PAP0477 - A Pobreza e a Exclusão Social no Brasil e em Portugal: um estudo comparativo
Nosso trabalho é resultado de pós doutoramento
realizado na Universidade do Porto, que propôe-
se a um estudo comparativo a fim de pensar as
relações centro / periferia em dois países (
Brasil e Portugal), nas cidades de Ribeirão
Preto (Brasil) e Porto ( Portugal ), em
espaços sociais periféricos e violentos das
duas cidades, o bairro periférico do Ipiranga
( Ribeirão Preto/Brasil ) e o bairro social do
Lagarteiro (Porto/Portugal ), no intuito de
analisar e compreender a organização desses
espaços sociais, em suas características e
imbricações, identidades e diversidades,
especificidades e generalidades, abarcando a
organização desses espaços econômicos, sociais
e culturais internos, bem como em sua dinâmica
interna / ampliada; entre centro e periferia
do capitalismo mundial. No decorrer do
trabalho, nos deparamos com as dinâmicas e
formas de sociabilidade desses espaços, o que
nos chamou a atenção para as relações de
gênero alí estabelecidas. Enquanto espaços de
segregação social, encontramos uma
rearticulação entre formas de sociabilidade
tradicional, capitalista e das/nas ruas, bem
como a reorganização familiar
predominantemente baseada na monoparentalidade
materna. . Assim, ao pensarmos num espaço
social periférico no Brasil, trabalhamos com a
cidade de Ribeirão Preto, um espaço
privilegiado dentro do Brasil, que possui uma
dinâmica muito desenvolvida e tecnologicamente
avançada em todos os setores da produção,
distribuição e terceirização, porém isso não a
livra dos espaços de pobreza e exclusão, como
o bairro do Ipiranga. A fim de compararmos os
espaços em estudo, em Portugal, trabalhamos
com a cidade do Porto, cidade mais importante
da industrializada zona do litoral norte de
Portugal, no bairro social Lagarteiro, uma
região do Complexo do Cerco, caracterizada
como área de segregação/exclusão social. Os
sujeitos, nesses espaços, denunciam, por meio
de sua sociabilidade, pela força, pela
violência e criminalidade, uma sociedade que
os exclui e os segrega para longe dos grandes
centros integrados. Encontramos então
sujeitos, espaços e sociedades calcadas na
contradição entre classes, entre trabalho e
não trabalho, entre gêneros, etnias, gerações,
espaços socias de inclusão e exclusão e toda a
multiplicidade de contradições que
caracterizam as nossas sociedades Dessa forma,
nos propomos a tratar, nesse trabalho, de
pensar nas diversas e rearticuladas formas de
vivência familiar, em espaços sociais
segregados/de exclusão, numa perspectica
comparativa entre Brasil e Portugal, entre
centro e periferia do capitalismo atual,
considerando as diversas e significativas
modificações, nesses espaços, no que concerne
às suas vivências nessas famílias e espaços
sociais.
- PAULA, Sandra Leila de
PAP0691 - A REPRESENTAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA CAVERNA DE PLATÃO: NARRATIVAS DA AUSÊNCIA E DO PODER NA ESCRITA SARAMAGUIANA NA VIGÊNCIA DO CAPITALISMO TARDIO
No roman à thèsè “A Caverna”, Saramago cria um
artifício de representação que pondera a
respeito da trajetória de um desacorrentado do
mundo das sombras que desce ao mundo
subterrâneo de um Centro Comercial para
elucidar formas de domínio contemporâneas. O
artigo é parte de uma Pesquisa de Doutorado que
analisa o romance a partir da crítica ao
funcionamento do princípio do mercado que
confina o Estado e deslegitima formas de
sociabilidade já propostas, seja pela fase
liberal seja pela organizada do capitalismo
tardio que, não obstante, desoculta outras
sociabilidades, práticas e culturas que a
modernidade subalternizou, revelando-as, ao
mesmo tempo, como espaços politizados. Saramago
critica a incapacidade do capitalismo de
construir humanamente a conjuntura existencial
do homem, cuja realidade é marcada pela nova
divisão internacional do trabalho, pela
dinâmica vertiginosa das transações bancárias,
pelas novas formas de interrelacionamento das
mídias, que são apenas manifestações visíveis
do sistema econômico. Desse itinerário se
depreende que o esmaecimento do sentido
histórico, a substituição da categoria tempo
enquanto dominante pelo espaço ou a
transmutação das coisas em imagens no processo
de reificação, mais do que características de
uma dominante cultural, constituem traços
estruturais do capitalismo tardio, que se
legitima pela dissolução explosiva da autonomia
da esfera cultural, descrita como uma
prodigiosa expansão da cultura até o ponto em
que tudo na vida social, do valor econômico e
do poder do Estado à estrutura da psique, deve
ser considerado como cultural. A colonização do
real pela cultura surge como uma atualização,
uma amplificação telescópica da indústria
cultural, pratica-se o culturicídio advindo da
incapacidade de se construir um sistema de
relações que avoque a liberdade de culturas
minoritárias e periféricas, restando o
funcionalismo vazio de um sistema de
produção/troca de informações/serviços cujo
objetivo é a acelerada racionalização da
produção. O artigo enfatiza como os discursos
ético-políticos preenchem as condições
comunicativas para um auto-entendimento
hermenêutico de coletividades, porquanto devem
possibilitar uma autocompreensão autêntica e
conduzir para a crítica de um projeto de
identidade, em que é necessário o preenchimento
de certas condições de uma comunicação não-
deformada sistematicamente, que proteja os
participantes contra repressões, sem arrancá-
los de seus genuínos contextos de experiências
e interesses.
