PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México
A Cidade de Juárez, no México, é a cidade mais industrializada de toda a América do Norte e onde se concentra o maior número de empresas estrangeiras. Considerada por muitos a cidade mais perigosa do mundo é, também, aquela onde ocorrem mais mortes de mulheres por razões misóginas (femicídio), muitas das quais eram trabalhadoras das indústrias maquiladoras ali existentes. As empresas estrangeiras, sobretudo as norte-americanas, dos EU, terão contribuído positivamente para o crescimento económico e demográfico do México e daquela zona, mas, por outro lado, parece haver uma relação entre o aumento da criminalidade por razões misóginas e o trabalho das mulheres nas maquiladoras, que pode resultar do confronto de culturas e hábitos locais, enraizados na população mexicana, com os que são transportados do exterior com as empresas. As empresas estrangeiras, ao instalarem-se em países menos desenvolvidos do que o da origem, raramente levam em conta os impactos sociais e culturais que daí podem resultar, nomeadamente, quando estão em causa questões de género, que afetam principalmente as mulheres. Neste paper, partindo do exemplo de Juárez, chamamos à atenção para a crescente cosmopolitização das empresas e tendência para a exploração à escala global do trabalho feminino dos países menos desenvolvidos e do Terceiro Mundo e da necessidade de responsabilizar essas empresas e exigir que adotem medidas de Responsabilidade Social Empresarial de Género (RSEG), que possam evitar uma nova vaga mundial de desigualdades e, nomeadamente, impedir o aumento (global) da violência de género contra as mulheres dos países menos desenvolvidos e do Terceiro Mundo.
- FERREIRA, José Eduardo Catalão Garrido

José Catalão Ferreira, doutorando do programa de doutoramento em "Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI" da Faculdade de Direito, Faculdade de economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, licenciado em Sociologia pela Faculdade de economia da Universidade de Coimbra, pós-graduado em Sociologia, em Economia Social e em Direito. Os temas de interesse são a economia social, a inclusão e exclusão social, as diferenças de género e tudo o que esteja relacionado com as organizações, o trabalho e emprego. Fez a dissertação de mestrado sobre o tema do empreendedorismo e as medidas de apoio à criação do próprio emprego e está em investigação para a tese de doutoramento com o título "Trabalho Procura Direito(s): da (des)coletivização à individualização do(s) direito(s) associados ao trabalho e emprego
PAP0081 - A condição masculina na vivência com o transtorno mental
Desde a década de 1960, quando cresceu a
produção científica sobre gênero, a maioria dos
estudos na área era sobre as mulheres. Certos
autores consideram que uma das falhas mais
frequentes nesta literatura é a insuficiência
de estudos mais sistematizados sobre a condição
masculina.
Na saúde mental, a questão de gênero ainda é
abordada restritamente, já que muitos dos
estudos dedicam-se apenas à saúde mental da
mulher. Mas certos trabalhos consideram as
diferenças sexuais como fatores relacionados ao
início, prevalência e evolução de alguns
transtornos mentais.
Este trabalho tem como tema a questão de gênero
presente no quotidiano da saúde mental a partir
da experiência de homens portadores de
transtorno mental. Considera-se que
determinantes sociais podem estar associados ao
surgimento de um transtorno mental e aos
impactos do sofrimento psíquico causado por
aquele.
A pergunta de partida do estudo é “O que é ser
homem com transtorno mental?”. A partir do que
Goffman (1996: 112) diz sobre “carreira moral
do doente mental”, pretende-se analisar de que
maneira o homem, em tal “carreira”, vê a si
mesmo e como esta provoca mudanças no “eu da
pessoa e em seu esquema de imagens para julgar
a si mesma e aos outros”? Pretende-se analisar,
com base numa perspectiva sociológica de
gênero, a identidade de homens portadores de
transtorno mental através da vivência de
usuários internados em instituição
psiquiátrica. Pretende-se especificamente:
identificar/analisar as representações dos
homens portadores de transtorno mental sobre as
“causas” de seu transtorno;
identificar/analisar, através da representação
dos homens, os impactos do transtorno nas
esferas da família, das amizades e do trabalho.
O campo empírico é a ala psiquiátrica do
hospital São Marcos, em Braga-Portugal.
Pode se verificar, até o momento, que há uma
relação entre a construção da identidade de
gênero e a eclosão e continuidade do transtorno
destes homens; e que há uma forma predominante
- baseada na masculinidade hegemônica de
Connell(1997) - de vivência para estes homens.
- ALVES, Tahiana Meneses

Tahiana Meneses Alves. Mestranda em Sociologia pela Universidade do Minho. Bacharel em Serviço pela Universidade Federal do Piauí. Mestranda em Políticas Públicas (actualmente interrompido) também pela Universidade do Piauí. Tem interesses principalmente nas seguintes temáticas de investigação: serviço social, políticas públicas, saúde mental, sociologia da saúde, identidades, masculinidades, mulheres e relações de gênero.
PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas
A corporalidade e a motricidade sofrem influências ao ponto de tornar susceptível que um sexo se torne mais hábil do que o outro em termos motores, uma vez que o movimento é influenciado por estereótipos de género (Mello e Romero, 2003). No contexto escolar, parece existir uma constante vigilância de habilidades, de comportamentos, de desempenhos que, entre outros aspectos, é regida pelas questões de género. Os estudos de análise da observação de comportamentos de género em crianças são escassos. A presente investigação teve como objectivo conhecer as percepções de género de 28 crianças (16 meninas e 12 meninos) com idades entre os 9 e os 10 anos que frequentavam o 4º ano de uma Escola Básica do 1º Ciclo localizada na cidade do Porto. A pesquisa desenvolveu-se numa perspectiva etnográfica, com abordagem qualitativa, através da observação de comportamentos das crianças e dos professores no contexto de aulas de enriquecimento curricular de Actividades Físicas e Desportivas. Este trabalho permitiu um contacto prévio com o objecto de estudo a que se seguiu a aplicação de focus groups com as crianças e entrevistas semi-estruturadas a dois professores de Educação Física. Os dados obtidos foram tratados pela técnica de análise de conteúdo, depois de processados pelo programa QSRNVivo7. Os principais resultados sugerem que: (i) o modo como se constituem os grupos influencia os comportamentos e desempenhos de meninos e meninas nas actividades desportivas; foram os meninos que mais expressaram reacções de subvalorização relativamente ao desempenho feminino; (ii) entre os meninos, a pressão para os pares serem do mesmo sexo é bastante evidente, relevando-se situações em que o fraco desempenho masculino é alvo de desprezo e equiparação ao desempenho feminino; (iii) nas actividades de grupo e naquelas que implicam maior competitividade, as meninas têm notoriamente menos oportunidades de participarem; (iv) a intervenção do professor reforça a separação entre alunos e alunas ao conceder o poder de escolherem os elementos que compõem as equipas nas várias actividades, sendo notória a tendência para a exclusão das meninas.
Em suma, ao longo deste trabalho tornou-se notório o quanto as crianças identificam e reproduzem comportamentos de género, patente no modo como interagem e atuam nas aulas de AFD. A superioridade dos rapazes no desempenho de actividades desportivas é aceite por todos/as como natural e esperada e a participação das meninas é dificultada e subvalorizada. Todos estes factores conjugam-se para uma normalização dos aspectos culturais na aprendizagem da identidade de género. Mas a escola, como as demais instâncias sociais, culturais e políticas (ex: a família, os meios de comunicação), pelas quais circulamos pode auxiliar, de forma ampla, na reconfiguração das desigualdades de género.
Este estudo foi financiado no âmbito do projecto FCT/FCOMP -01-0124-FEDER-009573/PTDC/DES/099018/2008.
- NOVAIS, Carina

- SILVA, Paula

- CARRAPATOSO, Susana
- QUEIRÓS, Paula
- SANTOS, Maria Paula
Carina Novais, mestre em sociologia pela Faculdade de Letras desenvolve o seu percurso profissional em investigação científica tendo desenvolvido trabalhos diversos resultantes da pesquisa sobre o género e o desporto na área da infância e adolescência e também no âmbito do envelhecimento ativo participando nos projetos "Iniquidades sociais, ambientais e de género na prática de actividade física e desportiva de adolescentes" e atualmente no projecto "Actividade física objectivamente avaliada e obesidade em adolescentes: Estudo dos determinantes pessoais, sociais e ambientais" no Centro de Investigação em Atividade Física e Lazer da Faculdade do Desporto da Universidade do Porto. Tem também contributos enquanto investigadora na organização "Movimento Democrático de Mulheres" participando num projeto "Uma vida de Trabalhos? Trajetórias Profissionais de Mulheres e Participação cívica" onde desenvolveu o seu projeto de mestrado em torno da temática,"género, família e trabalho" e com a publicação "Percursos de Mulheres: Trabalho e Participação Política de Mulheres na área Metropolitana do Porto".
Paula Silva nasceu no Porto, Portugal, e é doutorada em Ciências do Desporto pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto onde exerce funções de docência e de investigação no CIAFEL. Desenvolve estudos e projetos de investigação no domínio dos Estudos de Género e Desporto. É autora de vários livros e artigos nacionais e internacionais. Foi distinguida com o Prémio Investigação “Carolina Michaelis de Vasconcelos”, (ex-aequo) em 2007. Vice-presidente da Associação Portuguesa Mulheres e Desporto.
PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais
Pretende-se na presente comunicação dar conta de parte dos resultados obtidos com o projecto “Transexualidade e transgénero: identidades e expressões de género”, desenvolvido no CIES-IUL, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que constitui uma das primeiras abordagens da temática no âmbito das ciências sociais em Portugal. Do vasto leque de expressões de género que o termo aglutinador “transgénero” inclui, nesta comunicação centrar-nos-emos apenas nas pessoas transexuais, ou seja, aquelas que permanentemente se sentem e se expressam no género “oposto” ao sexo que lhes foi atribuído à nascença. A informação que sustenta esta comunicação provém sobretudo de 25 entrevistas biográficas realizadas a pessoas transexuais, complementada por um conjunto de informação conseguida pela abordagem etnográfica desenvolvida ao longo da investigação. A transexualidade revela-se um terreno fértil para as discussões em torno da feminilidade e da masculinidade, do que é ser homem e do que é ser mulher íntima e socialmente. No decurso das entrevistas biográficas e das incursões etnográficas realizadas sobressaiu uma diferença acentuada entre homens e mulheres transexuais, a nível das identidades de género e dos percursos sociais, revelando-se pois o sexo/género para a população transexual, tal como acontece para a população cissexual (ou seja, aquela em que não existe descoincidência entre sexo atribuído à nascença e género experienciado), como uma das principais variáveis produtoras de diferença. Só que neste caso a complexidade analítica é acrescida, uma vez que obriga a jogar com uma dupla referência: o sexo/género atribuído e o sentido e expressado. Um elemento chave a mobilizar para análise é o capital corporal, que, condicionando ou possibilitando a invisibilidade social das pessoas transexuais, actua diferentemente sobre homens e mulheres e contribui (ou não) para a credibilidade social de género. Um outro foco de análise é a relação que é socialmente estabelecida entre “a masculinidade e os homens” e “a feminilidade e as mulheres” e a medida da sua exclusividade ou permeabilidade. Para a análise das identidades transexuais, há ainda que ter em conta estarmos perante identidades fortemente medicalizadas, existindo uma “narrativa clássica da transexualidade” oriunda das ciências médicas, à qual se têm vindo a juntar mais recentemente, e com frequência em oposição, novas referências ou referências alternativas construídas a partir de movimentos vindos de “dentro”. Estas novas referências, materializadas em novas expressões de género, têm potencialidades para alterar as identidades e visibilidades de homens e mulheres transexuais.
- SALEIRO, Sandra Palma
PAP0155 - ANALISANDO A DIVERSIDADE NO TRABALHO DOCENTE: DIMENSÕES DE GÊNERO/CLASSE NO ENSINO SUPERIOR
Esta pesquisa analisa as relações de gênero, os fatores que impulsionam docentes mulheres e homens a seguir no exercício do trabalho na Universidade Federal de Sergipe (Brasil), as experiências vividas, as mensagens que obtêm no cotidiano, como possibilidade de se repensar a dimensão formativa, os desafios enfrentados no contexto do ensino superior. Antecipou-se a hipótese de que as relações de gênero no trabalho docente no contexto de uma universidade federal ensejam o tratamento das diferenças para a construção de um mundo igual, o que implica a ética da alteridade. Considerou-se que gênero é mais do que uma identidade aprendida imersa nas instituições sociais. Os sujeitos são subjetivados simultaneamente por uma multiplicidade de processos, em suas existências particulares. A opção metodológica recaiu sobre a pesquisa qualitativa de inspiração etnográfica, visando obter saberes de professores (não limitados a conteúdos que dependeriam de um conhecimento especializado) abrangendo uma diversidade de questões/problemas sobre o trabalho produtivo-reprodutivo. Pretendeu-se compreender a persistência de assimetrias entre os gêneros com reflexos na vida familiar e profissional, entre outros domínios. Consultaram-se diferentes fontes de informação, priorizando-se a entrevista semi-estruturada com 16 professores (10 mulheres e seis homens) de várias áreas do conhecimento nos três campi. O grupo docente universitário é mais elitizado, personifica muitos avanços recentemente alcançados nas relações de gênero mais igualitárias, mas também expressa conflitos e contradições intrínsecas a qualquer processo de mudança social. As trajetórias de formação e trabalho das/os docentes mostram-se diversificadas no início de suas carreiras. As concepções mais igualitárias, no espaço das relações de gênero no ensino superior estariam diretamente relacionadas, na ação feminina, à ampliação do universo de escolhas e ao maior investimento na própria qualificação e na vida profissional.
- CRUZ, Maria Helena Santana
PAP1261 - As diferenças de género no consumo de automóveis premium em Portugal: uma perspectiva sociológica
O automóvel privado desempenha um papel de
relevo nas sociedades ocidentais
contemporâneas e tem sido um indicador
clássico de status na sociologia do consumo e
no marketing.
Os trabalhos sobre consumo automóvel de
Sheller (2003) e Shove (1998) remetem-nos para
a importância do indivíduo e das suas
escolhas. Porém, os dados estatísticos em
Portugal sobre o consumo de automóveis do
segmento premium, mostram que a afirmação
individual não é um critério relevante. Além
disso, confirmam a existência de diferenças
significativas por géneros no que toca à
preferência de cada marca, parecendo reforçar
o que Mohammadian (2004) verificou quanto à
existência de diferenças nas motivações de
compra de automóveis por parte indivíduos do
género masculino e feminino.
Este trabalho tem por objecto o consumo de
automóveis do segmento premium em dois
períodos, 2003 e 2009, em Portugal. A escolha
deste segmento prende-se com a forte carga
simbólica e identitária de cada uma das marcas
que o compõem, conferindo ao automóvel um
estatuto que ultrapassa largamente o conceito
de meio de transporte.
Pretendemos identificar os factores
sociológicos que enformam as decisões de
consumo de automóveis premium em Portugal,
verificar se há critérios de escolha
distintivos entre o género masculino e
feminino e observar se estes registaram uma
evolução significativa no intervalo de 6 anos.
Com o intuito de caracterizar a realidade
sociológica da população em estudo, bem como
as vendas e a posse de automóveis, recorremos
à análise quantitativa de várias fontes, entre
outras o principal estudo realizado em
Portugal sobre o consumo automóvel. Foram
ainda aprofundadas as motivações de compra
através da aplicação de um inquérito a homens
e mulheres, proprietários de automóveis das
marcas seleccionadas.
Os resultados deste estudo revelam uma menor
proporção de mulheres proprietárias de
automóveis de marcas premium, tendo-se
registado, inclusive, uma variação negativa
nesta proporção entre 2003 e 2009.
Nos critérios de escolha confirmam-se as
conclusões de estudos efectuados anteriormente
noutras geografias, sobre a maior
racionalidade das mulheres, traduzida na
valorização dos aspectos relacionados com a
fiabilidade, segurança e economia em
detrimento das variáveis hedonísticas e
estatutárias, próprias do género masculino
(Mohammadian, 2004; Mitchell & Walsh, 2004).
- RODRIGUES, Paulo

