PAP0312 - Azkenazi Jews in Lisbon: recongregation of a community
The askenazim are Jews from Eastern Europe. They arrived in Lisbon not without unexpected reversal of circumstances in their homelands and settled, almost one hundred years ago, with several difficulties and setbacks in the Portuguese society. Their rituals, their language, their traditions and their professions were fairly different from the ones found not only among the Portuguese population in general but also from the Sephardim Jews, already settled here. Despite the fact that there was a Jewish community (Kehila) in Lisbon, since late 17th century, these Jews have arranged to found their own place for worship and religious services and established themselves in a different part of the city that came to be coined as the “Jewish neighbourhood”. This new community has almost faltered or integrated, after WWII, until recently, when “other” Jews not belonging to the Jewish Community of Lisbon (CIL) wished to gather in an alternative synagogue in the same town. That makes the expression: where there are two Jews, there are three opinions, a true mote in Portuguese soil. So this paper intends to focus on the changes occurred among the community now called Kehila Beit Israel, a Conservative Jewish congregation that has revivified the old Ohel Yaacov Synagogue and intends to remain apart from the CIL in the years to come. The study relied on qualitative research methods, including participant observation and qualitative interviews to a sample selected through the snow-ball technique. The main conclusion of the research is that even in contexts were anti-semitism is not a strong threat to the survival of Jewish identity, as is the case studied Jews tend to develop their own strategies in order to achieve self determination and congregate according to their own specificities, namely, their national, social and religious backgrounds. Traditionally, ten emancipated men, that is, ten individuals who have gone through a Bar/Bat Mitzvah – the adulthood passage ritual, may lead a religious service and start a new community. Jewish identity is, thus continuously being constructed and reshaped according to social environment.
- PIGNATELLI, Marina

Marina Pignatelli is a PhD in Social Sciences, Cultural Anthropology, M.A. in Anthropological Sciences and Assistant Professor at the Social and Political Sciences Institute – Technical University of Lisbon. Having completed two post-graduations (Ethnology of Religions and Sephardic Studies), as well as several open courses in Religion and Conflict Resolution, she has been researching the Portuguese Jewish reality, since 1991, and more recently, developing studies also on intercultural andethnic conflicts.
PIGNATELLI, Marina
Doutora em Ciências Sociais, na especialidade de Antropologia Cultural
Universidade Técnica de Lisboa – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas
mpignatelli@iscsp.utl.pt
PAP0712 - Dinâmicas sociais da metropolização: uma abordagem longitudinal das trajectórias residenciais da população da AML
O estudo das trajectórias residenciais situa-se
na confluência de duas questões distintas: a
das dinâmicas sociais de (re)composição dos
territórios e aquela outra das biografias
residenciais individuais que, nesta pesquisa,
se desenvolve a partir da abordagem do curso de
vida. Nesta comunicação, analisa-se as
trajectórias residenciais da população da Área
Metropolitana de Lisboa num aprofundamento do
conhecimento das lógicas de desenvolvimento
deste território nos últimos 60 anos,
justamente o período coincidente com o arranque
e expansão do respectivo processo de
metropolização. Esta análise desenvolve-se a
partir de uma metodologia longitudinal que,
distintamente dos procedimentos metodológicos
dominantes centrados em análises transversais,
põe a tónica na diacronia e na reconstituição
dos percursos de vida dos indivíduos ao longo
do tempo, os quais no caso da habitação têm
três componentes fundamentais: 1. a localização
que reenvia para o sentido geográfico dos
percursos; 2. o modelo habitacional que remete
mais directamente para a questão da morfologia
dos espaços; 3. o regime de ocupação que ganha
no actual contexto de crise, marcado pelas
crescentes dificuldades de acesso ao crédito de
onde resulta o recuo da propriedade, um
interesse redobrado. Serão apresentados os
resultados de um inquérito (N=1500) à população
residente na AML nascida entre 1945-1975 e cuja
aplicação decorreu em 2011. Focar-nos-emos,
apenas, na exploração da primeira componente
supra-referida de modo a identificar as
trajectórias dominantes (ex: Norte Portugal –
AML Norte; Sul Portugal – AML Sul; LX-LX,
etc.). Segue-se uma discussão acerca dos
diversos perfis sociológicos dos protagonistas
das trajectórias dominantes, percebendo as
múltiplas constelações de variáveis - classe
social (ISPC) e respectiva trajectória, idade,
tipo de família, estado civil e género - que
os caracterizam e diferenciam mutuamente.
