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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0474 - Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo
O mundo contemporâneo da saúde reúne
características que permitem a produção de
contextos sociais plurais, por vezes com
elementos contraditórios entre si. Nestes,
cada indivíduo constrói o seu espaço singular
face à saúde, apropriando-se e recriando no
seu quotidiano o material social que lhe é
mais significativo. Esta acção criativa
expressa um território de decisão e
transformação importante, a que acresce ainda
a diferença de expressão da saúde por
associação a cada etapa do trajecto de vida.
Cada tempo social de vida confere um pano de
fundo único na compreensão das lógicas que
movem as práticas e o pensar sobre a saúde
individual. Na velhice, a leitura realizada
sobre as mudanças fisiológicas ocorridas
determina a progressiva alteração de
necessidades, do tipo de problemas que podem
surgir, assim como a percepção que cada
indivíduo desenvolve sobre a sua condição,
recursos necessários e estratégias de actuação
adequadas. Nesta fase, ocorrem igualmente
significativas mudanças ao nível da estrutura
familiar, actividade económica e redes
sociais, com potenciais efeitos na saúde,
assim como no tipo de utilização dos recursos
sociais disponíveis. O ter saúde é uma noção
subjectiva em permanente mudança, construída
no confronto dinâmico entre as disposições
sociais dominantes ou mesmo residuais sobre o
significado de ser saudável. Constitui assim
um elemento micro de leitura das lógicas
sociais que estabelecem a condição pessoal
perante a saúde num certo tempo da vida, num
determinado tempo sócio-histórico. Por outro
lado, o progressivo aumento da esperança de
vida tem vindo a permitir o aparecimento de
uma última idade temporalmente mais longa, com
a possibilidade de ser vivida com mais saúde.
Esta expectativa social permite o
desenvolvimento de novas lógicas em torno da
noção de saúde pessoal, que importa analisar.
Com base na realização de entrevistas junto de
mulheres e homens em idade mais avançada,
procurou-se apreender e explorar as lógicas
que suportam à construção das suas noções
pessoais de saúde no seu tempo actual de
vida.
- GOMES, Inês

Inês Gomes é Investigadora Colaboradora no CESNOVA – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, onde actualmente desenvolve o seu doutoramento em sociologia, subordinado ao tema “Saúde e envelhecimento: Práticas e representações sociais de género”. Mestre em Saúde Pública, conta com um trajecto profissional e académico na área da saúde, tendo-se dedicado neste âmbito aos temas do envelhecimento e do género.
PAP1154 - Idoso, velho e velhice.
A definição de idoso tem se transformado
rapidamente na sociedade brasileira – como em
outros países – com as transformações sociais,
econômicas, políticas e dos valores associados
às etapas da vida. Nesse sentido, a proposta
desse trabalho trata-se de discutir preceitos
sociais em que ideias do que é idoso, velho,
velhice e envelhecimento têm ganhado nos
últimos tempos, a partir da pesquisa concluída
de mestrado sobre uma política pública
habitacional alternativa, chamada de Repúblicas
de Idosos de Santos, e, ainda, dos Conselhos
(Municipais e Estaduais) de Idosos de Santos e
São Paulo e das Conferências de Direitos da
Pessoa Idosa realizados em 2010, campo de
pesquisa de doutorado, em andamento. Nos dois
casos, pontua-se fortemente elementos como
protagonismo, independência e a participação
política do idoso em busca de seus direitos.
É, dessa forma, que esse trabalho pretende
problematizar os preceitos sociais em que a
velhice contemporânea está imersa e se
atualiza. Tal modelo prima por fundar-se uma
noção de idoso diretamente oposta a de velho.
As Repúblicas é um projeto promovido pela
prefeitura municipal em que dez idosos dividem
uma casa, gerenciam suas contas, tarefas
domésticas e possuem a chave de casa. Essas são
as vantagens ressaltadas pelos agentes da
prefeitura. Mais do que uma moradia, refere-se
a um estilo de vida e de desenhar um modelo de
velhice em que atividade, autonomia e
independência são valorizadas. Se essa
concepção é fundada na direção de extrapolar a
ideia de velho, na direção de valorizar
perspectivas e possibilidades de vivências,
cria-se também um modelo muito bem definido de
perfil do candidato, em que a juventude
permanece referência de estilo de vida.
Os Conselhos de Direitos dos Idosos são
espaços em que se discutem propostas de
políticas públicas e fiscaliza as ações do
Estado. Tais propostas estão diretamente
relacionadas com ao modelo democrático de
gestão estatal e controle das ações promovidas
para essa população. Em 2010, acompanhei
assembleias gerais ordinárias mensais dos
Conselhos Municipais das cidades de Santos e de
São Paulo e do estado de São Paulo. Além disso,
as Conferências são realizadas com certa
periodicidade, com a finalidade de chamar a
sociedade civil para discutir e propor novas
sugestões de política pública. O campo abrangeu
aquelas relacionadas aos conselhos estudados,
além da nacional no mesmo ano.
Os casos estudados nas pesquisas de mestrado e
de doutorado apresentam políticas pensadas pelo
Estado que revelam valores, ideais e estilos de
vida associados ao modelo de velhice em voga.
- OLIVEIRA, Glaucia S. Destro de