- CORREIA, Ana
Paulo Farias Rodrigues, Consultor e Partner da Visão Maior Consultores, Lda.
Consultor e Formador nas Áreas Comportamental, Gestão Estratégica, Comercial e de Marketing.
Licenciado em Marketing, Publicidade e Relações Públicas (ISLA-Lisboa) e Mestrando em Comunicação Social, na variante de Comunicação Estratégica (ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa).
Iniciou recentemente a sua carreira académica com as funções de docência na ESCS (Escola Superior de Comunicação Social – Lisboa), no ISEG (Universidade Técnica de Lisboa) e no ISLA (Instituto Superior de Línguas e Administração) em programas de Formação Avançada.
Possui cerca de 20 de anos de experiência de gestão em várias empresas multinacionais do sector farmacêutico, tendo desempenhado funções de responsabilidade crescente nos cargos de Director de Marketing, Director de Vendas e Director-Geral.
Tem artigos publicados na Revista “Marketing Farmacêutico”.
PAP0995 - Assimetrias de género no poder político local
A questão das desigualdades de género no mercado de trabalho tem sido sobejamente estudada o que não lhe retira, contudo, centralidade nas análises sobre as desigualdades nas sociedades actuais. E quando se fala sobre a escassa representação de mulheres em cargos de liderança política também está também a falar-se de um problema da limitação dos direitos de participação política, que, por sua vez, é um reflexo da qualidade da democracia.
Embora muito tenha sido feito em Portugal nas últimas três décadas e meia, ainda há um longo caminho a percorrer em direcção a uma verdadeira igualdade de oportunidades no que respeita ao acesso ao mercado de trabalho, incluindo as posições de topo das hierarquias.
A arena política, por ser um círculo altamente masculinizadas e com uma exposição pública potencialmente elevada, representa um observatório particularmente interessante para o estudo de assimetrias de género. A juntar-se às dificuldades de acesso inerentes a este campo específico, há que acrescentar os factores de discriminação que são comuns à maioria das áreas do mercado de trabalho, e que dizem respeito à disparidade salarial e problemas com a conciliação da vida profissional, privada e familiar, entre outros.
O objectivo deste trabalho é analisar os dados das eleições locais, correspondendo a parte de uma investigação com um âmbito um pouco mais alargado que está em curso. Nesta análise pretende-se observar a tendência da participação das mulheres neste campo particular da vida política, entre 1976 e 2009. Mais, a avaliação de tais tendências será particularmente útil na tentativa de compreender o impacto da aplicação da lei da paridade, aprovada em Portugal em 2006.
- DIAS, Ana Lúcia Teixeira

Ana LúciaTeixeiraDias
Doutorandaem Sociologia e Mestre emProspecção e Análise de Dados;Investigadora do ObservatórioNacional de Violência e Género e do CESNOVA (FCSH-UNL), onde temdesenvolvidoprojectos de investigaçãonasáreasdosestudos de género.
PAP0938 - Concepções e experiências de conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal: a perspetiva das pessoas que trabalham numa autarquia.
Concepções e experiências de conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal: a perspetiva das pessoas que trabalham numa autarquia.
Liliana Domingos e Rosa Monteiro
Nesta apresentação pretendemos expor algumas das principais conclusões de um estudo qualitativo sobre as conceções e experiências de conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar das pessoas que trabalham numa autarquia do centro-norte do país. O estudo foi desenvolvimento, no âmbito de uma dissertação de mestrado na Universidade Católica Portuguesa, fazendo também parte do estudo-diagnóstico da mesma autarquia no âmbito do seu Plano para a Igualdade, financiado pelo POPH (7.2). Foram realizadas 20 entrevistas semiestruturadas a uma amostra de funcionários e funcionárias da autarquia, que depois foram integralmente transcritas e analisado o seu conteúdo através do software NVivo8. A amostra intencional selecionou diferentes grupos de indivíduos segundo as variáveis: categoria profissional, habilitações escolares, idade e sexo.
A persistência de problemas de conciliação da vida profissional, pessoal e familiar é um dos sinais mais evidentes da persistência da desigualdade de género, apesar dos progressos ao nível da igualdade formal, consubstanciada em políticas públicas e legislação. No estudo, a análise da problemática da conciliação é uma análise genderizada, que coloca as relações sociais entre homens e mulheres no centro da reflexão. Isto porque se acredita no seu potencial heurístico quer para a compreensão da problemática na perspetiva dos sujeitos (a forma como conceções de género influenciam práticas, conceções e experiências de mulheres e de homens relativamente ao trabalho e à família), quer para a fundamentação de uma intervenção organizacional promotora da igualdade (objetivo do Plano para a igualdade em desenvolvimento na autarquia). Assim, são mobilizadas em termos analíticos as seguintes dimensões: Conceções sobre identidades, valores e papéis de género, estratégias mobilizadas para a conciliação, perceção do conflito trabalho-família, família-trabalho (fatores de conflito, perceções de perda), visões sobre as políticas públicas e práticas organizacionais, literacia de direitos e “sentido dos direitos”.
- DOMINGOS, Liliana

- MONTEIRO, Rosa

Liliana Domingos
Licenciada em Sociologia (UBI) e Mestre em Serviço Social na Universidade Católica Portuguesa. Os seus interesse de pesquisa centram-se nas questões da conciliação da vida profissional, familiar e pessoal e das (re)configurações das relações de género.
Rosa Monteiro
Socióloga. Professora no Instituto Superior Miguel Torga e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Doutorada em Sociologia, tem desenvolvido o seu trabalho em torno das questões da desigualdade de género ao nível do emprego, trabalho e organizações, bem como no estudo e avaliação das políticas públicas. Membro da equipa de avaliação dos Planos Nacionais para a Igualdade, e atualmente da “avaliação da integração da Igualdade de género nos fundos estruturais (QREN)” - IGFSE. Publicações mais recentes: “Metamorfoses das relações entre o Estado e os movimentos de mulheres em Portugal: entre a institucionalização e a autonomia”, Exaequo, 25 (2012); “A agenda da descriminalização do aborto em Portugal: Estado, movimentos de mulheres e partidos políticos”, Análise Social, no prelo; “A Política de Quotas em Portugal: O papel dos partidos políticos e do feminismo de Estado”, RCCS, 92 (2011).
PAP0999 - Desigualdades de género no mercado de trabalho português – a satisfação laboral enquanto possível indicador
A deslocação das questões de género para a esfera dos direitos públicos abriu todo um novo conjunto de possibilidades e também de debates, consubstanciados no estabelecimento das primeiras disciplinas de estudos sobre as mulheres. Esta fase foi marcada por uma série de alterações que concorreram não só para a emancipação das mulheres como também para o próprio questionamento das desigualdades de género baseado numa assimetria de poder. Transformações ao nível das relações familiares, ao nível educativo e tecnológico que permitiram a problematização das desigualdades em termos de papéis de género distintos e socialmente construídos e reproduzidos.
A esfera do trabalho é uma arena privilegiada para a análise das desigualdades de género. A relativamente recente entrada massificada das mulheres no mercado de trabalho, as condições em que a sua entrada se processou, as representações e valores associados ao feminino e as questões da conciliação da vida familiar com a profissional contribuíram para delinear os contornos da participação das mulheres no mercado de trabalho. Muitos trabalhos têm sido desenvolvidos nesta área tentando explicar a por vezes difícil relação das mulheres como o mercado de trabalho. Com a presente análise pretende-se explorar uma outra dimensão da problemática laboral: a satisfação no trabalho enquanto espelho de desigualdades de género reificadas nas práticas e nas percepções dos homens e das mulheres. A satisfação laboral, para além de ser um campo de análise autónomo, pode afigurar-se também como um terreno de pesquisa importante para compreender os mecanismos que subjazem aos diferenciais objectivos e para perceber até que ponto os papéis de género estão ou não enraizados nas estruturas mentais não só dos homens como também das mulheres.
- DIAS, Ana Lúcia Teixeira