- PEREIRA, Sandra Marques

- FERREIRA, Ana Cristina

- RAMOS, Vasco

- COTO, Marta
Sandra Marques Pereira,
Doutorada Em Sociologia
Investigadora Pós-Doc do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), DINÂMIA’CET
Áreas de Interesse: habitação, cidades, arquitectura
Ana Cristina Ferreira, nascida em Lisboa em 1962, licenciada em Sociologia, pelo ISCTE, 1984 e Doutoramento em Sociologia, especialidade em Sociologia da Família e da Vida Quotidiana (Família e Habitat (ISCTE 2002)). Sou actualmente professora Auxiliar do ISCTE, na área dos Métodos Quantitativos para Ciências Sociais, Departamento de Métodos de Pesquisa Social e Investigadora do DINAMIA/CET (ISCTE).
Os meus principais interesses relacionam-se com os domínios da sociologia do Território (modos de vida e apropriação do alojamento e território) e com a Demografia (nomeadamente a integração dos imigrantes em Portugal).
Vasco Ramos
Doutorando FCT no ICS-UL.
Mestre em Sociologia pelo ISCTE-IUL
Interesses: Classes e Estratificação Social; Família e Género; Populações, Gerações e Ciclos de Vida.
PAP1510 - Kuduro, estilos de vida e processos de identificação em Lisboa
O kuduro é um estilo de dança e música que surgiu em Luanda, nos anos noventa, e que chegou a Portugal logo em seguida.Um dos objetivos é compreender como, ao lado de outras formas de expressão cultural juvenis, em Lisboa, o kuduro, assim como o hip-hop, o rap e o reggae, passou a fazer parte integrante do consumo e da produção cultural dos jovens da periferia, principalmente dos jovens africanos e descendentes. Em meio à música e à dança como formas de entretenimento, um universo de tensões sociais, étnicas e geracionais se fazem presentes em tal contexto e fazem emergir interessantes processos de identificação social, demarcados pelo conteúdo e pelo modo particular como os jovens envolvidos com o kuduro se expressam e dinamizam a presença deste estilo de música e dança.A escola, a rua e a internet se tornaram os principais espaços de socialização do kuduro, principalmente na Região Metropolitana de Lisboa, fazendo emergir um estilo de vida que parece constituir laços de afinidade geracionais, além de afinidades sonoras, corporais, linguísticas e culturais, expressas na forma de fazer e ouvir música, de vestir, andar e dançar, de falar, assim como de reproduzir saberes, práticas e histórias familiares e de vida. Como são expressos e se constituem os processos de produção, circulação e consumo local do kuduro, quais suas características e quem são os atores sociais envolvidos, estas são algumas das questões que serão abordas na apresentação deste trabalho, que está baseado em dados obtidos a partir de pesquisas de observação direta realizada na Região Metropolitana de Lisboa nos últimos dois anos. tidos a partir de pesquisas de observação direta realizada na Região Metropolitana de Lisboa nos últimos dois anos. A análise de tais questões está implicada pelas novas dinâmicas dos fluxos contemporâneos transnacionais de pessoas, de produtos culturais e de informações, em contextos metropolitanos e pós-coloniais, no qual Portugal e as ex-colônias estão mutuamente envolvidos.
- MARCON, Frank Nilton

FRANK NILTON MARCON
Doutor em Antropologia. Professor de Antropologia do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe (BRASIL). Atua no mestrado e doutorado em Sociologia e no mestrado em Antropologia na mesma universidade. Coordenada o Grupo de Estudos Culturais, Identidades e Relações Interétnicas.
