensino: excelência
académica; valorização do mérito; vivências e
dinâmicas de (in)disciplina; noções
de “identidade de escola”, de “família
educativa”, de “educação em valores” e
de “educação na/para a diversidade sócio-
cultural”. Estes indicadores permitem-nos não
só uma reflexão em torno das lógicas de
distinção – escolar e social – presentes no
discurso dos herdeiros, mas também um
reequacionar crítico da polarização entre
ensino público e privado: o primeiro,
percecionado como espelho da “crise” da
escola; o segundo, como miragem para um ensino
de qualidade.
Escutando os herdeiros de hoje, estaremos (pre)
vendo as políticas educativas de amanhã…
- QUARESMA, Maria Luísa

Identificação: Maria Luísa da Rocha Vasconcelos Quaresma
Filiação:Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto / Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto
Habilitações Literárias: Doutoramento em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Bolsa FCT - SFRH / BD/ 39952/ 2007)
Investigação/docência: Investigadora Integrada do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto/Assistente convidada na Escola Superior de Educação do IPP.
Áreas de interesse: Sociologia da Educação, Sociologia da Juventude, Sociologia das Classes Sociais
Principais Publicações: QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Da escola pública ao colégio privado: entre a homogeneidade perdida e a homogeneidade reivindicada. Revista Luso-Brasileira “Sociologia da Educação”, nr.2; QUARESMA, Maria Luísa; LOPES, João Miguel (2011) – Os TEIP pela perspetiva de pais e alunos. Revista de Sociologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, vol XX; QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Interação, disciplina e indisciplina. In ABRANTES, Pedro, org. – Tendências e controvérsias em Sociologia da Educação. Lisboa: Editora Mundos Sociais; QUARESMA, Maria Luísa (2011) – Democratização escolar: percursos e percalços. In LIMA, Francisca [et al.] – Democratização e educação pública: sendas e veredas. São Luís: EDUFMA --
PAP1100 - Os colégios de elite e a distinção pela excelência: do projecto de educação integral às dinâmicas de acção organizacional
GT Entre mais e melhor escola em democracia: inclusão e excelência no sistema escolar português
Esta comunicação
pretende analisar as
significações
atribuídas pelas
classes dominantes
ao conceito de
excelência. Longe de
se restringir à
dimensão académica,
a excelência é
conceptualizada na
sua
multidimensionalidade,
abrangendo a
formação do
“carácter
individual” e a
partilha de um ethos
de classe. A fruição
cultural, a
capacidade de lidar
com o outro, a
interiorização dos
valores da
solidariedade e do
comprometimento
social, mas também
do mérito, do rigor
e do esforço
constituem alguns
dos pontos-chaves de
uma socialização
distinta e
distintiva no seio
destes grupos. Tendo
como pano de fundo
uma investigação
sobre dois
prestigiados
colégios privados
(um laico e outro
religioso), durante
a qual se acionaram
técnicas
qualitativas
(entrevistas/grupos
de discussão com os
diferentes agentes
educativos,
observação direta) e
quantitativas
(inquérito por
questionário aos
alunos),
analisaremos, pois,
este projeto de
formação integral
dos alunos
perseguido, em
sintonia, por
escolas e pais, numa
osmose configuradora
de um continuum
socializador que é
reforçado pela
homogeneidade
disposicional do
grupo de pares e por
trajetórias de
fidelidade a estes
estabelecimentos de
ensino. Se estes
dois colégios têm
como traço comum o
projeto de uma
educação de
excelência que se
pretende plena e
ancorada
simultaneamente em
valores e na
qualidade académica,
eles valorizam
diferencialmente as
facetas dessa
excelência de
sentido amplo: a
dimensão cívica de
“serviço ao outro”
constituindo um
traço da identidade
humanista cristã do
colégio religioso e
a dimensão cultural
afirmando-se como
uma marca que se
inscreve na matriz
fundacional do
colégio laico.
Pretendemos, assim,
esboçar um desenho a
traços largos das
finalidades
formativas no seio
das classes
dominantes, sem
esquecer as
especificidades que
as atravessam e que
nos autorizam a
falar da sua
policromia interna.
Indissociável do
ideal de excelência
é a praxis educativa
destes colégios que,
na sintonia com as
estratégias
formativas
familiares, encontra
terreno fértil para
transformar a
intenção em ação.
Neste âmbito,
refletiremos sobre o
processo de criação
e sedimentação do
espírito de família,
da comunhão e da
partilha entre os
membros das
comunidades
escolares,
nomeadamente através
dos rituais de
envolvimento e das
festividades onde se
difunde e exalta o
sentido e o orgulho
de pertença. A
personalização das
relações, facilitada
pela estabilidade do
corpo docente e não
docente, aliada a um
conjunto de
estratégias
pedagógico-organizacionais
(como o apoio
extra-escolar, a
manutenção de um
clima disciplinado e
uma constaste
interação
escola-família)
facilita também a
concretização das
metas formativas. A
aposta na promoção
de actividades de
cariz cívico e de
iniciativas
culturais completa o
“retrato” de uma
praxis socializadora
movida por um ideal
de educação para a
excelência na sua
aceção ampla.
- QUARESMA, Maria Luísa

Identificação: Maria Luísa da Rocha Vasconcelos Quaresma
Filiação:Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto / Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto
Habilitações Literárias: Doutoramento em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Bolsa FCT - SFRH / BD/ 39952/ 2007)
Investigação/docência: Investigadora Integrada do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto/Assistente convidada na Escola Superior de Educação do IPP.
Áreas de interesse: Sociologia da Educação, Sociologia da Juventude, Sociologia das Classes Sociais
Principais Publicações: QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Da escola pública ao colégio privado: entre a homogeneidade perdida e a homogeneidade reivindicada. Revista Luso-Brasileira “Sociologia da Educação”, nr.2; QUARESMA, Maria Luísa; LOPES, João Miguel (2011) – Os TEIP pela perspetiva de pais e alunos. Revista de Sociologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, vol XX; QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Interação, disciplina e indisciplina. In ABRANTES, Pedro, org. – Tendências e controvérsias em Sociologia da Educação. Lisboa: Editora Mundos Sociais; QUARESMA, Maria Luísa (2011) – Democratização escolar: percursos e percalços. In LIMA, Francisca [et al.] – Democratização e educação pública: sendas e veredas. São Luís: EDUFMA --