Ana LúciaTeixeiraDias
Doutorandaem Sociologia e Mestre emProspecção e Análise de Dados;Investigadora do ObservatórioNacional de Violência e Género e do CESNOVA (FCSH-UNL), onde temdesenvolvidoprojectos de investigaçãonasáreasdosestudos de género.
PAP0287 - Direito da Família em Portugal: desafios ao princípio constitucional da igualdade
A consagração do princípio da igualdade na Constituição da República em 1976, após a revolução de 1974, teve impactos especialmente profundos no Direito da Família e na condição das mulheres em Portugal, com a consagração do princípio da igualdade entre homens e mulheres, entre marido e mulher e entre crianças nascidas dentro e fora do casamento. Contudo, e apesar de já terem passado quase quarenta anos desde a consagração do princípio da igualdade, a igualdade material contínua longe de ser uma realidade, o que é visível nas contribuições desiguais de homens e mulheres para a vida familiar, a assimetria nas horas de trabalho e nos salários ou na diferença de horas dispensadas por homens e mulheres com a família (Torres, 2008).
Nesta comunicação discutiremos, em primeiro lugar, os desafios e limitações do princípio da igualdade entre homens e mulheres, a partir da perspectiva crítica e feminista do direito. Em seguida, apresentaremos as rupturas e continuidades do Direito da Família em Portugal desde 1974 até aos dias de hoje, no que respeita ao princípio da igualdade. Por fim, discutiremos se e como estas transformações têm impacto na prática judiciária, através do estudo de caso de processos findos de regulação de responsabilidades parentais em dois tribunais portugueses, Lisboa e Braga.
Em suma, partimos nesta comunicação, como no projecto de investigação “O Género do Direito e da Justiça de Família em Portugal” no âmbito do qual é desenvolvida, da hipótese geral que, apesar da transformação do direito de família nos últimos 30 anos, a lei e a prática judiciária são ainda dominadas ou pelo menos reflexo, de forma manifesta ou latente, pela/da ideologia patriarcal ou masculina.
- PEDROSO, João
- CASALEIRO, Paula
- BRANCO, Patrícia
PAP1297 - Divisão sexual do trabalho, recursos e poder doméstico: alguns resultados de uma pesquisa em Portugal continental
No âmbito dos estudos sobre a família, designadamente em Portugal, não obstante os notáveis avanços no conhecimento sobre esta área temática, há um tema que tem sido pouco analisado no âmbito da divisão sexual do trabalho doméstico: o grau e a distribuição do poder doméstico entre homem e mulher, tratando-se de casais ou uniões de facto heterossexuais.
Este texto, começando por fazer uma breve revisitação de posicionamentos relativamente à (in)existência de relações patricêntricas/patriarcais ou matricêntricas/matriarcais nas casas em Portugal, tem por base dados empíricos recolhidos a partir de uma investigação centrada nas (des)igualdades de género, em que, entre outros instrumentos e técnicas quantitativas e qualitativas, foi aplicado um inquérito a 800 pessoas em Portugal Continental distribuídas por sexo, idade, profissão, tipo de residência (rural ou urbano), activo-não activo, projecto este aprovado e financiado pela FCT e finalizado em 2011 (PTDC/SDE/72257/2006).
Entre outros resultados, os dados recolhidos confirmam conclusões de outros trabalhos nacionais e internacionais: a desigualdade entre homem e mulher em desfavor desta na distribuição das tarefas domésticas e respectivas horas semanais despendidas e, em particular, a discrepância entre representações e práticas analisadas por sexo e grupo profissional. Porém, o foco de análise incide, no quadro da dinâmica (in)comunicativa entre os membros do casal, sobre quais os aspectos da vida que se alteraram com a entrada na conjugalidade e após o nascimento dos filhos, qual o tipo relações (mais fusional ou mais individualista) no que concerne conversas, iniciativas e actividades levadas a cabo por cada um dos membros do casal ou por ambos e em que medida, como se organiza a gestão e aplicação do dinheiro, quem decide e em que medida – o homem, a mulher ou ambos – sobre determinadas questões mais importantes (por exemplo, autorização de actividades dos filhos mais a cargo da mulher, compra de casa e/ou carro mais por parte do homem, local de férias por ambos).
Por fim, conclui-se que, para além da persistência de um determinado grau de desigualdade na repartição de tarefas domésticas e nos cuidados despendidos com os filhos com sobrecarga para a mulher, não há, em regra, relações que se caracterizem por serem de tipo patriarcal ou matriarcal e, portanto, verifica-se em certo equilíbrio por co-decisão ou por esferas de acção, embora seja de observar um certo predomínio por parte do homem em determinadas matérias nomeadamente quando este seja o único ou principal provedor económico da casa.
Palavras-chave: poder doméstico, família, género, desigualdade, Portugal
- SILVA, Manuel Carlos

Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).
PAP0828 - Divórcio e assimetrias de género: processos, negociações e impactos
As estatísticas evidenciam uma elevada taxa de
divorcialidade nas últimas décadas com um
considerável impacto nas vidas familiares e na
sociedade.
O divórcio, seja nos seus antecedentes, seja
nos próprios processos e seja ainda nos seus
impactos e consequências nomeadamente nas
responsabilidades parentais em relação aos
filhos configura um campo em que desigualdades
de género afloram, se reproduzem ou mesmo se
agravam.
Neste âmbito, após um breve enquadramento
teórico sobre as diferenças e assimetrias de
género, far-se-á uma breve resenha histórica
da evolução numérica e social do divórcio e
correlativas alterações legais desde a I
República ao 25 de Abril de 1974 e
subsequentes alterações. Seguidamente serão
apresentados dados relativos ao divórcio tendo
por base as respostas de 56 inquiridos
divorciados (34 mulheres e 22 homens) no
âmbito de uma pesquisa levada a cabo em
Portugal, tendo por base a aplicação de um
inquérito a 800 pessoas sobre as (des)
igualdades de género em Portugal num projecto
aprovado e financiado pela FCT e finalizado em
2011 (PTDC/SDE/72257/2006).
Considerando na análise variáveis como o sexo,
a profissão, a idade, os 56 divorciados
inquiridos responderam, para além das questões
comuns a pessoas não divorciadas, a
determinadas questões relativas ao divórcio:
as suas opiniões passadas face ao divórcio, os
motivos para a decisão do divórcio, a
iniciativa da separação ou divórcio, qual o
tipo de processo (litigioso ou por mútuo
consentimento), a atitude inicial face ao
divórcio, a existência ou não de tentativa de
reconciliação, o grau de satisfação face ao
divórcio, a avaliação da decisão do divórcio,
a probabilidade de novo casamento e eventuais
razões.
Para além destas respostas ao referido
inquérito foram ainda realizadas entrevistas
semi-estruturadas a pessoas divorciadas que,
do ponto de vista qualitativo, permitiram um
olhar mais aprofundado sobre as diferenciadas
representações e expectativas sobre o
casamento, tensões e negociações no exercício
do poder doméstico, assim como motivações e
razões, balanços e impactos do divórcio, uns
positivos outros negativos.
Dos dados de ordem quantitativa e qualitativa
foi possível inferir que o divórcio se, por um
lado, gera, em grande parte dos casos,
processos de descompressão, alívio e
satisfação recíproca, por outro, comporta
práticas e representações diferenciadas por
sexo e, por vezes, impactos desiguais
nomeadamente em termos económicos e psico-
sociais, com mais frequência em desfavor da
mulher, embora nalguns casos com impactos
negativos no homem nomeadamente de dependência
na gestão do quotidiano, o que leva mais
homens que mulheres a recasarem-se.
Palavras chave: divórcio, desigualdade,
família, género,Portugal
- SILVA, Manuel Carlos

- JORGE, Ana

- QUEIROZ, Aleksandra

Silva, Manuel Carlos
Licenciado e doutorado pela Universidade de Amesterdão em Ciências Sociais, Culturais e Políticas. Professor catedrático em Sociologia e Director do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) na Universidade do Minho. Distinguido com o Prémio Sedas Nunes pela obra “Resistir e Adaptar-se” (1998, Afrontamento) sobre o campesinato, tem publicado sobre o rural-urbano, o desenvolvimento e as desigualdades sociais. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia (APS).
Ana Jorge é doutoranda em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com bolsa da FCT, e mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Integra o projecto europeu de investigação EU Kids Online, sobre crianças e internet.
Aleksandra Queiroz
Socióloga, Mestre em Políticas Comunitárias e Cooperação Territorial, pela Universidade do Minho em co-tutela com a Universidade de Vigo, área de especialização Desigualdades Sociais e Desenvolvimento Rural.
Assistente de Investigação no âmbito projeto intitulado "Desigualdade de género no trabalho e na vida privada: das leis as práticas sociais (PTDC8/SDE/72257/2006) no Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho (CICS-UM), Braga. Bolseira co-coordenadora no terreno, em Portugal, do Projeto europeu SHARE (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe) referência VP/2009/009/0048. Comunicante em vários Congressos Nacionais e Internacionais, é co-autora de vários artigos sobre os temas dos projectos referidos. E-mail: aleksandraqueiroz@gmail.com
PAP0222 - Domestic services, gender and migration in Portugal: a quantitative contribution
The study of domestic services has been recently nourished by an array of empirical studies. Precious international overviews can be found in Anderson (2000), Ehrenreich and Hochschild (2002), Lutz (2008), or Isaksen (2010). In particular, the notion of in-house paid labour as a trait of traditional societies about to be washed away by the flush of modernity has been replaced with the observation of these services as instantiations of the global (Sassen, 2007), persistently intertwined with issues of gender, class and ethnic relations. Yet, two limitations can be identified in research to date: the exclusive focus on urban settings and the lack of quantitative analysis.
How many individuals are currently employed in domestic and care occupations? What can be said about their demographic profile? And how did numbers evolve over the last decade? In this paper, Portugal is proposed as a singular case of study within Europe. Two data sources are combined to examine the period between 2000 and 2010: the European Union Labour Force Survey and the national Social Security Records.
The first section of the paper offers an overview of previous studies on domestic labour and a short characterization of the case of Portugal regarding employment, gender and migration. A description of methodology is then provided. To be sure, large-scale datasets on employment provided by statistic offices entail specific limitations regarding domestic services. These require close attention.
According to examined data, cleaning and care services employ a growing number of individuals since 2000. This is the case both in Portugal and the European Union at large. By 2010, the occupational group of ‘Domestic and related helpers, cleaners and launderers’ comprised 5.6 percent of the total employed population in Portugal (280.2 thousand individuals), while the group of ‘Personal care and related workers’ stood at 3 percent (146.9 thousand individuals). Considering women only, the dimension of these two groups is significantly larger, comprising 11.5 and 5.8 percent of all women in paid employment. The particular number of individuals employed in domestic services increased between 2000 and 2008, and decreased under the economic recession of 2008-10. The combination of the two data sources suggests that there are indeed two concomitant trends in operation. On the one hand, a mild decrease in the number of individuals employed in domestic services; on the other, a significant fall in the share of workers who are registered in the social security system. Change in the profile of domestic workers since 2000 is also apparent: average age and the number of migrants both increased. The very large share of women in the workforce remains unaltered. Some recommendations for future research are included in the concluding remarks.
- ABRANTES, Manuel

Manuel Abrantes é membro do SOCIUS: Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, Universidade Técnica de Lisboa, e Professor Convidado de Sociologia do Trabalho e do Lazer na Universidade Aberta. Os seus principais interesses académicos incluem o trabalho, o género, a migração e a participação política. É autor do livro Borders: Opportunities and Risks for Immigrant Workers in Cities of the Netherlands e tem contribuído para diversos volumes conjuntos e revistas científicas. Desde 2010, está a conduzir estudos de doutoramento na Universidade Técnica de Lisboa sobre as condições e as relações de trabalho no setor dos serviços domésticos.
PAP1501 - ENSINO SUPERIOR E GÉNERO: DIPLOMADOS E MERCADO DE TRABALHO
A inserção profissional dos jovens diplomados continua a ser uma preocupação, muito em particular em momentos como o actual em que a taxa de desemprego tende a subir, e em que os diplomados do ensino superior encontram dificuldades acrescidas no acesso ao mercado de trabalho europeu. E se são as mulheres que apresentam taxas de conclusão do ensino superior mais elevadas, inversamente são elas que têm maiores dificuldades em ingressar no mundo do trabalho. Partindo do pressuposto que as políticas de promoção a igualdade de género têm nos últimos anos sido reforçadas, com particular destaque no âmbito da UE27, estamos perante algumas constatações reveladoras de diferenças de género no conhecimento assim como nas trajectórias académicas e carreiras. Com recurso à metodologia da análise de clusters, será desenvolvido um estudo comparativo em países da UE27, com vista à identificação dos factores com maior significância para a compreensão das formas de segregação no acesso ao mercado de trabalho.As relações de poder subjacentes à problemática do género assim como o produto do trabalho colectivo de socialização difusa e contínua corporiza em habitus claramente diferenciados, de acordo com P. Bourdieu (1990), leva-nos a admitir que as áreas de formação preferencialmente escolhidas pelas mulheres são as que denotam menor procura no mercado de trabalho.
- BALTAZAR, Maria da Saudade