PAP0568 - Mobilidade geográfica e desigualdades sociais. Desafios para a formulação de políticas públicas na AML.
A produção de mobilidades geográficas tem sido abordada de uma forma multifacetada (Urry, 2000; Cresswell, 2006; Kaufmann, 2004; Montulet, 2005). A mobilidade refere-se tradicionalmente a deslocações geográficas, a movimentos de uma origem a um destino através de uma trajectória que pode ser descrita em termos de espaço e de tempo (Kaufmann e outros, 2004: 746). Condição mutável, é resultado de tendências de classe, acesso às infra-estruturas e da definição social das obrigações familiares, conjugando aspectos sociopolíticos e estratégias diárias dos indivíduos ou das famílias (Camarero e Oliva, 2008:345).
Reflecte então dinâmicas de desigualdade – colocadas em termos de diferentes condições de acessibilidade aos lugares e de mobilidade das pessoas – que configuram situações de inclusão/ exclusão. Estas dinâmicas de desigualdade são simultaneamente produto e matéria do planeamento de base territorial. A estrutura urbana fornece possibilidades e constrangimentos para a mobilidade dos indivíduos e das famílias constituindo um factor determinante na maior ou menor acessibilidade aos lugares (de trabalho, residência, lazer, família, etc.). No entanto, os indivíduos transformam e apropriam-se destes espaços e possibilidades de mobilidade contribuindo para a produção social do espaço (Lefebvre, 1974). Entre a acção sobre a estrutura urbana e a promoção de boas práticas de mobilidade pela população, evocar-se-á o papel das políticas públicas na redução das desigualdades sociais e procura de maior justiça social/espacial (Harvey, 1973; Lefevbre, 1974; Asher, 2010; Soja, 2010).
Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), são estreitas as relações entre o desenvolvimento dos sistemas de transportes, as alterações dos padrões de mobilidade e o desenvolvimento das configurações urbanas (Salgueiro, 2001; Ferrão e outros, 2002; Marques da Costa, 2007). De 1991 para 2001 o fluxo de veículos a entrar em Lisboa aumentou 60% (CML, 2005), colocando não só os mais conhecidos desafios ambientais, de congestão e disfuncionalidade da rede viária mas também questões de diferenciação social que poderão acentuar-se numa cidade cuja mobilidade parece cada vez mais dependente do transporte individual. Um análise preliminar dos dados do recenseamento de 2011 e das politicas urbanas e de transportes de Lisboa, ajudar-nos–ão a compreender como aqui se aborda a relação entre a mobilidade geográfica quotidiana, o planeamento em transportes públicos e dinâmicas de redução ou reprodução de desigualdades sociais.
- SANTOS, Sofia

Sofia Santos. Bolseira de doutoramento (sociologia) no CIES-IUL. Licenciada e mestre em Geografia Humana e Planeamento. Interesses de investigação: mobilidade geográfica, desigualdades socio-espaciais, identidades territoriais, políticas públicas, desenvolvimento local.
PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade
Nos últimos 15 anos o tema das Agriculturas Urbanas (AU’s) adquiriu grande relevância, bem como reconhecimento social e político pelas suas potencialidades socioeconómicas e ambientais, para diferentes actores: governos locais, regionais e nacionais; agências de cooperação internacional; movimentos sociais; organizações do chamado terceiro sector e centros de investigação científica.
Apesar de ser uma prática milenar, o recente contexto sociopolítico formado em torno da problemática das AU’s, tem provocado a necessidade de se revisitar diferentes tradições do pensamento sociológico e da história social sobre a cidade e os fenómenos urbanos. Alguns destes fenómenos actuais se sobrepõem às dimensões de agriculturas urbanas pós 1970 em diferentes contextos dos hemisférios norte e sul, lançando o desafio para uma construção conceitual holística e para o aprimoramento de quadros analíticos que rompam com uma abordagem simplista e dicotómica.
