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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012
Associação Portuguesa de Sociologia
PAP0287 - Direito da Família em Portugal: desafios ao princípio constitucional da igualdade
A consagração do princípio da igualdade na Constituição da República em 1976, após a revolução de 1974, teve impactos especialmente profundos no Direito da Família e na condição das mulheres em Portugal, com a consagração do princípio da igualdade entre homens e mulheres, entre marido e mulher e entre crianças nascidas dentro e fora do casamento. Contudo, e apesar de já terem passado quase quarenta anos desde a consagração do princípio da igualdade, a igualdade material contínua longe de ser uma realidade, o que é visível nas contribuições desiguais de homens e mulheres para a vida familiar, a assimetria nas horas de trabalho e nos salários ou na diferença de horas dispensadas por homens e mulheres com a família (Torres, 2008).
Nesta comunicação discutiremos, em primeiro lugar, os desafios e limitações do princípio da igualdade entre homens e mulheres, a partir da perspectiva crítica e feminista do direito. Em seguida, apresentaremos as rupturas e continuidades do Direito da Família em Portugal desde 1974 até aos dias de hoje, no que respeita ao princípio da igualdade. Por fim, discutiremos se e como estas transformações têm impacto na prática judiciária, através do estudo de caso de processos findos de regulação de responsabilidades parentais em dois tribunais portugueses, Lisboa e Braga.
Em suma, partimos nesta comunicação, como no projecto de investigação “O Género do Direito e da Justiça de Família em Portugal” no âmbito do qual é desenvolvida, da hipótese geral que, apesar da transformação do direito de família nos últimos 30 anos, a lei e a prática judiciária são ainda dominadas ou pelo menos reflexo, de forma manifesta ou latente, pela/da ideologia patriarcal ou masculina.
- PEDROSO, João
- CASALEIRO, Paula
- BRANCO, Patrícia
PAP0822 - Entre a ‘gaiola de ferro’ e a ‘gaiola de cristal’: percepções dos académicos portugueses sobre o controlo e a regulação política e institucional do trabalho académico
O objectivo geral deste estudo é compreender a forma como os académicos, em Portugal, se posicionam face às
crescentes
tentativas de
institucionalização
de novas tecnologias
de controlo e
regulação das suas
acções e condutas
profissionais.
Seguindo de perto a
conceptualização de
Foucault (2004),
sobre a emergência e
ascensão do
neoliberalismo nas
sociedades
ocidentais, estas
tentativas parecem
traduzir dinâmicas
governamentais
‘construtivistas’
(Gordon, 1991; Rose,
1996) visando a
hegemonização do
modelo de empresa e
de
concorrência/competição
no ensino superior.
Activa e
deliberadamente, as
políticas
governamentais
procuram construir,
artificialmente, um
‘ambiente
institucional’ de
mercado no ensino
superior, visando a
transformação do
habitus e modus
operandi (Bourdieu,
1989, 2006) herdados
do modelo
humboldtiano. Neste
processo, a Nova
Gestão Pública
(NGP), é assumida
como um paradigma
político-instrumental e
uma tecnologia de
controlo e regulação
(Deem, Hillyard e
Reed, 2007) usado
para criar esta
‘nova ordem’ no
sistema e nas IES.
Elege, como alvo
principal, a
conquista dos
académicos para este
´projecto’empreende.
Tal tem significado
a mobilização de
dois modos
contraditórios de
controlo e regulação
do trabalho
académico – as
técnicas de
dominação (Weber,
1999) e as técnicas do ‘self’ (Foucault,
1991; 2004; Costea
et al., 2007).
O suporte empírico
deste estudo é
constituído pelos
dados obtidos com um
questionário
internacional –
‘Mudanças na
Profissão Académica’
– administrado a
académicos
portugueses (N=1320)
vinculados às IES
públicas. A análise
dos dados permite
suportar as
seguintes principais
conclusões. A
maioria dos
académicos
inquiridos: a)
percepciona de forma
tendencialmente
negativa as mudanças
ocorridas na
governação e gestão
das IES; b) mantém
um relativo
auto-controlo da
divisão e das
condições de
desenvolvimento do
trabalho académico
(ensino e
investigação); c)
enfatiza os valores
e práticas
profissionais
‘tradicionais’
(colegialidade e
autonomia
individual) face ao
‘modelo de empresa’
e aos mecanismos de
concorrência/competição
injectados no
sistema. Nesta
lógica, a
intersecção das
técnicas de
dominação e do
‘self’ ainda não são
sentidas como uma
dimensão
estruturante do
controlo e regulação
do comportamento e
do trabalho
profissional dos
académicos.
- SANTIAGO, Rui