- BARBOSA, Ramsés Albertoni
PAP1175 - A reestruturação dos anos 1990 e o perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil
Durante os anos 1990, os bancos públicos brasileiros sofreram processos complexos e intensos de reestruturação capitalista, com profundas conseqüências para os processos e os espaços de trabalho, afetando particularmente o perfil da categoria bancária. No Banco do Brasil a reestruturação teve seu momento decisivo entre 1994 e 1997, envolvendo inovações e mudanças tecnológicas, institucionais, organizacionais, discursivas, no perfil bancário e nos modos de gestão e contratação da força de trabalho. As análises aqui desenvolvidas foram geradas a partir de observação direta e participante, da análise de documentos bancários e sindicais e da realização de entrevistas semi-estruturadas e coleta de depoimentos informais. O foco do texto é o debate sobre a reconfiguração do perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil a partir da reestruturação. Para tanto, apresenta-se a evolução do capital e do trabalho no Banco do Brasil, evidenciando a transição do trabalho de ofício para o taylorismo, a emergência do fordismo como forma de regulação do trabalho e a industrialização do trabalho bancário. Em seguida, expondo a transição da estabilidade para a empregabilidade, discutem-se a heterogeneização e fragmentação do trabalhador, a emergência do bancário-vendedor, a multifuncionalidade, a competitividade e a segmentação no atendimento aos clientes. Para finalizar, avaliando que as mudanças recriaram as formas de exploração e subordinação do trabalho ao capital e os modos de equacionamento dos conflitos nos processos e locais de trabalho, são apresentadas duas conclusões sobre os significados da reestruturação. Em primeiro lugar, a partir de referenciais de Antonio Gramsci, caracterizando a reestruturação como parte de um longo processo de evolução das relações, processos e tecnologias capitalistas no Banco do Brasil, evidencia-se o seu sentido de recriação da hegemonia do capital sobre o trabalho. Para tanto, apresentam-se dimensões materiais e imateriais e reflete-se sobre as articulações entre coerção e consenso que compõem diferentes momentos e faces da reestruturação. Em segundo lugar, e a partir da teoria sociológica de Pierre Bourdieu, evidencia-se a reestruturação enquanto um processo de recriação do espaço social do capital e do trabalho, entendido este enquanto um campo onde convivem e interagem agentes sociais com posições, trajetórias, capitais e disposições sociais distintas e processualmente constituídas.
- MACHADO, Eduardo Gomes
PAP0088 - Capital Social das elites parlamentares portuguesas: uma aproximação ao seu perfil associativo
Portugal, quando comparado com os restantes países da União Europeia, exibe um baixo grau de Capital Social. O cumprimento das normas, regras e leis é reduzido, a abstenção é elevada, a confiança entre os cidadão e entre estes e as instituições governamentais reduzida e a luta contra a corrupção virtualmente inexistente.
A existência de uma forte ligação entre o Capital Social e o grau de desenvolvimento económico, social e cívico das sociedades é hoje um facto bem estabelecido. Importantes trabalhos quer do lado da Economia quer da Sociologia coincidem na conclusão que as sociedades com menor Capital Social tendem a desenvolver-se menos e a tolerar índices superiores de desigualdades.