O contexto português, considerado periférico em relação aos demais países da União Europeia e semi-periférico no quadro do sistema mundial, torna-se metodologicamente (e epistemologicamente) estratégico para se discutir as práticas vividas no território que estão fora das “best practice”. As experiências portuguesas sugerem diferentes discussões contemporâneas a partir da escala urbana, circunscritas no território da Cidade, ao exemplo do Direito à Cidade e suas premissas, a questão da soberania alimentar e a incorporação de políticas de agriculturas urbanas no discurso das cidades sustentáveis (PNUD – Programa Habitat II).
Considerando este contexto propomos uma analise critica sobre a distribuição socio-espacial das políticas públicas de hortas urbanas criadas e surgidas nos últimos anos, em particular na Grande Lisboa, onde a ocupação do espaço urbano pela sociedade e o cultivo de hortas são transversais à sua história, numa trajectória que compreende urbanização e práticas de agricultura.
A análise desses dois espaços – o das hortas institucionalizadas e o das hortas não planeadas – sugere outros elementos para possíveis compreensões da sociedade urbana contemporânea. Para além do paradigma da cidade (i)legal, esta análise aponta para os elementos que reflectem as vivências formadas no território e que despertam valores associados aos espaços de produção, ao direito à moradia e ao conjunto de elementos situados ao seu entorno e à própria cidade.
Palavras-chave: agriculturas urbanas, Área Metropolitana de Lisboa, políticas públicas, espaço urbano não planeado e sociedade.
- LUIZ, Juliana
- VERONEZ, Leonardo
PAP0108 - Percepções face à discriminação por parte dos Imigrantes na Área Metropolitana de Lisboa: elementos de comparação entre dois concelhos
Em Portugal, os estudos sobre a discriminação face aos imigrantes concentram-se quase que exclusivamente, ora sobre a população autóctone, ora sobre a população estrangeira. Os primeiros têm privilegiado o uso de metodologias quantitativas/extensivas, enquanto os segundos revelam uma preferência bem clara por metodologias qualitativas/intensivas, focalizando-se em segmentos específicos da população (jovens ou imigrantes de uma dada nacionalidade). Assim, há poucos estudos longitudinais, assim como aqueles em que a população imigrante é extensamente estudada, abrangendo imigrantes de diversas origens nacionais.
É nosso objectivo discutir e comparar alguns dos resultados derivados de uma pesquisa de pendor dominantemente quantitativo em que se utilizou a técnica do inquérito por questionário a imigrantes residentes em dois municípios da Área Metropolitana de Lisboa com histórias locais de imigração bem distintas: Oeiras e Sesimbra, tendo-se inquirido 840 imigrantes (422 em Oeiras e 418 em Sesimbra).
Tendo como enfoque de análise a discriminação percepcionada/percebida definida como “a group member’s subjective perception of unfair treatment of ethnic groups or members of such groups, based on racial prejudice and ethnocentrism.” (Neto: 2006, 90) questionou-se os imigrantes se alguma vez se tinham sido discriminados por motivos étnico-raciais, tendo-se constatado que mais de 40% dos imigrantes já tinham sido discriminados pelo menos uma vez, desde que se fixaram em Portugal.
Com esta comunicação pretende-se discutir de forma comparada os principais preditores relacionados com a discriminação percepcionada/percebida (i) sócio-demográficos, (ii) contacto com a população autóctone e (iii) aculturação/proximidade cultural pelos imigrantes residentes nos 2 concelhos.
- MENDES, Maria Manuela

- CANDEIAS, Pedro

Maria Manuela Mendes
Maria Manuela Mendes é licenciada e mestre em sociologia (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e doutora em ciências sociais (Instituto de Ciências sociais da Universidade de Lisboa). É docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (FA-UTL) e investigadora no CIES, ISCTE – IUL desde 2008 nas áreas da etnicidade, imigração, exclusão social, desenvolvimento local, realojamento e territórios desqualificados. Publicou em 2005 o livro Nós, os Ciganos e os Outros: etnicidade e exclusão social.