- CALEIRO, António

- REGO, Conceição
MARIA DA SAUDADE BALTAZAR é professora auxiliar, com nomeação definitiva, do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e investigadora integrada no CESNOVA – FCSH da UNLisboa e colaboradora do CISA-AS da UÉvora. Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora, em 1990, Mestre em Sociologia pelo ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa, em 1994 e Doutorada em Sociologia pela Universidade de Évora, em 2002. É Auditora de Defesa Nacional (IDN/Curso 2006). Tem diversas publicações sobre as áreas a que correspondem os seus principais interesses de investigação: Segurança, Defesa e Forças Armadas; Desenvolvimento; Planeamento (metodologia e instrumentos de intervenção). Tem coordenado e constituído várias equipas de investigação de projetos nacionais e internacionais sobre desenvolvimento regional e local, prospetiva, planeamento, intervenção comunitária e relações civil-militares. Tem uma vasta experiência no acompanhamento e apoio técnico a projetos de intervenção comunitária. Tem exercido diversos cargos de gestão na Universidade de Évora, entre os quais Diretora de vários cursos e do Departamento de Sociologia.
António B.R. Caleiro, é professor auxiliar no Departamento de Economia da Universidade de Évora. Licenciou-se em Economia, na Universidade de Évora, em 1988, concluiu o curso de Mestrado em Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, em 1993, e realizou o seu Doutoramento em Economia, no Instituto Universitário Europeu (Florença), em 2001. A sua visão multi-disciplinar, facilmente identificável no âmbito das suas publicações, tem conduzido o autor a realizar investigação em diversos temas, incluindo alguns associados às interfaces Economia-Demografia, Economia-Política e Economia-Sociologia.
PAP0300 - ENTRE A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E O MERCADO DE TRABALHO: UMA INVESTIGAÇÃO A PARTIR DO COTIDIANO PEDAGÓGICO DE ALUNOS E ALUNAS DOS CURSOS TÉCNICOS DO INSTITUTO FEDERAL
O presente trabalho trata das expectativas que jovens estudantes brasileiros têm de ingressar pela primeira vez no mercado de trabalho ou de obter melhor colocação profissional. O mercado de trabalho, atualmente, sinaliza abertura de vagas ao mesmo tempo em que há a promessa de que os melhores qualificados não ficarão à mercê do desemprego. Para tanto, muitos jovens procuram as instituições de educação profissional crentes de que após o curso estarão empregados dignamente. Entre as instituições de ensino mais procuradas, estão as que pertencem à Rede Federal de Educação Profissional. A pesquisa situa-se no Instituto Federal de Sergipe, uma escola centenária, localizada no Nordeste brasileiro. Nela, por meio de grupos focais e de entrevistas colhemos depoimentos de alunos e alunas dos cursos técnicos Eletrônica e Eletrotécnica. Deles, procuramos perceber, além de suas expectativas, como se dá a formação acadêmico-profissional, como se relacionam com os professores e com os colegas, como interagem com as novas tecnologias, como se veem homens e mulheres trabalhadores da indústria etc. Evidentemente, aparecem na pesquisa dois grandes binarismos, a saber: escola – empresa e homem – mulher. O primeiro trata da aproximação existente entre a instituição e o mercado de trabalho, afinal a própria formação pedagógica conta com estágio e visitas técnicas. Apesar de parecerem integrados, não raro ocorrem distorções entre o que é ensinado e o que é cobrado na empresa. O segundo binarismo aparece fortemente marcado pelas relações de gênero presentes na escola, nas indústrias e na sociedade de modo geral. Apesar de serem todos jovens buscando melhor qualificação para o mercado, o fato de estarem nos cursos de Eletrônica e de Eletrotécnica levou-nos a perceber, inevitavelmente, que se trata de cursos em que há a predominância de rapazes. Mais que isto, levou-nos também a perceber que as fábricas continuam empregando muito mais os homens do que as mulheres. O trabalho, presente nessa comunicação, está voltado para a educação profissional, para o mercado de trabalho e para as relações de gênero. Assim, sua base teórica está composta de Charlot (2005; 2007), Demo (1998), Hirata (2003), Butler (2003) entre outros. Suas entrevistas e grupos focais foram estudadas a partir da análise de discurso numa perspectiva foucaultiana (FOUCAULT, 1998). Os resultados apontam para uma necessária reflexão acerca das relações entre mercado de trabalho e educação profissional. O cenário brasileiro, bem como dos países ibero-americanos, exige novos posicionamentos diante das demandas trabalhistas que muitas vezes camuflam com novas roupagens velhos e repetidos problemas que oprimem os trabalhadores. Apesar de Portugal e Brasil terem distintas culturas, possivelmente, a realidade educação e trabalho em que se inserem os jovens brasileiros tem pontos de contato com a realidade dos jovens portugueses.
- SANTOS, Elza Ferreira

Elza Ferreira Santos
Professora do Instituto Federal de Sergipe - IFS
Licenciada em Letras Vernáculas pela U. Federal de Sergipe - UFS;
Mestra em Ciências da Educação pela U. Lusófona de Humanidades e Tecnologias - ULHT
Doutoranda em Educação pela U. Federal de Sergipe e Bolsista da CAPES/CNPQ de estágio de doutoramento na ULHT de janeiro a julho de 2012.
Líder do Grupo de Pesquisa Educação profissional, Gênero e Tecnologia IFS/CNPQ
SANTOS, E. F. (2009) Mulheres entre o Lar e a Escola: os porquês do Magistério. São Paulo Annablume.
PAP0554 - ENTRE FRAGMENTAÇÕES E PERMANÊNCIAS: IDENTIDADES DE GÊNERO E AS VIOLÊNCIAS NA ESCOLA
Partindo da perspectiva de que não são as características sexuais que determinam o que é ser masculino ou feminino, defende-se que é a forma como essas características são representadas, aquilo que se diz ou se pensa sobre elas que vai constituir identidades gendradas em uma dada sociedade e em dado momento histórico. Na modernidade tardia descentramentos e fragmentações caracterizam as identidades de homens e mulheres, provocando a perda das estabilidades, das ancoragens que forneciam elementos para o “sentido de si” estável, conhecido, previsível. Na escola este processo é intensificado por ser local de socialização e aprendizagens diversas, onde diferenças são produzidas, espaços são delimitados, relações de poder e discursos delineiam as práticas; gestos, sentidos, movimentos, olhares, condutas e posturas são incorporados por alunos e alunas tornando-se parte de suas experiências e representações cotidianas. A escola não apenas transmite conhecimentos, mas também fabrica sujeitos, produz identidades étnicas, de gênero, de classe, geralmente através de relações desiguais. Compreender as relações de gênero como constituinte da identidade dos sujeitos, nos levou a investigar jovens de ambos os sexos de 15 a 24 anos de uma escola da rede pública da cidade de Aracaju, capital do estado de Sergipe, localizada no nordeste brasileiro. Fruto de pesquisa ora em andamento este artigo busca fomentar reflexões em torno dos valores nos quais estão sendo embasadas as construções das identidades de gênero e seus possíveis nexos com as violências no âmbito escolar. O estudo de caso de cunho etnográfico permitiu utilizar além das conversas informais, técnicas e instrumentos de investigação como a entrevista semi estruturada, a observação participante e o diário de campo de modo a perceber a cultura escolar, suas práticas rotineiras e comuns, os gestos e as palavras banalizados, tornando-os alvos de atenção, de questionamento e, em especial, de desconfiança. Conclusões preliminares apontam para identidades lastradas em bases tradicionais de oposição entre o masculino e o feminino tendo como elemento novo a representação feminina associada à ascensão no espaço público através do trabalho. Identifica-se ainda o preconceito velado contra a homossexualidade expondo o não reconhecimento das identidades consideradas diferentes, bem como o entrelaçamento das violências.
- COUTO, Maria Aparecida Souza

Maria Aparecida Souza Couto, professora de Educação Física da Rede Pública Estadual de Ensino de Sergipe, doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Sergipe; Mestra em Educação por essa mesma Universidade; graduada em Serviço Social pela Universidade Católica do Salvador – UCSAL. Membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher e Relações de Gênero (NEPIMG), integrante do grupo de pesquisa Educação, Formação, Processo de Trabalho e Relações de Gênero, ambos da Universidade Federal de Sergipe. Temas de investigação de interesse: Gênero; Violência de Gênero;Violências nas Escolas; Bullying; Sexualidade; Diversidade Sexual; Juventudes; Família; Educação Física escolar.
PAP0620 - Educação mas não só: determinantes da mobilidade social em diferentes regiões da Europa
Um entendimento do que se tem passado, nas últimas décadas, quanto à mobilidade social na Europa é crucial para o debate sobre as crises e as reconfigurações que hoje vivemos. Embora exista um registo amplo das transformações estruturais que ocorreram nos mercados de trabalho e nos sistemas educativos, os efeitos destas sobre os padrões de mobilidade social permanecem difusos e controversos. Em particular, importa questionar se a noção de igualdade produzida em estudos anteriores está a ser posta em causa por desenvolvimentos recentes.
A comunicação começa por reunir contributos clássicos e recentes da sociologia das classes e da mobilidade social. Três questões são nomeadas: (1) que padrões de mobilidade social podemos observar ao longo das últimas décadas na Europa?; (2) qual o impacto dos diferentes sistemas educativos nesses padrões; (3) poderá a variação identificada ao longo do tempo e entre países estar relacionada com eixos de diferenciação interna das populações como o género e a etnia, amplamente documentados noutros campos da sociologia? A resposta é procurada com a análise de dados do European Social Survey de 2008. Numa breve secção sobre opções metodológicas, descrevem-se os indicadores utilizados e os cálculos de ‘mobilidade absoluta’ e ‘mobilidade relativa’. A comparação internacional assenta em cinco clusters regionais definidos a partir de afinidades significativas no que toca a estrutura de classe, regime de previdência social e sistema educativo.
Os resultados confirmam índices crescentes de mobilidade, na 2ª metade do século XX, associados a transformações estruturais de grande monta. A erosão do elo educação-ocupação constitui hoje uma ameaça a esta tendência. Os sistemas educativos do Reino Unido e Irlanda surgem como mais igualitários, mas a sua capacidade sobre a estrutura ocupacional é menor. Os sistemas escandinavos apresentam probabilidades mais elevadas de mobilidade social através da educação. Há diferenças significativas ao comparar homens e mulheres, assim como nativos e imigrantes. Mais do que corroborar a vulnerabilidade de mulheres e imigrantes, os números sugerem que o género e a imigração são aspectos fundamentais para entender as diferenças de padrões de mobilidade entre regiões da Europa.
O cluster dos países mediterrânicos merece especial atenção. Desde logo, estamos perante índices de fluidez menores quer na relação origem-educação (como na Europa de Leste), quer na relação educação-destino (como no Reino Unido e Irlanda). Em segundo lugar, a correlação entre desempenho escolar e classe de destino é mais acentuada entre as mulheres do que entre os homens, isto em ambas as extremidades da escala socioeconómica. Também a diferença entre população nativa e população imigrante é especialmente forte, fenómeno que congrega efeitos da reduzida escolaridade entre imigrantes e a sua elevada probabilidade de empregos abaixo das qualificações.
- ABRANTES, Pedro
- ABRANTES, Manuel

Manuel Abrantes é membro do SOCIUS: Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, Universidade Técnica de Lisboa, e Professor Convidado de Sociologia do Trabalho e do Lazer na Universidade Aberta. Os seus principais interesses académicos incluem o trabalho, o género, a migração e a participação política. É autor do livro Borders: Opportunities and Risks for Immigrant Workers in Cities of the Netherlands e tem contribuído para diversos volumes conjuntos e revistas científicas. Desde 2010, está a conduzir estudos de doutoramento na Universidade Técnica de Lisboa sobre as condições e as relações de trabalho no setor dos serviços domésticos.
PAP0609 - Empreendedorismo no Sector da Beleza: Brasileiras na Quinta do Conde
O ponto de partida para este trabalho surgiu no decorrer de um trabalho anterior (2009) para a Câmara Municipal de Sesimbra e para o ISCTE/CIES intitulado: “Estudo de Diagnóstico e Caracterização da População Imigrante, Identificação dos seus Problemas e dos seus Contributos para a Dinâmica de Desenvolvimento dos Municípios”, em que durante o trabalho no terreno, constatou-se a sobre-representação de um sector que doravante será designado por sector/ramo da beleza na Quinta do Conde, freguesia do concelho de Sesimbra que, para além da sua enorme visibilidade, encontra-se centrado no género feminino e num grupo étnico bem concreto. Nessa perspectiva, pretende-se efectuar uma etnografia da globalização no feminino, mapeando os percursos migratórios de mulheres brasileiras residentes na freguesia da Quinta do Conde e que se tornaram empreendedoras no sector da beleza, ou seja, que abriram os seus próprios cabeleireiros, tornando-se empresárias e contribuindo para a economia portuguesa. Nessa linha, procurar-se-á descodificar se a sua opção por este ramo, se deveu a uma questão de oportunidade e/ou necessidade (?) e se o mercado se encontra baseado nesse aspecto, numa lógica marcada pela etnicidade (?). Serão salientadas questões económicas que lhes são inerentes: averiguar os prós e contras na tomada de decisão que se pensa ser neste processo decisiva e fulcral e que passa pela sua partida do Brasil e chegada a Portugal e pela opção de abertura de um salão de cabeleireiro e tudo o que isso acarreta (burocracia; dinheiro; energia; tempo; disponibilidade; conhecimentos).
Outras questões abordadas prendem-se com o capital social, as cooperações/redes e relações de família e conterrâneos que se vão tecendo entre quem se estabelece em Portugal e aqueles que aguardam a sua vez de fazer o mesmo; condições relacionadas com o mercado de trabalho português, bem como a exposição ainda que em traços genéricos da vida dos imigrantes na Quinta do Conde, sem nunca esquecer duas premissas que desde sempre alavancaram o presente trabalho – o género feminino e a etnia brasileira.
Uma nota final para a re(entrada) no terreno este ano (2011). No seguimento do trabalho de campo, registaram-se alguns comentários que convergem com um discurso de teor xenófobo. Ainda que por enquanto ténue ou porventura ocultado por parte da população nativa, face à maior ou pelo menos a mais visível etnia empreendedora no ramo da beleza na Quinta do Conde: “elas não têm formação”, expressão algumas vezes repetida no trabalho de campo, revela uma tendência de alguma radicalização do discurso por parte da população autóctone feminina em relação à mulher brasileira empreendedora. Decidiu-se face a estes factos novos, incorporar na Grelha de Entrevista várias questões que procuram explorar, confrontar e “colocar em diálogo” a mulher empreendedora portuguesa com a mulher empreendedora brasileira no sector da beleza.
- CHAVES, Tiago