No entanto o mecanismo de transmissão dos efeitos positivos do Capital Social no desenvolvimento económico e social prende-se, quase em exclusivo, com um tipo particular de Capital Social. Aquele que une pessoas de condições e grupos diferenciados (bridging).
Em Portugal as elites políticas e sociais têm a obrigação de liderar o país na busca de estratégias que permitam ultrapassar a situação actual em que todos, ou quase todos, os actores perdem (lose-lose) por ausência dos níveis adequados de Capital Social. Mas para o fazerem precisam primeiro de reforçar o seu próprio Capital Social.
Este trabalho analisa um dos aspectos mais relevantes do Capital Social o associativismo dos deputados portugueses, um importante subgrupo das elites políticas. O número de pertenças e a sua natureza permitem traçar uma tentativa de perfil do Capital Social dos Parlamentares nacionais.
- ALMEIDA, Jorge Manuel Fernandes Fonseca de

JCurta nota curricular
Jorge Fonseca de Almeida, 52 anos, casado, dois filhos, diretor bancário na área do Marketing com experiência profissional em Portugal, Holanda e Polónia, licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Economia, Master in Business Administration (MBA) pela Universidade Nova de Lisboa, mestrado (parte escolar) em Comportamento Organizacional pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Aluno de Doutoramento em Sociologia no ISCTE-IUL, terceiro ano, a desenvolver tese “Elites económicas e Capital Social: o caso português”.
Autor do livro “O essencial sobre o Capital Social” editado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda (2011) e de várias apresentações a congressos e encontros científicos.
Interesses de investigação: Capital Social, Redes Sociais, Entrelaçamento, Normas, Confiança, Sociedade e desenvolvimento, Elites económicas e políticas.
PAP0692 - POBREZA E DESIGUALDADE NO BRASIL: Uma análise da contradição capitalista.
Desde o início de sua história o Brasil é perpassado por fortes relações de desigualdade social, que têm permanecido até este momento. Este artigo procura fazer uma análise da pobreza no Brasil na conjuntura atual, a partir de dados empíricos coletados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD- 1993 a 2008, realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística - IBGE. Consideramos, neste estudo, que o sistema capitalista tem forte influência no agravo da questão social, pobreza e desigualdade, ao passo que é um sistema econômico onde a produção e distribuição da riqueza são regidas pelo mercado, e não mais pelo Estado, visando lucro e acumulação de capital. Com o fortalecimento desse sistema, o dinheiro passa a ter grande força sobre o homem, se torna um valor dentro da sociedade, ou seja, possuir dinheiro é centralizar poder, manipular a sociedade, buscar o seu próprio bem-estar, e isso gerou consequências, como as desigualdades sociais. Assim, a problemática da pobreza tem alcançado patamares elevados a nível mundial. No caso brasileiro essa questão sempre esteve presente, como também se verificam historicamente algumas formas ou ações de enfrentamento, porém, tais ações nem sempre ocorreram de forma sistemática. A situação social no Brasil tem apresentado progressos, os investimentos em melhorias da política econômica e programas de atendimento ás famílias pobres permitiram mudanças na realidade do seu perfil socioeconômico. Entretanto, apesar da melhora nos últimos anos, segundo a PNAD, o nível de desigualdade brasileiro continua elevado. Enquanto os 40% mais pobres vivem com 10% da renda nacional, os 10% mais ricos vivem com mais de 40%. Embora a situação há uma década fosse certamente pior, ainda hoje, a renda apropriada pelo 1% mais rico é igual à dos 45% mais pobres. O que um brasileiro pertencente ao 1% mais rico pode gastar em três dias equivale ao que um brasileiro nos 10% mais pobres levaria um ano para gastar. Em função da elevada desigualdade que prevalece, a pobreza e, em particular, a extrema pobreza está muito acima do que se poderia esperar de um país com a renda per capita do Brasil. Se 1/3 da renda nacional fosse perfeitamente distribuída, seria possível garantir a todas as famílias brasileiras a satisfação de suas necessidades básicas. Contudo, quase 50 milhões de pessoas vivem em famílias com renda abaixo desse nível. A insuficiência de renda dos mais pobres, isto é, o volume de recursos necessários para que todas as famílias pobres superem a linha de pobreza, representa apenas 3% da renda nacional ou menos de 5% da renda dos 25% mais ricos. Para aliviar a extrema pobreza seria necessário contar apenas com 1% da renda dos 25% mais ricos do país. Esses números são alarmantes, e é preciso haver estratégias eficazes de combate a pobreza, nas suas diversas determinações, atuando sobre a família e o indivíduo no âmbito social e econômico, bem como políticas públicas eficientes.