Mais recentemente em 2012 e 2010, respectivamente, publicou as obras: Identidades, Racismo e Discriminação: Ciganos da Área Metropolitana de Lisboa, Caleidoscópio, Lisboa e Imigração, identidades e discriminação: imigrantes russos e ucranianos na área Metropolitana de Lisboa, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais.
Interesses de investigação: migrações, etnicidade, cidade e diversidade cultural, exclusão sócio-espacial.
Pedro Candeias. Licenciado em Sociologia no ISCTE em 2008, mestrando em Sociologia na mesma instituição. Assistente de investigação no CIES-IUL (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia - Instituto Universitário de Lisboa) desde 2009. Principais áreas de investigação: migrações, tolerância social e reinserção social.
PAP0281 - Perspectivas de famílias de comerciantes Hindus em tempo de crise
A investigação sobre populações imigrantes,
sobretudo as pesquisas dedicadas aos processos
de integração dos imigrantes provindos dos
países não ocidentais, vinha sendo, em parte,
estabelecida sob o paradigma de uma sociedade
ocidental em permanente desenvolvimento
económico. As actuais transformações profundas
no sistema económico que afectam sobretudo a
Europa implicam mudanças nas concepções sobre o
país de residência de muitas famílias
imigrantes, perturbando as suas perspectivas de
curto, médio e longo prazo relativamente não só
aos estilos de vida como a opções fundamentais
no âmbito das mobilidades transnacionais.
As trajectórias profissionais dos imigrantes de
origem indiana em Portugal implicavam na
maioria dos casos até muito recentemente uma
mobilidade social ascendente. Os Hindus
residentes na Área Metropolitana de Lisboa são
globalmente perspectivados como comerciantes
frutuosos e não escaparam a esta asserção.
Imigradas duas e três vezes ao longo da vida,
com perspectivas de melhorar economicamente as
suas situações nos países de destino, estas
famílias vêem-se actualmente na situação de
olhar o seu país de origem não apenas com o
carácter sagrado com que sempre olharam, mas
também de destino potencial.
A Índia, enquanto país em franco
desenvolvimento económico, vem provocando
reflexos profundos nas comunidades em diáspora.
Sinais empíricos apontam para que estas, sob a
pressão de uma economia em recessão,
reconfigurem a sua transnacionalidade,
colocando mais peso no país de origem do que no
país de destino. Além da Índia, no caso
concreto dos Hindus em Lisboa, também o país
donde emigraram imediatamente antes de vir para
Portugal, Moçambique, é agora olhado como
potencial destino, depois de décadas em que
este país não tinha peso simbólico no conjunto
dos pólos da diáspora hindu-portuguesa.
Além de debater estas questões, nesta
comunicação procurarei apresentar, através de
relatos de comerciantes, actuais visões desta
população sobre o futuro profissional e
pessoal, nomeadamente, expondo perspectivas
profissionais que equacionam o desejo de voltar
a emigrar e, por outro lado, numa óptica de
actualização de dados sócio-culturais, dar
conta da variabilidade de percursos
profissionais dos Hindus em Lisboa.
- CACHADO, Rita

Rita Ávila Cachado
Nota biográfica
Doutorada em Antropologia, com especialidade em Antropologia Urbana pelo ISCTE-IUL (2008). Realizou uma etnografia prolongada entre os hindus do bairro Quinta da Vitória (Concelho de Loures, AML), onde analisou o processo de realojamento no âmbito do Programa Especial de Realojamento (PER) que ali teve lugar, e as influências do passado colonial na actualidade da vida das famílias hindus. É investigadora do CIES-IUL e tem bolsa de pós-doutoramento FCT. Entre os interesses actuais de investigação destaca-se, do lado das metodologias, o método biográfico e o diário de campo; nas temáticas, os percursos sócio-profissionais e as políticas sociais e, do lado das abordagens teóricas, as economias formal e informal entre os hindus da AML.