- FERREIRA, Andreia

“Rui Santiago é professor associado com agregação na Universidade de Aveiro e investigador no Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior. Os seus principais interesses de investigação são a governação e a gestão institucional do ensino superior e a profissão académica. Publicou, recentemente, vários artigos nas revistas internacionais Higher Education, Higher Education Quarterly , Higher Education Policy, Minerva e European Journal of Education. É co-editor dos livros Non-University Higher Education in Europe (Springer, 2008) e The Changing Dynamics of Higher Education Middle Management (Springer, 2010). Ao nível nacional é, igualmente, co-editor, entre outros, do livro Grupos Profissionais, Profissionalismo e Sociedade do Conhecimento: tendências, problemas e perspectivas (Edições Afrontamento, 2012).”
Andreia Ferreira
Bolseira de projecto FCT – Universidade de Aveiro e CIPES – Doutoranda no Programa Doutoral ‘Estudos em Ensino Superior” (Universidade de Aveiro e Universidade do Porto)
Área de Formação: Sociologia
Interesses de investigação: Profissões; Ensino Superior
PAP0285 - Entre as fronteiras da regulação managerial da ideia de qualidade e o discurso da praxis dos técnicos de radiologia nos hospitais públicos da Região Algarve
Na última década, assistimos à introdução “feroz” dos pressupostos managerialista da nova gestão pública na esfera ideológica e jurídica no sector hospitalar português. Na verdade, tais lógicas gestionárias vieram fomentar uma reorganização do campo da regulação managerial nos serviços de saúde, pressionando os actores, entre outras questões, a adopção da normalização dos pressupostos da qualidade na praxis dos protagonistas na prestação de cuidados de saúde, incorporando as ditas "práticas baseadas na evidência" nos discursos tecnologizantes da governação das acções, via materialização de "protocolos" de procedimentos específicos (Castel, 2009; Fraisse, 2003; Robetet, 2002).
A presente comunicação tem como objectivo apresentar os principais resultados dum estudo sobre os determinantes organizacionais da qualidade das tecnologias de saúde nos serviços de radiologia dos hospitais públicos da Região Algarve, tendo em vista descodificar e desocultar o sistema de regulação managerial da qualidade, em geral, e dos pressupostos dos discursos da "prática baseada na evidência" protagonizada pelos técnicos de radiologia dos serviços hospitalares, em particular, questionando ainda os horizontes dos futuros possíveis no que concerne à adopção generalizada de tais práticas no quotidiano de trabalho ao nível da praxis em tomografia computarizada (TC).
São apresentados na presente comunicação os resultados decorrentes da análise qualitativa do diagnóstico efectuado com recurso à entrevista semiestruturada.
Os dados qualitativos foram tratados através ao software livre Iramutep, recorrendo à extracção com a técnica Alceste, facto que permitiu gerar quatro classes das verbalizações dos protagonistas entrevistados. A classe das verbalizações mais representativa é a classe 2 (36,26%), sendo interpretada como a "regulação autónoma da melhoria do contexto de trabalho". Segue-se a classe 4 (27,47%), interpretada como as "perspectivas de regulação de controlo managerial da melhoria da qualidade". A classe 3 (20,88%) oferece-nos um conjunto de verbalizações sobre as fronteiras da "autonomia profissional" e as lógicas de "controlo organizacional". A classe 4 (15,38%), interpretada como "ser competente", congrega o campo dos possíveis da noção de técnico de radiologia como produtor de regras e como protagonista das estruturas de produção, de mediação e de negociação das relações indivíduo-organização nos serviços hospitalares estudados.
Os principais resultados sugerem a presença da inviabilidade dum campo de regulação managerial da qualidade e da praxis profissional determinados pelo jogo dos interesses individuais e colectivos dos técnicos de radiologia, nem sempre convergentes quanto à aceitação ipsis verbis dos pressupostos de normalização na governação das práticas no quotidiano de trabalho em TC.
- ABRANTES, António

- SILVA, Carlos Alberto da

ANTÓNIO FERNANDO ABRANTES, Prof. Adjunto e Diretor da área departamental de
Radiologia da Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve Membro da
Comissão Coordenadora e docente do curso de mestrado em Gestão e Avaliação
de Tecnologias em Saúde (curso em parceria UALG/ESTESL-IPL) e Doutorando em
Sociologia (Titulo da tese entregue em Abril de 2012-DETERMINANTES
ORGANIZACIONAIS NA QUALIDADE EM TECNOLOGIAS DA SAÚDE) e Mestre em
Intervenção Sócio-Organizacional na Saúde pela Universidade de Évora,
Licenciado em Radiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de
Coimbra. Tem desenvolvido trabalho na área da qualidade em Radiologia.
Principais interesses de investigação: a) Avaliação da qualidade dos
serviços de radiologia; b) estudos prospectivos dos serviços de saúde.
Áreas
gerais interessantes para investigação: Sociologia da Saúde, Tecnologias da
saúde, Radiologia, organizações de saúde.
Titulo de Especialista de Reconhecido mérito em Radiologia/Imagilogia
Colaborador no CESNOVA - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade
Nova de Lisboa (2011-...)
Carlos Alberto da Silva - Director do Departamento de Sociologia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora (2011-...). Director do Programa de Doutoramento em Sociologia da Universidade de Évora (2011-...). Investigador integrado no CESNOVA - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (2011-...). Doutorado em Sociologia. Agregação em Sociologia. Mestrado em Sociologia. Licenciatura em Investigação Social Aplicada. Bacharel em Radiologia. Autor de vários trabalhos científicos e relatórios técnicos co-finaciados por programas nacionais e europeus nas áreas do diagnóstico e avaliação de projectos sociais, planificação estratégica e desenvolvimento regional. Principais áreas de interesses deinvestigação: a) Análise de redes sociais como ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervenção social; b) Redes e cooperação territorial e transfronteiriça; c) Análise prospectiva; d) Avaliação da qualidade e satisfação de utentes e profissionais nas unidades de saúde; Avaliação em tecnologias da saúde.