Notas Biográficas
Nome: Tiago Miguel Marques Chaves
Formação Académica: Pós-graduação em Antropologia, especialidade em Globalização, Migrações e Multiculturalismo (ISCTE-IUL)
Percurso Profissional(mais recente): Bolseiro de Investigação no CIES/ISCTE no âmbito do Projecto PTDC/CS-SOC/101693/2008 - Culturas de Convivência e Super-diversidade, coordenado pela Profª Drª. Beatriz Padilla e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Áreas de Investigação e de Interesse:Antropologia; Sociologia; Migrações; Género; Etnicidade; Multiculturalismo; Relações inter-étnicas
Comunicações/Publicações (mais recentes):
“Empreendedorismo no Sector da Beleza: Brasileiros na Quinta do Conde”. II Seminário de Estudos sobre a Imigração Brasileira na Europa. Lisboa. ISCTE-IUL (04/06/2012-06/06/2012).
“Bairro e Diversidade: Mouraria e Cacém”. Conferência Internacional no âmbito no Projecto de Investigação PTDC/CS-SOC/101693/2008 – Conviviality&Superdiversity. Lisboa. ISCTE-IUL (11/06/2012-12/06/2012).
“Empreendedorismo no Sector da Beleza: Brasileiros na Quinta do Conde”. VII Congresso Português de Sociologia subordinado ao tema Sociedade. Crise e Configurações. Porto. Universidade do Porto na Faculdade de Letras e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (19/06/2012-22/06/2012).
PAP1129 - Girls' Pleasure in Boys' Love: Yaoi Fandom as Women Empowerment
INTRODUCTION
The history of technology evolution has always been permeated by fierce voices that denounced the mind control that they would cause. In this sort of criticisms were include mass communication and culture. Following this logic, consumers were not able to interpret and select the information, but absorbed everything that was delivered to them. I wish to present a phenomenon that demonstrates the existence of a culture of participation and the challenging and active role of women on it. Named Yaoi, from the Japanese, and meaning Boys Love, refers to a diverse range of entertainment productions, all centered in the theme of male homosexuality. Mostly created by women and for women, Yaoi can use already popular masculine figures, and transform them into gay figures, or can create their own characters. These sort of productions came not only from professionals but there is a whole fan culture surround it and around the world. Following the steps of the western partner Slash Fiction, women and girls manipulate what we can call "hegemonic masculinity role models.
OBJECTIVES
The purposes of my presentation are to explain the Yaoi fandom, their purposes and characteristics, always having in mind three main goals. The first is to demonstrate Yaoi as a possibility for women empowerment in mass media and gender manipulation. The second is to reveal that they are unable to really contradict the gender dichotomy. AT last, I would like to expose the different representations of boys and girls concerning Yaoi.
METHODOLOGY
My communication will be based specially on literature review. Theoretical articles, studies, and even fan pages will be taken into account. They will be compared to some of the conclusions that I have gathered during my master's thesis, namelly concerning the comparison of the attitudes of girls and boys facing Yaoi and male homosexual scenarios.
CONCLUSIONS
The power of Yaoi comes from the sexual, erotic and gendered manipulation of masculine characters and from the deeply participatory culture around it. Yet the couples are still organized according to the dual logic, that associates the dominant with the masculine and the submissive with the feminine. In this way, it seems difficult to escape gender and sex inequality. Although using femininity and submission connected to a man can be a possibility of breakdown from the bipolar perspective about gender and sex, when it is the only, or the mainly, standard for this couples, it works as a reinforcement of the association of the feminine with subordination, This is even more accurate considering that most of the stories and situations involve the coercion by the dominant partner so that the submissive one accepts the relationship and all his demands. At last, and as expected, boys do not accept lightly this kind of productions, while girls are more open to it.
KEYWORDS: Yaoi, gender, sexuality, fandom, culture, Japan
- MONTEIRO, Núria Augusta Venâncio

Núria Augusta Venâncio Monteiro,
Licenciada em Sociologia, com o Mestrado obtido na mesma área de estudos, exerce funções de investigação no Sapo Labs, Departamento de Comunicação e Arte, da Universidade de Aveiro. Os interesses de investigação orientam-se para as esferas da construção do género e da sexualidade, assim como para qualquer domínio de índole (sub)cultural.
PAP0306 - Género na perspectiva individual: agência, constrangimentos e oportunidades
A comunicação "Género na perspectiva individual: agência, constrangimentos e oportunidades", inserida no Congresso Português de Sociologia com o tema Sociedade: Crise e Reconfigurações, pretende explorar resultados iniciais da tese de doutoramento, orientada pela Professora Anália Torres, que visa compreender como o indivíduo vive a sua condição de género na sociedade portuguesa actual, num contexto de grandes e rápidas mudanças sociais, económicas e culturais.
Sendo que se entende o género numa perspectiva que engloba quatro níveis de análise (Messner, 2000): o nível individual (o património individual de disposições e esquemas de acção, avaliação e percepção de si (Lahire, 2001)); o nível interaccional (as interacções e relações tidas e mantidas pelo indivíduo com os outros e como esse indivíduo, nesse contexto, desenvolve a sua condição de género e a sua reflexão de si); o nível estrutural (as possibilidades e os constrangimentos impostos pelas situações e posições ocupadas pelo indivíduo genderizado); e o nível cultural (as concepções normativas de género que foram sendo transmitidas e adquiridas ao longo da história de vida do indivíduo, com as quais o indivíduo pode ter rompido ou agido em conformidade).
Deste modo, no contexto do projecto de tese de doutoramento, percepciona-se o género enquanto integrando não só uma perspectiva individualista em que o indivíduo é agente da sua condição de género (West e Zimmerman, 1987 e 2009; Butler, 1990), mas também uma perspectiva estruturalista, em que esse mesmo indivíduo se encontra integrado numa sociedade que lhe oferece constrangimentos e possibilidades estruturais ao exercício dessa agência no âmbito da sua condição de género (Connell, 2009; Martin, 2003; Messner, 2000).
Para a compreensão do que consiste, no século XXI, na sociedade portuguesa em mudança acelerada, ser homem ou mulher, começou-se a realizar entrevistas biográficas a indivíduos dos 30 aos 60 anos, de modo a encontrar-se diferenças culturais e sociais provenientes de diferenças geracionais; e de proveniências diversificadas no que diz respeito à classe social. As entrevistas são constituídas por duas partes distintas. Uma relativa ao curso de vida do indivíduo nos vários níveis de análise mencionados (individual, interaccional, estrutural e cultural) ao longo da infância, adolescência e vida adulta. Outra relativa ao momento presente e como o indivíduo investe e coloca prioridades em cinco planos distintos: a conjugalidade, a parentalidade, o trabalho profissional, a política e a religião. São os resultados preliminares das primeiras entrevistas realizadas que se pretendem abordar nesta comunicação.
- MACIEL, Diana

Diana Maciel
CIES-IUL
Mestre em Família e Sociedade pelo ISCTE-IUL e Doutoranda em Sociologia no ISCTE-IUL
Interesses de investigação: Género, Sociologia da família, Participação política, Família e trabalho, e Toxicodependências
PAP1343 - Gênero, Emoções e Produção Cultural: uma Análise da Autoajuda Brasileira
Tendo em vista as reflexões desenvolvidas ao longo do trabalho de Mestrado, concluído no final de 2009, e as que as seguem atualmente em meu Doutorado, apresento uma discussão sobre as formas através das quais os marcadores sociais da diferença de gênero e de idade flexionam algumas construções sócio emocionais presentes em livros de autoajuda brasileiros. Tomo especificamente a produção literária de meados da década de 1990, quando este mercado editorial ganhou significativa popularidade no país, tornando-se um dos principais responsáveis pela consolidação das imagens do homem na idade do lobo e da mulher na idade da loba para caracterização de pessoas experimentando a chamada crise da meia-idade. O esforço é pela apreensão das alterações que tais marcadores trazem para a configuração da meia-idade neste nicho de produção cultural: tratando aparentemente da mesma etapa da vida de pessoas em dado contexto social, os livros acabam reproduzindo criativamente diferenças e, mais do que isso, desigualdades, a respeito das experiências sociais e emocionais de homens e mulheres. A partir do referencial dos campos da antropologia e sociologia das emoções e da vasta produção teórica sobre curso da vida, abordo as diferenças existentes entre as imagens do homem frágil e infantilizado e da mulher poderosa e responsável, que continua a seduzir, a despeito das transformações físicas que marcam o período, presentes nessa produção cultural. Além destas, cabe também destacar os procedimentos de construção das marcas etárias por meio das quais as figuras do lobo e da loba se erigem, entre jovens apresentados como fúteis e inocentes, e velhos sem corpo e perspectivas. A crise da meia-idade surge, portanto, como um possível resultado de uma tendência de prolongamento da vida adulta e positivação da experiência de envelhecimento, que cria desigualdades entre aqueles que podem ou não acessá-la. Por meio de diferentes estratégias linguístico-literárias, temas tais como amor, cuidado, crise, segurança e medo – entre outros – são alinhavados ao longo das páginas dos volumes analisados e algumas importantes reflexões podem ser feitas sobre marcas sociológicas de gênero e geracionais para construção, expressão e significação de emoções humanas.
- CASTRO, Talita

Talita Castro
Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP, Brasil
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Unicamp
Formada em Ciências Sociais pela Unicamp
Áreas de interesse: produção cultural; autoajuda; gênero e curso da vida; mercado editorial.
PAP0049 - Intimidades em (des)conexão com a prisão: as relações amorosas de mulheres antes e durante a reclusão
Os estudos prisionais sobre mulheres reclusas
tendem a negligenciar as configurações e
transformações das suas relações amorosas.
Partindo de um conjunto de entrevistas com 20
reclusas em Santa Cruz do Bispo (Portugal),
nesta comunicação almeja-se explorar as
trajetórias conjugais destas mulheres
reclusas, focando, por um lado, as relações
amorosas no período prévio à reclusão, por
outro, as reconfigurações das mesmas nos
primeiros meses do cumprimento da pena. Estas
evidenciam matizes específicos e singulares –
ao nível dos contextos e motivações que as
envolvem, sobretudo se comparadas às dinâmicas
que tendem a caracterizar as primeiras
relações de namoro e conjugalidade em estratos
sociais mais favorecidos. Partindo de uma
abordagem crítica ao modo como o tema das
relações amorosas de reclusas tem sido
abordado pela literatura, serão analisados
pontos de conexão e desconexão entre estas e
os comportamentos desviantes das mulheres.
Serão explorados fenómenos sociais que
atravessam as relações amorosas destas
mulheres – maternidade, violência, pobreza,
reclusão de companheiros – e as consequências
que cada um destes elementos imprime nas
vivências amorosas, tanto no período que
antecedeu a reclusão, como ao nível dos
impactos que o cumprimento da pena de prisão
teve
nessas mesmas relações.Os nossos dados
evidenciam como as relações amorosas destas
mulheres as conectaram às malhas da justiça e
do sistema penal antes da sua própria reclusão
e independentemente dos seus próprios
comportamentos desviantes. Estes vínculos ao
sistema penal resultam do apoio que estas
mulheres, antes de serem reclusas, prestavam
aos seus companheiros reclusos. Este é um
papel que não se esbate perante a própr
- GRANJA, Rafaela