PAP1186 - Um olhar sobre os aspectos culturais dos processos participativos: quais mudanças a partir dos funcionários
Desde o final dos anos ’80 algumas mudanças estruturais convergiram a nível global, como as reformas nas políticas públicas e sociais orientadas pelo neoliberalismo, a queda do muro de Berlim com consequente descrédito de certo socialismo burocrático, os movimentos de democratização na América Latina, o redimensionamento da retórica do new management no vocabulário das administrações públicas e a percepção da contracção dos espaços de participação cidadã que propiciaram um terreno fértil no contexto europeu para retomar um debate crítico sobre as implicações emergentes das democracias e, no entanto, dar início a algumas experiências de participação cidadã. A crescente distância entre o eleitor e a figura do cidadão politicamente activo, patente nos fenómenos de abstenção eleitoral e voto de protesto, simultaneamente às crescentes mobilizações colectivas, bem como a criação contínua e múltipla de identidades e demandas sociais, favoriram a estruturação de tais experiências que visavam sintetizar a opinião pública e optimizar os recursos em projectos políticos distintos.
Mais próxima aos cidadãos, a dimensão local tem-se tornado um interessante laboratório democrático para as inovações concernentes aos processos de policy making que indicam novos conteúdos para as agendas políticas internas e externas para os Países. Perante esta situação e com referencia ao contexto portugues, propõe-se uma reflexão fundamentada sobre funções e possibilidades dos processos participativos e das “culturas” que os sustentam. Refere-se ao conceito de cultura enquanto conjuntos de percepções colectivas construídas ao longo do contacto com os processos participativos, a partir de determinados contextos sócio-históricos.
Reconhecer onde, como e quando se constroem culturas da participação que impactam os processos e que são por estas afectados em termos de princípios e mecanismos, significa individuar novas chaves de leitura para aprofundar o estudo dos percursos realizados e interrogar os cenários futuros no que tange às experiências de participação cidadã.
Pretende-se no especifico analisar o âmbito dos funcionarios administrativos e tecnicos envolvidos na implementação de processos participativos institucionais, a nivel local. Reconhece-se a este resepeito a importancia crucial destes de sujeitos, geralmente pouco considerados na Literatura sobre participação, em termos de transormações a decorrer no seu tradicional mandato institucional. Particolarmente expostos às mudanças que os processos participativos necessariamente levam em introduzirem novos sujeitos na elaboração de politicas publicas, tal como no planeamento de intervenções territoriais, eles são chamados a reformular
seu papel quer na dimensão de back office quer na de front office. A partir deste destaque e das dinamicas
diferentes implicadas na dimensão organizacional desses sujeitos, propõe-se uma reflexão ampla sobre os aspectos culturais de tais mudanças, com base em algumas experiencias de investigação em curso em Portugal.
- FALANGA, Roberto

- LUIZ, Juliana
Roberto Falanga nasceu em Roma no dia 1 de Julho 1983. A sua formação acadêmica é na área da psicologia com mestrado em Psicologia dinâmica e clinica para pessoas, organizações e comunidade, concluído no Ano Acadêmico 2007/2008 com uma Tese experimental orientada em parceria com o Departamento de Arquitectura e Urbanística da Universidade “Sapienza” acerca de novas praticas de planeamento participativo. Assistente durante três anos nos cursos universitários “Laboratório de Estadística para a Analise do texto” e “Sistemas de organização”, tem colaborado em vários Projectos Europeus (“Telling Europe”- Grundtvig; “Il gruppo classe come risorsa”- Comenius II; Equal-Pist). No Doutoramento em “Democracia no Século XXI” (edição 2009) do Centro de Estudos Sociais da UC tem vindo investigar de que forma os processos de participação mobilizam novas dinâmicas nas Instituições Locais no nível burocrático e de relações psicossociais, tendo como caso de estudo a Câmara de Lisboa.