Estudante de doutoramento em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), na linha Cultura e Política, desenvolve pesquisa sobre discursos de velhices em políticas sociais, sob orientação da profa. dra. Guita Debert. Defendeu o mestrado em março de 2009 em Antropologia Social na Universidade Estadual de São Paulo (USP), sob orientação do prof. dr. Júlio Simões, e é bacharel em Sociologia e Antropologia, além de licenciada em Ciências Sociais também pela UNICAMP.
PAP0525 - Viver até morrer: que modelos organizativos inventar?
A transformação das estruturas da população
segundo a idade tem fortes implicações na
organização da vida colectiva.
Nas sociedades em que o trabalho é factor
crucial de integração social, a passagem à
condição social de “idoso” representa, para
muitos, a entrada num processo de
vulnerabilidade social ou, até, de exclusão.
A sociedade portuguesa é um caso de evolução
contraditória. A progressiva integração
económica dos reformados não impediu que
grande parte da população envelhecida fosse
remetida para condições objectivas de
existência que os expõem a diversas formas de
marginalização. São de destacar a pobreza, a
perda dos laços sociais e de significado da
existência, assim como do sentido da utilidade
social.
Um importante contingente dos activos
envelhecidos que exerceram a sua actividade
profissional com baixos níveis remuneratórios
corre o risco de não contar com redes mínimas
de protecção social.
A nossa investigação propõe-se analisar as
repostas sociais existentes e conceber e
planear intervenções que diminuam o risco de
pobreza e evitem que a reforma seja vivida
como morte social.
As profundas alterações que afectam as
estruturas familiares têm um impacto directo
sobre as relações de poder entre as gerações,
nomeadamente sobre o conteúdo e intensidade
das trocas entre filhos e pais e sobre a
definição das suas obrigações recíprocas.
Grande parte das tarefas e cuidados
tradicionalmente assumidos pela família, e que
contribuíam para a sua coesão, está a ser
remetida para instituições e profissionais
especializados. Esta mudança, que secundariza
os mecanismos de resolução de problemas na
base de trocas e negociações directas quer no
quadro da família, quer na colectividade de
vizinhança, está na base do isolamento social
e da solidão, bem como do fechamento da
identidade no passado.
Neste quadro, a qualidade da protecção social
dos idosos é crucial para preservar a sua
dignidade social e para que possam viver até
morrer. O contributo das organizações
produtoras de serviços para criar redes de
relacionamento social é crucial para prevenir
ou corrigir o isolamento e a solidão,
substituindo ou complementando os laços
primários.
A nossa investigação pretende, pois, conceber
modelos organizacionais compatíveis com a
valorização simbólica, a intensificação das
relações sociais, a descoberta de interesses e
o envolvimento na prestação de serviços à
colectividade de modo a permanecerem
integrados na vida social, demonstrando a sua
utilidade social.
- MAIA, Berta
- ROCHA, Maria Lúcia
- ALMEIDA, Maria Sidalina

- GROS, Marielle
Nome: Maria Sidalina Almeida
Afiliação institucional: Instituto Superior de Serviço Social do Porto
Área de formação - licenciatura em serviço social; mestrado em serviço social e política social e doutoramento em ciências da educação.
Interesses de investigação: diversos temas no campo da gerontologia social; transição dos jovens para a vida adulta.