- CUNHA, Manuela Ivone

- MACHADO, Helena

Rafaela Granja é socióloga e está atualmente a desenvolver a sua tese de doutoramento que se intitula Representações sobre os impactos sócio-familiares da reclusão: visões femininas e masculinas. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. As principais áreas de interesse do seu trabalho centram-se nos estudos prisionais, relações familiares, criminalidade, género e etnicidade.
Manuela Ivone Cunha é doutorada em antropologia e ensina na Universidade do Minho. É membro do Centro em Rede de Investigação em Antropologia, pólo CRIA-UM (Portugal) e do Institut d'Ethnologie Méditerranéenne et Comparative (IDEMEC/ CNRS, França). Foi galardoada com o Prémio Sedas Nunes para as Ciências Sociais pela obra, Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos (2002).
Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt
Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.
PAP0567 - O PAPEL DA SEXUALIDADE NOS PERCURSOS DE FORMAÇÃO DOS CASAIS COABITANTES: GÉNERO, MUDANÇAS GERACIONAIS E CONTEXTOS SOCIAIS
A coabitação conjugal, quer como opção transitória, quer como alternativa ao casamento, faz parte de um movimento modernista de formação progressiva do casal e da família (Aboim, 2005; Bozon, 1991; Kaufmann, 1993) em que, por um lado, o início do relacionamento sexual quase sempre coincidente com o começo do namoro e, por outro, a transição para uma vivência a dois sob o mesmo tecto deixam de representar fronteiras perfeitamente definidas. As linhas divisórias entre o «antes» e o «depois» surgem, do ponto de vista sujectivo, cada vez mais diluídas. A coabitação, de acordo com uma interpretação modernista do fenómeno, estaria assim profundamente implicada no processo de individualização da vida familiar (Beck e Beck-Gernsheim, 1995), tornando-a cada vez mais privada e flexível de acordo com a diversidade de escolhas, trajectórias e biografias individuais.
Num contexto de crescente desconexão entre sexualidade e casamento, sexualidade e procriação, conjugalidade e casamento, parentalidade e casamento (Giddens, 1992), alguns autores interrogam-se sobre a própria noção de conjugalidade e as suas fronteiras (Kaufmann, 1993; Singly, 1996). Quando começa um casal? O início do relacionamento sexual como acontecimento marcante na formação dos casais substitui, hoje, o papel outrora desempenhado pelo casamento? Quando é que os homens e as mulheres sentem que fazem parte de um casal? Antes ou depois de irem viver juntos? É necessário viver junto para se ter uma relação conjugal? Neste debate, a própria definição de «coabitação» e de «casal» é problemática.
Os casais pesquisados, residentes, na sua maioria, na região da Grande Lisboa, com diferentes percursos conjugais, com filhos e sem filhos, de diferentes idades e contextos sociais de classe, têm em comum o facto de terem iniciado uma primeira ou segunda conjugalidade de modo informal. Para os coabitantes, apesar da diversidade de trajectórias individuais, situações conjugais, contextos e significados associados à coabitação, o casamento deixou de ser o acto fundador do casal, ritual de passagem para a vida sexual, conjugal e familiar.
Esta comunicação explora alguns dos resultados obtidos através de 48 entrevistas em profundidade que fazem parte de uma investigação mais ampla concluída em 2007 no âmbito de uma dissertação de doutoramento sobre a coabitação conjugal na sociedade portuguesa. Mais especificamente, foca o papel das primeiras vivências e modos de encarar a sexualidade nos percursos de formação dos casais coabitantes, procurando reflectir acerca da importância de algumas variáveis como a classe social, o género, os percursos biográficos mas também a religião, a componente de ruralidade presente em algumas famílias a residir em meio urbano e a pressão social exercida pelas gerações mais velhas sobre os jovens casais, de modo a compreender, em particular, as mudanças e continuidades face à sexualidade e às relações de género.
- SANTOS, Filomena Matias dos

Filomena Santos, 49 anos, dois filhos, actualmente a viver na Covilhã onde trabalha como docente na Universidade da Beira Interior. Licenciada e Mestre em Sociologia pelo ISCTE, concluiu o doutoramento na UBI em 2008. Os seus principais interesses de investigação incidem na área da Família, Sexualidade e Género. O trabalho que conduziu à dissertação de doutoramento, e que teve como principal objectivo mostrar a diversidade dos significados e contextos das experiências de coabitação na sociedade portuguesa, chegou a uma tipologia de oito perfis: a coabitação moderna, de transgressão, de experimentação, de noivado, circunstancial, masculina, de tradição e instável (Cf. Santos, Filomena (2008), Sem Cerimónia nem Papéis – um estudo sobre as uniões de facto em Portugal, Universidade da Beira Interior. Disponível: http://ubithesis.ubi.pt//hdl.handle.net/10400.6/654; Santos, F. (2012). Perfis de Coabitação em Portugal. Forum Sociológico, 21 (II Série, 2011), 117-126).
PAP0949 - O TEMPO LIVRE EM FAMÍLIA – UMA ABORDAGEM DE GÉNERO
O uso que os atores fazem do tempo é, em grande parte, condicionado por fatores sociais e culturais, em articulação com as características individuais, nas quais se inclui o género. Nesta comunicação abordamos as concepções do tempo e os modos de passar o tempo de homens e mulheres a viver em casal, dando relevo à maneira como percebem e usam o tempo livre. Tendo como base a análise da literatura sobre o tema, apresentamos e interpretamos os dados mais relevantes de uma pesquisa realizada nos distritos de Castelo Branco e Braga através de inquérito por questionário, grupos de foco e entrevistas semidiretivas. Tal como afirmam vários autores, o tempo livre designa o tempo não dedicado a responsabilidades e atividades consideradas «necessárias», tais como o trabalho remunerado, o trabalho doméstico, os cuidados de outros e os cuidados pessoais. Distingue-se do tempo de «lazer» que tende a agregar atividades, por regra com elevado índice de prazer, realizadas durante o tempo livre.
Nesta comunicação pretendemos mostrar que os usos do tempo livre em família evidenciam desigualdades de género de extrema importância, no contexto do debate sobre as políticas igualdade de género no trabalho e na vida privada. Tais desigualdades não são apenas definíveis a partir da dimensão quantitativa (em geral, as mulheres dispõem de menos tempo livre do que os homens com a mesma situação familiar), mas também a partir de outras dimensões, designadamente os índices de previsibilidade e de fragmentação (o tempo que as mulheres podem ter para si é menos previsível e mais fragmentado), a natureza das atividades e das preferências especialmente vinculadas a “identidades de género”. Pretendemos, assim, consolidar algumas hipóteses não só acerca da divisão sexual do tempo livre e do tempo de lazer, mas também sobre a forma como homens e mulheres tendem a valorizá-los, a preenchê-los e a narrá-los. Seguimos, neste contexto, diversas abordagens situadas na sociologia da família e do género, e, igualmente, alguns dos contributos fundamentais sobre a importância das classes sociais na experiência do tempo quotidiano, assim como das características dos modos de vida nas sociedades modernas.
- SCHOUTEN, Maria Johanna

- ARAÚJO, Emilia Rodrigues

Maria Johanna Schouten
Universidade da Beira Interior;
Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho.
Áreas de formação: Antropologia, História, Sociologia.
Interesses de investigação:
Sociologia da família, sociologia do género, sociologia da saúde, sociologia do envelhecimento, relações interculturais, estudos sobre o Sudeste Asiático
Emília Rodrigues Araújo
Universidade do Minho. departamento de sociologia e centro de estudos de comunicação e sociedade
Sociologia, com interesses atuais na área da sociologia do tempo, sociologia política e das mobilidades.
PAP0704 - O lugar do trabalho na vida dos diplomados do ensino superior em processo de inserção profissional
Grupo de Trabalho: Inserção de diplomados do
ensino superior: relações objectivas e
subjectivas com o trabalho
A inserção profissional dos diplomados do
ensino superior tem sido alvo de estudos
europeus e nacionais devido à complexificação
dos percursos profissionais, caracterizados,
no presente momento, por configurações
diversas. Os diplomados constituem uma
população heterogénea, pois diferem nos
percursos de inserção profissional de acordo
com os recursos que podem mobilizar e as
formações académicas que detêm. Atendendo às
diferenças que os caracterizam, assim como as
oportunidades do mercado de trabalho, as suas
trajectórias podem ser lineares e socialmente
ascendentes ou intermitentes, pautadas por
períodos de precariedade e ou desemprego.
Nas sociedades contemporâneas, a importância
atribuída pelos indivíduos ao trabalho
remunerado tem sido reconhecida, no campo
sociológico, visto que os inscreve na
estrutura social, legitima socialmente as
fases biográficas e permite concretizar
aspirações. Mas não se pode ignorar o actual
contexto de maiores dificuldades económicas,
que pode influenciar a percepção do valor do
trabalho, inflacionando-o ou diminuindo-o, e
condicionar comportamentos que traduzem o
lugar preponderante do trabalho na vida,
devido ao investimento temporal que exige e a
monopolização que pode exercer sobre os
restantes tempos sociais.
O trabalho, enquanto esfera da vida social,
não pode ser desligado de outras dimensões da
vida, pois os indivíduos caracterizam-se por
uma múltipla pertença social, que se traduz em
investimentos simultâneos na esfera da
família, redes de sociabilidade, práticas
religiosas, associativas, políticas e
culturais e actividades artísticas e
desportivas. Assim, ao longo das trajectórias
profissionais, os diplomados podem ver as suas
práticas influenciadas pelo lugar que o
trabalho ocupa na vida: forma de realização
pessoal, resultado de condicionalismo
económico-financeiro e social ou acesso a
recursos para investir nas outras dimensões da
vida social a que atribuem maior importância.
Mas a maior centralidade atribuída ao trabalho
na vida pode não ser sinónimo da sua
preponderância face às outras esferas sociais,
da mesma forma, que o maior investimento no
trabalho pode não ser sinónimo da sua maior
centralidade, mas sim ser resultado de
constrangimentos financeiros que impelem a um
maior investimento temporal no trabalho.
Com a presente comunicação, no âmbito do
programa de doutoramento em Sociologia na
FCSH/UNL, com o apoio da FCT, pretende-se
apresentar parte do estudo em curso sobre a
percepção que os diplomados do ensino superior
em processo de inserção profissional têm do
lugar que o trabalho ocupa na vida e de que
forma interfere com as outras dimensões da
vida social, recorrendo aos dados do
projecto «Percursos de inserção dos
licenciados», do CESNOVA.
- CABRAL, Arlinda Manuela dos Santos

Licenciada em Ciências da Educação – especialização Gestão da Formação e mestre em Sociologia, é actualmente doutoranda em Sociologia no CESNOVA, com o apoio da FCT. Foi Coordenadora do Gabinete de Gestão de Projectos/Centro de Formação Avançada da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL) do Instituto Politécnico de Lisboa, Pró-Reitora para a Graduação, Inovações Pedagógicas e Ensino à Distância da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e Assistente Convidada na ESTeSL. Entre as publicações, destacam-se «Conciliação ou conflito entre o trabalho e as outras esferas da vida social na inserção profissional dos diplomados do ensino superior» (2011), «O brain drain associado aos migrantes universitários cabo-verdianos» (2009), «A construção da escola democrática. Uma reflexão a partir de Jacques Delors, Licínio Lima e Jaume Sebarroja» (2007) e «Recensão crítica Pedagogia do Oprimido», de Paulo Freire (2005). Áreas de interesse: Ensino superior; competências-chave; gestão e qualidade da formação superior.
PAP1431 - Publicidade e Consumo: uma reflexão de gênero
O presente trabalho é parte de um estudo
sobre a relação entre o conteúdo da
publicidade e o imaginário social que
conforma o feminino e o masculino. Essa
relação foi investigada a partir da análise
do conteúdo da publicidade destinada ao
público infantil, por ocasião do “dia das
crianças”.. O corpus da análise da
investigação foi obtido a partir da gravação
da programação matinal de três emissoras
abertas de televisão, no Brasil: Rede Globo,
Rede Record e do Sistema Brasileiro de
Televisão. A gravação envolveu os meses de
setembro e outubro de 2000 e 2010. No
primeiro momento do estudo foram realizadas a
gravação e a análise quantitativa do conjunto
de comerciais. Na segunda etapa os comerciais
foram classificados e investigados de forma
mais ampla. Esse artigo aborda uma parte da
investigação realizada. Durante o período
analisado foram exibidas mais de 3.200 peças
publicitárias, sendo a maioria voltada para o
público infantil. Os anúncios foram
inicialmente classificados em “para
crianças”, “da própria emissora”,
“propagandas políticas”, “outras” e “beleza”.
Para além do agrupamento inicial em grandes
categorias passamos a focalizar a publicidade
direcionada “para crianças” o que constitui o
interesse principal da análise. Classificamos
a publicidade direcionada à criança nas
seguintes categorias: alimentos, brinquedos,
calçados/acessórios/roupas, entretenimento e
educativos e lojas/promoção. Na categoria
brinquedos foi incluída a maioria das
publicidades exibidas. Dentre elas estavam:
bonecas e bonecos, carrinhos e jogos. Esta
categoria foi privilegiada para uma análise
do conteúdo da publicidade veiculada no
período estudado. Tal categoria foi sub-
dividida em: brinquedos “para meninas”,
brinquedos “para meninos” e brinquedos “para
ambos”. Ao utilizar o termo propaganda “para”
meninas e “para” meninos não foi aceita
nenhuma definição estanque, cristalizada, que
aponte uma essencialização dos papeis
sexuais. Apenas é possível notar que se opera
na publicidade uma separação entre o universo
de meninos e de meninas, que é própria à
nossa cultura. Definem-se alguns atributos
mutuamente exclusivos que são sinalizadores
ou da feminilidade, ou da masculinidade.
Neste sentido, a publicidade absorve a
cultura e opera a partir dela. Também foi
analisado como a publicidade de brinquedos
contribui para a naturalização das definições
de gênero. Percebeu-se que a publicidade
analisada “para crianças”, nos permitiu notar
que tais anúncios fazem muito mais do que
vender brinquedos. Eles funcionam como um
tipo de pedagogia e de um currículo cultural,
que produzem valores e saberes. Eles fornecem
determinados modelos de conduta e modos de
ser; re-produzem identidades e
representações; constituem certas relações de
poder e fornecem elementos que veiculam
modelos de comportamento, como por exemplo,
modos de ser mulher e homem, ou seja, formas
de feminilidade e de masculinidade.
- FREITAS, Patrícia Oliveira de

