PAP0949 - O TEMPO LIVRE EM FAMÍLIA – UMA ABORDAGEM DE GÉNERO
O uso que os atores fazem do tempo é, em grande parte, condicionado por fatores sociais e culturais, em articulação com as características individuais, nas quais se inclui o género. Nesta comunicação abordamos as concepções do tempo e os modos de passar o tempo de homens e mulheres a viver em casal, dando relevo à maneira como percebem e usam o tempo livre. Tendo como base a análise da literatura sobre o tema, apresentamos e interpretamos os dados mais relevantes de uma pesquisa realizada nos distritos de Castelo Branco e Braga através de inquérito por questionário, grupos de foco e entrevistas semidiretivas. Tal como afirmam vários autores, o tempo livre designa o tempo não dedicado a responsabilidades e atividades consideradas «necessárias», tais como o trabalho remunerado, o trabalho doméstico, os cuidados de outros e os cuidados pessoais. Distingue-se do tempo de «lazer» que tende a agregar atividades, por regra com elevado índice de prazer, realizadas durante o tempo livre.
Nesta comunicação pretendemos mostrar que os usos do tempo livre em família evidenciam desigualdades de género de extrema importância, no contexto do debate sobre as políticas igualdade de género no trabalho e na vida privada. Tais desigualdades não são apenas definíveis a partir da dimensão quantitativa (em geral, as mulheres dispõem de menos tempo livre do que os homens com a mesma situação familiar), mas também a partir de outras dimensões, designadamente os índices de previsibilidade e de fragmentação (o tempo que as mulheres podem ter para si é menos previsível e mais fragmentado), a natureza das atividades e das preferências especialmente vinculadas a “identidades de género”. Pretendemos, assim, consolidar algumas hipóteses não só acerca da divisão sexual do tempo livre e do tempo de lazer, mas também sobre a forma como homens e mulheres tendem a valorizá-los, a preenchê-los e a narrá-los. Seguimos, neste contexto, diversas abordagens situadas na sociologia da família e do género, e, igualmente, alguns dos contributos fundamentais sobre a importância das classes sociais na experiência do tempo quotidiano, assim como das características dos modos de vida nas sociedades modernas.
Maria Johanna Schouten
Universidade da Beira Interior;
Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho.
Áreas de formação: Antropologia, História, Sociologia.
Interesses de investigação:
Sociologia da família, sociologia do género, sociologia da saúde, sociologia do envelhecimento, relações interculturais, estudos sobre o Sudeste Asiático
Emília Rodrigues Araújo
Universidade do Minho. departamento de sociologia e centro de estudos de comunicação e sociedade
Sociologia, com interesses atuais na área da sociologia do tempo, sociologia política e das mobilidades.