- SILVA, Cristiane Freitas da

- SOUSA JUNIOR, Airton Silva de

SILVA, Cristiane Freitas da
Graduanda da Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal do Pará-UFPA, Brasil. Bolsista de iniciação científica PIBIC-CNPQ do Projeto de Pesquisa “Os Impactos das Transformações Contemporâneas na Região Amazônica Brasileira: tendências da formação e do Mercado de trabalho profissional” no período de 2009-2012. Publica artigos em periódicos especializados e trabalhos em anais de eventos, principalmente no que concerne às temáticas: Trabalho, Políticas Públicas, Movimentos Sociais e Desigualdades. Endereço para acessar Currículo Lattes:http://lattes.cnpq.br/7768890344998301. Email: cris.ssocial08@gmail.com
SOUSA JUNIOR, Airton Silva de
Graduando de Ciência da Computação da Universidade Federal do Maranhão-UFMA, Brasil. Participa e publica artigos em anais de eventos científicos na área de computação e interdisciplinares, tendo interesse principalmente nas temáticas de inclusão digital, socialização da informática, direitos humanos e desigualdades sociais. Email: airjubx@hotmail.com
PAP0058 - Trabalho na Modernidade: sociedade de risco e desrespeito aos direitos sociais e econômicos dos trabalhadores.
O presente texto tem
como objectivo
analisar os
conceitos de
modernidade e
trabalho, abordando
teorias que são
essenciais para
compreender como
neste período se
estabeleciam as
relações de
trabalho. A proposta
central do trabalho
consiste em discutir
a regulamentação das
relações de trabalho
nos moldes
capitalistas
modernos, buscando
demonstrar como a
incerteza de obter
trabalhos
assalariados e o
risco de
precariedade nas
condições
trabalhistas afectam
as relações de
trabalho e as
relações entre os
indivíduos, para
isso realizou-se
previamente uma
pesquisa
bibliográfica, para
que relacionando as
bases teóricas de
Ricardo Antunes,
Zygmunt Bauman,
Marshall Berman,
Maria da Graça dos
Santos Dias e Karl
Marx, fosse possível
captar e compreender
a problemática
moderna do ritmo do
trabalho capitalista
e a promoção da
dignidade humana.
O período da
modernidade está
estreitamente ligado
ao modo de produção
capitalista, já que
a categoria do
trabalho é central.
Karl Marx aborda o
conceito de trabalho
em seu sentido amplo
e económico, sendo
de extrema
relevância para esta
pesquisa. Este
período é marcado
por paradoxos,
ambiguidades e
contradições, que
estão intrínsecas no
modo de produção
capitalista. Embora
haja a perspectiva
de progresso, a
revolução contínua
da modernidade faz
com que alguns
indivíduos fiquem
excluídos pela
miséria e opressão
advindos da
separação de
classes, o que
desencadeia na
redução das
possibilidades de
desenvolvimento
individual,
contrariando os
preceitos
iluministas.
Portanto, a partir
da discussão teórica
conclui-se que a
modernidade
proporcionou o
aumento das
contradições
existentes na
sociedade, pois pela
incessante
exploração do
trabalhador, visando
o aumento da
dominação burguesa e
não a possibilidade
de progresso
individual pelo
trabalho, faz com
que embora o
enriquecimento do
trabalhador seja
possível, se torne
pouco provável;
devido às condições
materiais de
existência serem
destoantes entre os
indivíduos,
desencadeando a
separação entre as
classes, a alienação
e a opressão.
- SANTOS, Gabriela de Morais

Nome/ Gabriela de Morais Santos
afiliação institucional: Estudante da Universidade Tecnica de Lisboa do Instituto de Ciencias Sociais e Politicas no curso de Sociologia. Estuda em Lisboa pelo Convenio entre a universidade Federal de Uberlandia; instituicao de origem, com a universidade brasileira
Area de formação/ Estudante de Ciencias Sociais; abrangendo os cursos de Sociologia; antropologia e ciencia politica
Interesses de investigação/ Sociologia urbana; sociologia do trabalho e antropologia cultural: ja realizado investigacoes nas tres areas