Patrícia Oliveira de Freitas é atualmente professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo realizado estágio doutoral em sociologia da infância, na UMINHO, sob orientação do prof Dr Manuel Jacinto Sarmento. Tem experiência na área de estudos do consumo, com interesse de investigação nos seguintes temas: educação financeira, comportamento do consumidor, publicidade e consumo e práticas de consumo de crianças e adolescentes. E na área de educação, tem interesse pelas questões relacionadas à infância, ao consumo e as novas tecnologias.
PAP0137 - Sexualidade e género no quotidiano escolar: análise de uma formação contínua para professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância
Esta comunicação aborda as questões de género e sexualidade no quotidiano escolar tendo como foco a investigação-ação que realizamos por meio de oficinas de formação com professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância para identificar as representações, discutir e adquirir conhecimentos sobre questões de género e sexualidade na docência (com ênfase na análise da prática pedagógica), promovendo reflexão dos/as docentes sobre as suas práticas profissionais e desmistificação de alguns preconceitos que envolvem os papéis dos/as professores/as de 1.º ciclo (EB) e educadores/as de infância, incluindo as suas considerações sobre a sexualidade e o seu papel de género na docência, com a finalidade de que as suas ações para com os seus alunos e as suas próprias considerações se transformem. Portanto, enfocamos a formação do/a professor/a ao incitar reflexões e debates sobre as questões de género e sexualidade sobre como os papéis sexuais e de género ditos normais são construídos socialmente, questões que parecem distantes dos contextos escolares, mas que afloram nos mínimos detalhes da docência, designadamente nos aspectos da profissão considerados femininos (paciência/sensibilidade...) e nos preconceitos divulgados sobre a docência (como da incapacidade do homem para lidar com crianças). Atualmente, o povo português tem várias conquistas legais que atendem a urgência de respostas para as preocupações da sociedade referentes às questões relativas à saúde sexual e reprodutiva, à igualdade de género, ao direito de acesso à contracepção, à generalização do planeamento familiar, à promoção da maternidade e da paternidade responsáveis e conscientes e à garantia da não discriminação em função da orientação sexual, estas estão devidamente enquadradas no ordenamento jurídico de Portugal. Porém, tais conquistas ainda não se revertem em estatísticas igualitárias em questões de género e sexualidade. Por exemplo, a educação sexual ainda é pouco abordada nas escolas. Nas formações que implementamos percebemos que, apesar de investigações recenetes mostrarem que os/as docentes portugueses sentem-se à vontade para abordar esse assunto com os seus alunos, na realidade não estão tão à vontade assim, principalmente por causa da falta de estruturas que apoiem a iniciativa desses profissionais nas escolas, bem como por causa da falta de formação dos/as docentes para estas temáticas. Analisaremos, então, as motivações, representações e dúvidas destes docentes e os debates que surgiram sobre estas temáticas durante a formação.
- RABELO, Amanda Oliveira

Amanda Oliveira Rabelo é Pós-doutora em Ciências da Educação na Universidade
de Coimbra, com projeto de investigação financiado pela FCT, Doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Aveiro (2009), mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) (2004) e licenciada em Pedagogia pela UniRio (2000). Atualmente é professora da UFF/INFES (RJ-Brasil). Tem publicações e atua com vários temas da educação principalmente com: formação de professores, género, escolha profissional, sexualidade, história da educação e educação especial.
PAP0171 - Sobre(Viver) com Violência… Um olhar sociológico sobre a construção de trajectórias de violência de género nas relações amorosas
A violência interpessoal, sobretudo quando ocorre nas relações amorosas, raramente é um acto isolado, repete-se ciclicamente configurando trajectórias de violência que, quando vividas no feminino, tendem a prolongar-se no tempo.
Esta comunicação sintetiza resultados da investigação de doutoramento da autora que procura comparar dois cenários de vitimação – a feminina versus a masculina – e dois modos distintos de experienciar violência – mulheres e homens vítimas com trajectórias, versus, sem trajectórias de vitimação.
A informação utilizada deriva do aprofundamento de parte dos dados do Inquérito Nacional Violência e Género, realizado pelo CesNova, em 2007 e dizem respeito, unicamente, ao total de vítimas que sofreram pelo menos 1 de 52 actos de violência física, psicológica e/ou sexual. Para identificação das trajectórias, consideraram-se não só casos de mulheres e homens que referiram ter sido vítimas de violência no último ano e/ou em anos anteriores à aplicação do inquérito mas, também, situações que apesar de mencionarem não o ter sido, contradizem-se ao afirmarem, adiante, ter sofrido actos de violência na infância/adolescência, às mãos dos próprios pais.
Nesta linha de raciocínio consideramos que os laços amorosos se estabelecem ao longo do processo de socialização e a forma como são mais ou menos consolidados, deve constituir um dos factores a ter em conta no estudo dos motivos que levam as vítimas de violência no âmbito das relações amorosas (parentais e/ou conjugais) a seguir determinada conduta ao longo da vida – de sujeição (permanência) ou de resistência (abandono) face à relação com o ofensor e à situação abusiva.
Assim, num universo de 1000 mulheres e 1000 homens inquiridos, obtiveram-se 397 mulheres e 435 homens vítimas. Embora, em termos gerais, o peso deles seja superior ao delas é, em contrapartida, bastante inferior relativamente à existência de trajectórias de vitimação (M: 54%; H: 27%), o que significa que estamos perante violências de natureza diferente: nas mulheres, geralmente acontece reiteradamente, em casa, exercida por parceiro ou outros familiares, nomeadamente, pais/padrastos, tendo na sua configuração desigualdades de género; nos homens, é uma vitimação semelhante à que verificamos na população em geral, maioritariamente perpetrada por outros homens, em espaços públicos, sem reiteração e que quando surge associada a papéis de género, visa reforçar a masculinidade. Somente na infância/adolescência, os homens tendem a apresentar trajectórias de vitimação, causadas pelos pais/padrastos, enquanto que as mulheres prolongam-nas pela idade adulta, exercidas pelos pais, parceiros íntimos, ou por ambos: os dados da investigação mostram que entre o total de mulheres vítimas de violência no contexto das relações amorosas, 74,6% apresentam percursos de vitimação continuada.
- BARROSO, Zélia
PAP0276 - Sociabilidades masculinas na taberna-café
A comunicação baseia-se na investigação
efectuada para a dissertação de Doutoramento
em Sociologia das Classes e dos Movimentos
Sociais (ISCTE,2009). O objeto de estudo
incide nos estabelecimentos de venda e consumo
de bebidas que designámos por tabernas-café
situadas no concelho de Montemor-o-Novo, Alto
Alentejo, e enquadra-se em duas áreas de
estudo: a de género e a de estratificação
social.
O estudo de caso incide em 138
estabelecimentos (universo total deste tipo de
estabelecimentos no concelho referido) sobre
os quais utilizámos técnicas de observação
direta e indireta e construímos tipologias.
Aprofundámos a análise relativamente aos
clientes numa amostra de 4 tipos diferentes de
tabernas-café. A investigação incidiu nos
estabelecimentos, gerentes e clientes, tendo
sido para isso, criadas fichas de
caracterização.
Situamos a taberna-café como quadro de
interação (AFCosta), inserido num espaço/tempo
de lazer intermediário entre o trabalho e a
família, marcado por sociabilidades semi-
públicas, configurações e diversas formas de
apropriação, que se cruzam na permanência e na
mudança, na tradição e na modernidade.
Analisámos os investimentos sociabilitários e
relacionais produzidos e reproduzidos pelos
agentes, conhecendo as propriedades
estruturais dos diversos lugares onde se
desenvolvem as diversas sociabilidades,
representações e práticas materializadas em
actividades de tempo livre/lazer, ou mesmo
noutras que se situam na esfera económica das
relações sociais de produção e do universo
ideológico e político.
Na taberna-café - espaço acentuadamente
masculino com múltiplas funções - o gesto, o
corpo e a linguagem deixam as suas marcas, num
quadro em que o consumo de bebidas alcoólicas
ocupa um lugar relevante.
Como nota conclusiva constatámos que, se é
verdade que a taberna passou muitas vezes a
café, administrativamente, por transformações
físicas, de clientela, de consumo, ou apenas
na representação que os seus gerentes possuem
dela, por efeito da massificação, globalização
e textualização da sociedade, também é
verdadeiro que o café se tabernizou
incorporando consumos, práticas, funções e
sociabilidades características das tabernas.
- VILLA-LOBOS, Maria José

Maria José Cabral Barata Laboreiro de Villa-Lobos. Email: mjose.vilalobos@eslfb.pt
Doutora em Sociologia das Classes e dos Movimentos Sociais, ISCTE, 2009. Licenciada em Sociologia e Mestre em Culturas Regionais Portuguesas – FCSH.
Formadora de Educação e Formação de Adultos e do Processo RVCC – Nível Secundário, do Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária Luís de Freitas Branco.
Formadora de professores no Centro de Formação das Escolas do Concelho de Oeiras.
Interesses de Investigação – Estudos de Género Masculino; Igualdade de Género; Educação e Formação de Adultos.
Publicações
(2011) - “Cultura e Identidade Masculina na Taberna Café”. Memória e Cultura Visual Actas do III Congresso Internacional, Fernando Cruz (Org.), AGIR - Associação para a Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural. Maia.
(2011) - “Atitudes perante a doença: estudo de caso”. Saúde, Cultura e Sociedade, Actas do VI Congresso Internacional, Fernando Cruz (Org.), AGIR - Associação para a Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural, Maia, 2011.
(2005) - “A taberna como pólo de desenvolvimento sociocultural”, III Congresso Internacional de Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural, AGIR.
(2004) “A pesquisa de terreno na taberna: a interacção investigadora /agentes”,
V Congresso Português de Sociologia, Associação Portuguesa de Sociologia (A.P.S.).
(2002) - “O “O eixo da herança numa aldeia da Serra da Estrela”, IV Congresso Português de Sociologia - Passados recentes, futuros próximos, Associação Portuguesa de Sociologia (A.P.S.).
(2001) - “A Taberna entre a tradição e a modernidade: uma aproximação à análise deste território como espaço de relações de inclusão e de exclusão produzidas pelos seus utilizadores”, Forum Sociológico - Olhares sobre a Modernidade, Instituto de Estudos e Divulgação Sociológica, nº5/6 (2ª série) Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
(1999) - “Atitudes perante a Morte numa aldeia da Beira-Baixa”, Forum Sociológico,
Do Corpo e da Alma, Instituto de Estudos e Divulgação Sociológica, nº 1/2
(2ª série) Departamento de Sociologia da FCSH da UNL.
PAP0472 - Sociologia no Ensino Médio: a Teoria de Gênero abordada no material didático e nas práticas educativas das escolas públicas de Uberlândia/MG/Brasil
O presente projeto busca analisar conteúdo
programático de Sociologia, presente no
material didático, referente à questão de
gênero, bem como as práticas pedagógicas
estabelecidas entre professores e estudantes
do Ensino Médio, nas escolas públicas da
cidade de Uberlândia/MG/Brasil, no intuito de
compreender e contribuir para diversas e
distintas posturas em relação a temática em
questão. Em conformidade com o II Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres, cujo
princípio fundamental é “assegurar direitos e
melhorar a qualidade de vida das mulheres
brasileiras em toda a sua diversidade, por
meio da igualdade e respeito à diversidade,
equidade na garantia dos direitos universais
às mulheres, respeito à autonomia das mulheres
com justiça social, aliadas à presença do
Estado com Políticas Públicas direcionadas à
elas, por meio de universalidadedas políticas
e transparência dos atos públicos”, nosso
estudo faz-se importante na busca do
cumprimento desses princípios. Nos últimos
anos, a sociedade brasileira entrou no grupo
das sociedades mais violentas do mundo. Hoje,
o país tem altíssimos índices de violência
urbana (violências praticadas nas ruas, como
assaltos, seqüestros, extermínios, etc.);
violência doméstica (praticadas no próprio
lar); violência familiar e violência contra a
mulher, que, em geral, é praticada pelo
marido, namorado, ex-companheiro, etc., enfim
relações de violência, preconceito,
discriminação em relação às mulheres de todas
as classes sociais, raças, etnias, profissões,
etc. Dessa forma, as relações entre homens e
mulheres encontram-se longe da
complementaridade, da igualdade, da
convivência pacífica. Compõem-se como relações
de oposição, contraditórias, desiguais, muitas
vezes violentas e por conseguinte justificamos
a necessidade de refletir sobre o assunto de
forma prática e teórica, a fim de realizarmos
o enfrentamento dessas questões nos diferentes
níveis. Embora esse projeto não trabalhe com a
violência explícita, ao trabalharmos com
processo educativo e material didático,
estaremos trabalhando com a idéia de violência
simbólica (Bourdieu) presente nas relações
educativas e entre gêneros. Compreendemos ser
de fundamental importância tratar sobre
questões de gênero e violência nos conteúdos
programáticos da disciplina de Sociologia no
Ensino Médio. Sendo assim, o nosso projeto
propõe-se a analisar o material didático, bem
como as estratégias de trabalho pedagógico
utilizados na disciplina de Sociologia, em
escolas públicas de Ensino Médio de
Uberlândia, a fim de compreender e propor
alternativas de análise e trabalho pedagógico
que contemplem as discussões clássicas e
críticas de gênero e sua adequação a vida
cotidiana.
- PAULA, Sandra Leila de
- MACEDO, Miriam Rosa
- MORAES, Karine Ferreira de
PAP0438 - Trabalho e Parentalidade: A acomodação e custos da maternidade e da paternidade para os indivíduos e as organizações
O aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, é acompanhado de uma maior exigência na definição dos termos da igualdade de oportunidades e de tratamento de mulheres e homens no mercado de trabalho, assim como de necessidades crescentes em termos de modalidades de trabalho flexíveis e de regimes de dispensas e licenças. Considerando que cada vez menos mulheres interrompem a sua actividade profissional quando se tornam mães e cada vez mais homens usufruem dos seus direitos de ausência ao trabalho para se ocuparem da família, o modo como o mundo do trabalho acolhe, especialmente a maternidade e a paternidade, surge como uma questão central.
Com esta comunicação, na qual serão discutidos alguns dos resultados de um estudo conduzido pela autora no âmbito da sua dissertação de Mestrado, procura-se analisar, não só as condições de acomodação dos regimes de protecção da maternidade e da paternidade nos locais de trabalho, e os custos (materiais e imateriais) da parentalidade para os indivíduos, mas também o peso que os custos da parentalidade representam para as organizações que empregam as mães e os pais. Do ponto de vista metodológico, a prossecução destes objectivos implicou o recurso a uma diversidade de contributos teóricos, e compreendeu a condução de entrevistas individuais com 192 mães e pais trabalhadores/as, a realização de um estudo de caso em empresa de média dimensão, e a análise estatística dos dados relativos a Portugal contidos no Painel Europeu de Agregados Domésticos Privados (PEADP).
- LOPES, Mónica Catarina do Adro

