PAP0976 - Redes sociais e Envelhecimento
As redes sociais são as relações de afinidade que estabelecemos com os outros. Tais redes contribuem decisivamente para o bem-estar dos idosos, na medida em que exercem um papel relevante na actividade social dos mesmos. Explorando os aspectos positivos das redes, afirma-se que as suas funções de sociabilidade e de apoio recíproco/unilateral não só ajudam a combater o isolamento social dos idosos, como também contribuem para a promoção de um envelhecimento activo e saudável por via da intensificação da vida social. Como corolário, levanta-se a hipótese de as redes sociais exercerem um impacto diferenciador nos processos de envelhecimento; estando tal sustentação alicerçada num inquérito de 2011 sobre os Processos de Envelhecimento em Portugal: Usos do Tempo, Redes Sociais e Condições de Vida.
Nesta comunicação propõe-se, assim, explorar os resultados dessa investigação com especial destaque para dois planos de análise, a saber:
(a) Um primeiro que explora o impacto das redes sociais nas actividades e nos usos do tempo durante o envelhecimento, atendendo particularmente aos processos de transição na passagem para a reforma, para a viuvez e, ainda, para as situações dependência por motivos de saúde. Questiona-se também possibilidade de o afrouxamento dos laços sociais e a falta de suportes relacionais (resultante de redes precárias) estarem associados à baixa intensidade da vida social, conduzindo a um isolamento com efeitos negativos no estado de saúde física e mental dos indivíduos.
(b) Um segundo plano que identifica as condições mais favoráveis ao desenvolvimento de redes sociais. De que dependem as redes sociais? Como se originam? Que condições as facilitam? Responder a estas questões implica reconhecer que as mudanças verificadas nas redes sociais ao longo da idade são configuradas por múltiplos factores, entre os quais: as condicionantes estruturais (género e classe social), devido ao seu efeito diferenciador na diversificação, extensão e intensidade das redes sociais; e os factores individuais (por exemplo, o estado de saúde). Admite-se ainda que participação associativa/cívica e a promoção de actividades e de espaços de sociabilidade destinados à terceira idade constituem outros factores potencialmente impulsionadores das redes sociais. E, dado que a função destas se encontra intimamente ligada às actividades que as suportam, importa evidenciar não só a natureza, a frequência e a envolvência institucional dessas actividades, como também as motivações individuais (busca de sociabilidade, apoio recíproco, influência, altruísmo) de quem as exercem.
Em suma, procura-se mostrar como as redes sociais contribuem para colocar a terceira idade no espaço público, constituindo assim um instrumento importante tanto para a afirmação de um envelhecimento activo e saudável, como para a sua participação na sociedade.