Mónica Lopes é Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra e frequenta, actualmente, o programa de
doutoramento em Sociologia pela mesma Faculdade. Enquanto
investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES), tem participado em
diversos projectos de investigação/avaliação relacionados com
políticas e práticas de igualdade entre mulheres e homens,
responsabilidade social das organizações e organizações da sociedade
civil. Os seus interesses de investigação incluem avaliação de
políticas públicas, terceiro sector, políticas sociais e relações
sociais de sexo, políticas de conciliação trabalho/família, mercado de
trabalho e maternidade/paternidade.
PAP0682 - Trabalho e gênero no setor confeccionista brasileiro de Uberlândia - MG
Este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa intitulada “A feminização do setor confeccionista em Uberlândia: representações sociais e condições de trabalho”. O presente texto analisa os mecanismos que respondem pela feminização do setor de confecções, um dos mais importantes no cenário da produção industrial de Uberlândia, município brasileiro do interior do Estado de Minas Gerais, que responde pela produção média de 5500 peças/mês - constituído por 90% de mulheres e 10% de homens. Focaliza, ainda, aspectos da divisão sexual do trabalho nas unidades fabris do setor, as condições de trabalho dos(as) operários(as), e as estratégias utilizadas para conciliar as atividades fabris e domésticas. Procura elucidar a imbricação das relações de classe e de gênero que informam as relações estabelecidas no espaço profissional ora analisado, considerando que sua feminização contribui para a precarização do trabalho no setor, hipótese corroborada por denúncias de dumping social praticado por unidades fabris do município, e também pelo fato do setor terceirizar determinadas etapas da produção para reduzir seu custo e ampliar a margem de lucro; de utilizar-se, em larga medida, de atividades façonistas que perfazem 40% da produção local, nas quais também predomina o trabalho de mulheres que, não raro, veem nessas modalidades precarizadas de trabalho, a possibilidade de conciliar as atividades fabris e domésticas. Considera-se que o predomínio da mão-de-obra feminina no setor analisado resulta da trama de relações de gênero que transversam a totalidade social, entendidas estas, como construções histórico-culturais que, no intuito de justificar e legitimar relações desiguais, hierarquizadas, estabelecidas entre sujeitos sociais de sexos diferentes, naturalizam-nas. E o atual sistema de acumulação flexível delas se apropria, utilizando-as como um dos mecanismos potencializadores da produtividade, e geradores de formas específicas de exploração e dominação. O estudo, de natureza qualitativa, ancora-se em vertentes da Sociologia do Trabalho e dos Estudos das relações sociais de sexo/gênero, sobretudo, nas reflexões de Scott, Kergoat e Hirata. O texto resulta de pesquisas bibliográficas, documental, e de campo - por meio da observação dos espaços de trabalho, da aplicação de questionários e realização de entrevistas semi-estruturadas.
- VANNUCHI, Maria Lúcia

Maria Lúcia Vannuchi possui doutorado em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2003), e mestrado em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Goiás (1990). É graduada em História e em Ciências Sociais. Atualmente é professora adjunta II do INCIS da Universidade Federal de Uberlândia - UFU. É membro do Colegiado do Curso de Graduação em Ciências Sociais - UFU, e integrante da linha 1 do PPGCS - Cultura, Identidades, Educação e Sociabilidade. Integra o NEGUEM - Núcleo de Estudos de Gênero,Violência e Mulheres - UFU, e o NUPECS - Núcleo de Pesquisa em Ciências Sociais - UFU. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia do Trabalho e das Relações de Gênero. Temas de investigação: gênero e trabalho, identidades de gênero e subjetividades.
PAP0385 - Trajectórias não reprodutivas em três gerações de portugueses: incidência, circunstâncias, oportunidade
Foram vários os países europeus que chegaram ao século XXI com baixos níveis de fecundidade e alguns viram a sua fecundidade diminuir ainda mais na última década. Foi o caso de Portugal, que passou de um índice sintético de fecundidade de 1,6 em 2000, para 1,3 em 2009.
Se o adiamento estrutural da maternidade e a diminuição das descendências têm explicado em grande medida este cenário, a verdade é que alguns países registam uma incidência crescente de childlessness, ou seja, de mulheres que, voluntária ou involuntariamente, não fazem a transição para a maternidade. Em Portugal, este fenómeno foi sempre pouco expressivo e ligado a situações de celibato ou infertilidade, e o adiamento também não tem sido tão intenso como noutros países, pelo que é a drástica redução do número de filhos que tem contribuído para a nossa baixa fecundidade.
Ora, já se sabe que períodos de recessão económica e de insegurança e pessimismo face ao futuro, como é este que enfrentamos actualmente, têm um impacto negativo na fecundidade, tendendo a promover comportamentos defensivos, como adiar ou contrair um projecto de parentalidade. Nesta perspectiva, é de esperar que as coortes em idade reprodutiva estejam a adiar a transição para a parentalidade, aumentando o risco de childlessness involuntário. Mas também é expectável que, como vem acontecendo noutros países, mais homens e mulheres estejam a optar por estilos de vida que não contemplam ter filhos.
Por conseguinte, a partir dos resultados de um inquérito nacional (2009/2010), vamos desvendar as trajectórias não reprodutivas de três gerações nascidas nos anos 30, 50 e 70. Para tal, vamos dar conta da incidência do fenómeno e das circunstâncias que o determinam em cada geração. Mas visto os homens e as mulheres mais jovens ainda se encontrarem em idade reprodutiva, vamos explorar mais detalhadamente a relação entre o actual adiamento da parentalidade, as intenções reprodutivas, as circunstâncias e oportunidades com que se deparam e a incidência (latente) de childlessness quando chegarem ao fim da trajectória reprodutiva.
Os resultados confirmam a importância de analisar as trajectórias não reprodutivas numa perspectiva geracional, pois trata-se de um fenómeno em mudança. Mas também que é fundamental conhecer melhor o papel dos homens – sistematicamente negligenciado – na fecundidade e nas decisões reprodutivas. Com efeito, este estudo revelou importantes dessincronias de género na esfera da reprodução, que traduzem campos distintos de oportunidades e constrangimentos para homens e mulheres.
- CUNHA, Vanessa

Vanessa Cunha, socióloga, investigadora auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e membro da comissão coordenadora do OFAP (Observatório das Famílias e das Políticas de Família). Os seus interesses de investigação têm vindo a desenvolver-se em torno das questões da baixa fecundidade e do filho único, das decisões reprodutivas e da negociação conjugal da fecundidade. Atualmente coordena o projeto de investigação "O duplo adiamento: as intenções reprodutivas de homens e mulheres depois dos 35 anos".
PAP0422 - “Verdade biológica”, género e parentalidade: representações de mulheres e homens sobre testes genéticos de paternidade ordenados por tribunais
Em Portugal, o Estado desencadeia uma investigação de paternidade compulsória sempre que é registada uma criança nascida fora do casamento que não tem o nome do pai na certidão de nascimento. Neste contexto, é cada vez mais frequente que os tribunais recorram à realização de testes genéticos para apuramento da paternidade biológica, o que projeta uma conceção biologista do parentesco, que pode ou não servir de base ao exercício da parentalidade.
Esta comunicação discute as implicações que a genética pode produzir na configuração de família e da parentalidade, a partir das representações sobre os testes genéticos ordenados por tribunais, da parte de mulheres e homens envolvidos em investigações judiciais de paternidade, com o objetivo de mapear os impactos das diferenças e desigualdades de género nas percepções das responsabilidades, direitos e deveres parentais que decorrem do apuramento da “verdade biológica” da paternidade. Com base em 22 entrevistas em profundidade pretende-se (1) avaliar as experiências pessoais quanto ao funcionamento dos tribunais em casos de investigação de paternidade; (2) analisar as sensações e conhecimentos sobre os procedimentos associados à realização do teste de DNA, incluindo os respetivos resultados; (3) apreender a evolução das expectativas de parentalidade construídas desde a gravidez até conhecer o resultado do teste de paternidade; e (4) compreender a percepção de processos de avaliação social e descrição do apoio familiar.
A discussão dos resultados parte de uma perspetiva teórica que conjuga os conceitos de género e parentalidade, com os conceitos de genetização das relações sociais e de biocidadania. Os resultados obtidos apontam para configurações complexas entre relações de género e ideologias de parentesco baseadas na genetização da paternidade e moralização da maternidade. Os discursos produzidos reafirmam desigualdades de género, apoiadas na naturalização da maior sobrecarga da mulher nos cuidados aos filhos e numa relativa desresponsabilização financeira e afetiva da parte dos homens. Conclui-se que a biotecnologia, ao permitir atingir a “verdade biológica” da paternidade, produz também efeitos na configuração dos papéis e das identidades parentais e reproduz desigualdades de género que vulnerabilizam os direitos das crianças sem pai legalmente reconhecido, mas também das mães e dos pais biológicos.
- MACHADO, Helena

- BRANDÃO, Ana Maria

- FARIA, Alessandra

- SILVA, Susana

Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt
Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.
Ana Maria Brandão
anabrandao@ics.uminho.pt
Ana Maria Brandão é professora auxiliar no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho e Investigadora Integrada do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Doutorada em Sociologia pela Universidade do Minho, com uma tese intitulada “«E se tu fosses um rapaz?» Homo-erotismo feminino e construção social da identidade”. Os seus interesses de investigação centram-se na análise dos processos de construção identitária na modernidade, privilegiando a interseção entre sexualidade e género.
Alessandra Faria
alessandrafaria@ces.uc.pt
Alessandra Faria é investigadora Júnior do Centro de Estudos Sociais. É mestre em Sociologia pela Universidade do Minho, com uma tese sobre representações de género entre mulheres chefes de famílias monoparentais empobrecidas. É também pós-graduada em Educação Sexual pela Universidade Salesiana de São Paulo (Brasil). Os seus interesses de investigação centram-se no estudo das relações de gênero, da parentalidade e da educação em sexualidade em âmbito formal e informal privilegiando a abordagem intersecional através da observação do cruzamento do gênero com a raça/etnia e a classe social.
Susana Silva
susilva@med.up.pt
Susana Silva, doutorada em Sociologia, é investigadora auxiliar no Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, exercendo as suas atividades no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). Na investigação privilegia o estudo da compreensão pública da biotecnologia e da saúde e dos usos sociais das tecnologias reprodutivas e genéticas. Participa em diversos projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, destacando-se a coordenação de estudos sobre as decisões dos casais em torno do destino dos embriões criopreservados e papéis parentais e conhecimento em unidades de cuidados intensivos neonatais. Tem publicações recentes em revistas internacionais, como a Sociology of Health & Illness; Health; Health, Risk & Society; PLoS ONE; Journal of Biomedicine and Biotechnology; Forensic Science International; New genetics and society; e BioSocieties.