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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
Windows XP ou superior.
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Espaço»

PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares”
Resumo de PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares” PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares”
PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares”

Partimos das noções de “não-lugares” (Marc Augé) e “espaços de fluxos” (Manuel Castells) para pensar a cidade contemporânea. Seguindo Marc Augé a cidade hoje convive com uma série de “riscos”: de uniformidade (semelhança entre espaços), extensão (generalização do urbano) e de implosão (guetização dos bairros). O seu crescimento, associado ao aumento de circulação, da comunicação e do consumo, implica cada vez mais a construção de “não-lugares”: auto-estradas, grandes supermercados, centros comerciais, aeroportos, etc. Trata-se, segundo Augé, de espaços físicos que vão modelar novas formas de interacção assentes numa “contratualidade solitária”. Manuel Castells no seu livro A sociedade em rede, vai analisar a nova lógica espacial, resultante da interacção entre tecnologia, sociedade e espaço, denominando-a o "espaço de fluxos" (que se constitui a partir de um conjunto de serviços avançados: finanças, seguros, bens imobiliários, projectos, marketing, e inovação científica, etc.). Esse "espaço de fluxos" opõe-se à organização espacial historicamente enraizada, a que Castells chamou o "espaço dos lugares". Aproximando o “espaço de fluxos” dos “não-lugares”, procuraremos pensar a forma como uma certa organização espacial, determina ou não, o processo de interacções sociais. Como último ponto analisaremos o papel da arquitectura na construção dos “lugares” e não-lugares” na cidade contemporânea. Segundo Josep Maria Montaner a sensibilidade da arquitectura contemporânea em relação ao lugar (enquanto um espaço empírico, concreto, existencial e delimitado) é um fenómeno recente. A relação da arquitectura com o lugar tem a ver com a cultura organicista desenvolvida na obra de Frank Lloyd Wright e as propostas dos arquitectos nórdicos encabeçados por Alvar Aalto. Para os autores mencionados: Marc Augé, Manuel Castells e Josep Montaner, a arquitectura contemporânea é uma arquitectura não-histórica e não-cultural. Castells chama a esta arquitectura "arquitectura da nudez" – "a sua mensagem é o silêncio", Marc Augé uma arquitectura dos não-lugares” e Montaner refere que ela se enquadra numa multiplicidade de espaços (mediáticos, não-lugares, ciberespaço), representando um espaço de solidão de incomunicação entre os indivíduos. No entanto, os três autores mantêm presente a possibilidade de outras dinâmicas.
  • SÁ, Teresa CV de SÁ, Teresa
Teresa Vasconcelos e Sá, licenciada em Sociologia (ISCTE), mestre em Planeamento Regional e Urbano pela Universidade Técnica de Lisboa e doutorada na área de Sociologia do trabalho pelo ISCTE. Lecciona actualmente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa as disciplinas “Antropologia do Espaço”, “Sociologia da Cidade e do Território” e “Sociologia da Moda”.
Desenvolve investigação nas áreas da sociologia do trabalho e do território.

PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba
Resumo de PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba
PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba

São nos espaços da cidade, moldados a partir dos usos e apropriações cotidianos que a vida se efetiva, como produto das relações sociais, da acumulação histórica e da tecedura realizada no presente. Nessa relação, o “velho” e o “novo” são elementos que constituem esse cenário, resultante das construções das sucessivas gerações. A praça é vista como exemplo dessa relação, pois consiste em um espaço fértil de possibilidades de convivência urbana. No rastro dessas considerações, surge o presente estudo sobre a apropriação e sociabilidade na Praça Tomé de Sousa, localizada na cidade de Salvador-Ba, tendo como enfoque precípuo a relação especial entre o cinema e a praça, no que diz respeito ao espaço das práticas de exibição da arte cinematográfica. As exibições de filmes em praças viabilizam um modo peculiar de apropriação que ocorre desde os primórdios do cinema. Atualmente no Brasil pululam projetos dessa natureza, que visam a apresentação da sétima arte à grande parcela da população que não tem acesso às salas convencionais de projeção. Nesse particular o Projeto Cinema na Praça, realizado em Salvador, torna-se a referência empírica desse trabalho. Esse caminhar revela o fascínio que essa grande arte vem tecendo ao longo dos tempos, atraindo e encantando multidões. O cinema toca de modo especial as pessoas, despertando afetos e isso se reverbera em múltiplas práticas sociais. No tocante a esse trabalho, destaca-se mormente as projeções em praças, iniciativas que tornam possíveis assistir a filmes coletivamente. Para realização do trabalho levou-se em consideração os relatos dos freqüentadores das sessões de cinema na Praça, das pessoas envolvidas da equipe dos projetos de cinema e cineastas. Para a feitura do trabalho, afora a revisão bibliográfica, realizou-se observações participantes na Praça Tomé de Sousa, entrevistas semi-estruturadas com pessoas envolvidas com projetos de exibição e freqüentadores das sessões de cinema na Praça. Também investigação em jornais e revistas impressos e na Internet, além de fontes documentais e iconográficas. O registro fotográfico apresenta-se como importante contributo ao trabalho de campo. A pesquisa desenvolve-se, portanto, a partir da compreensão de que são as práticas sociais, que tornam possíveis os usos e apropriações dos espaços. Nessa perspectiva a praça surge como um locus privilegiado onde afloram-se possibilidades de múltiplas manifestações que as práticas sociais podem engendrar.
  •  SILVA, Alzilene Ferreira da CV - Não disponível 

PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se encontram à distância de um clique.
Resumo de PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se  encontram à distância de um clique. PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se  encontram à distância de um clique.
PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se encontram à distância de um clique.

A morte, ou mais precisamente, a consciência da morte, constitui fundamento essencial para o fundamento da vida. Se o homem não tivesse consciência da morte, se não concebesse a ideia da sua finitude, a vida (e logo a vida social também), perderiam muito do seu significado. Surgindo como forma do homem alcançar e atribuir alguma ordem e sentido à força caótica da natureza, a cultura humana toma, no que se refere às atitudes face à morte e à memória dos mortos, um forma especial. É na certeza da sua morte física que o homem desenvolve as mais diversas formas culturais, simbólicas e materiais, que procuram impedir que um dia, sendo morto, os ainda vivos se esqueçam dele. É através da memória que o homem mantém presentes aqueles que já morreram, dando forma à concepção conteana de humanidade, que contemplava não só aqueles que estão vivos como aqueles que já morreram e todos os que hão-de vir. Mas à semelhança do que acontece nas restantes esferas sociais, os regimes de memória vão sendo alterados. Numa longa história que se materializou em obeliscos, pilares, pirâmides, monumentos, túmulos, estátuas, jazigos, capelas, nos quais os seres humanos também quiseram geralmente inscrever palavras, informações e mensagens, e que o mundo moderno acrescentou técnicas de comunicação como os jornais, notícias e anúncios, assiste-se agora a uma outra sequência estimulada pelas novas tecnologias da informação. Estas têm feito irromper novos rituais, formas cerimoniais, códigos de rememoração e inclusivamente modalidades de reunião dos mortos no mundo dos vivos através do manto da “tele-presença” e de um impedimento aparente do corte da comunicação. No mundo virtual, através das redes sociais, memoriais on-line, blogs e cemitérios virtuais, os novos suportes de memória suscitam questões variadas, uma vez que permitem, como nenhum outro, a perpetuação da ilusão da presença daquele que já morreu. Através de dispositivos de imagem, movimento e som, através da manutenção e dinamização das suas páginas no facebook, o encontro com os mortos faz-se, já não por meio da tradicional visita aos cemitérios (muitos dos corpos são hoje cremados e as cinzas volatilizadas), mas no espaço virtual, através do écran do computador.
  • MENDES, Ana Celeste CV de MENDES, Ana Celeste
Ana Celeste Mendes é licenciada em Comunicação Social e Cultural pela
Universidade Católica Portuguesa, Pós Graduada em Jornalismo pelo
ISCTE, Mestre em Comunicação Cultura e Tecnologias da Informação pelo
ISCTE e Doutoranda em Sociologia no CIES-ISCTE. Bolseira da FCT,
tem-se dedicado, sobretudo, ao estudo das questões sociais ligadas à
morte e ao morrer na sociedade contemporânea. Lecciona Sociologia da
Saúde da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa.

PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil
Resumo de PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil  PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil
PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil

A comunicação está baseada em trabalho que explora as intersecções entre as estratégias de legitimação do alto clero católico – em especial, a aquisição de novos e mais diversificados recursos culturais e a internacionalização dos quadros dirigentes – e as redefinições dos discursos e dos modos de exercício da autoridade católica no Brasil nas últimas cinco décadas. Para tanto, a partir de informações biográficas relativas aos bispos brasileiros em exercício e daqueles que compuseram as presidências da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB) desde sua fundação, o estudo privilegia dados relativos a seus itinerários sociais e profissionais, com destaque aos recursos escolares e culturais acumulados, às carreiras e às estratégias de elaboração e apresentação de discursos institucionais a públicos variados. A problemática combina três níveis de análise: a) a realização de estudo morfológico sincrônico do episcopado brasileiro na atualidade; b) a análise diacrônica dos padrões de recrutamento para os postos centrais da CNBB; e c) a comparação entre trajetórias, recursos e tomadas de posição de bispos em contextos socioculturais diversos. Acredita-se que o trabalho avança, assim, na demonstração de correspondências entre as redefinições dos mecanismos de legitimação da autoridade religiosa; as experiências, competências culturais e destinos dos agentes no conjunto de posições que compõem a alta esfera católica; e as novas modalidades de intervenção dos especialistas da Igreja em um mercado religioso crescentemente competitivo, no qual o catolicismo tem perdido na distribuição dos bens culturais e da salvação, sobretudo frente a denominações neopentecostais. Os resultados apontam a imposição de novos recursos culturais e escolares, com destaque a um capital internacional de competência e de relações, dentre as estratégias de legitimação da Igreja nas disputas no espaço de poder. Os sérios investimentos na dotação de novas e diversificadas formas de competência religiosa do alto clero brasileiro a partir dos anos 70 deixam claro um expediente institucional ancorado na esfera escolar (religiosa e “profana”), especialmente nos canais de formação intelectual via internacionalização. A meio caminho entre funções estritamente intelectuais e tarefas administrativas, os bispos enfrentam desafios de ordem múltipla: adaptar-se a sociedades com novas estruturas e formas de viver, produzir discursos de temática variada, complexa e mutável, fazer frente aos novos dados da competição religiosa e garantir sua legitimação dentro das lutas pela dominação simbólica. Tudo indica que Roma continua a ser peça fundamental nessas engrenagens a produzir religiosos mais e melhor diplomados, com acúmulo de experiências no exterior e culturalmente mais versáteis.
  •  SEIDL, Ernesto CV - Não disponível 

PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer
Resumo de PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer  PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer
PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer

Este estudo constituiu um dos eixos temáticos do projeto de pesquisa: “Usos do tempo livre na Vila Holândia: o lugar das práticas corporais”, do Grupo de Estudos e Pesquisa em Políticas Públicas e Lazer da UNICAMP/São Paulo/Brasil. Por meio de uma abordagem etnográfica olhamos as ruas da Vila Holândia, Campinas - SP, observando seu cotidiano nos períodos de férias escolares, nos feriados e aos finais de semana que é permeado pelas conversas entre vizinhos, pelas brincadeiras das crianças e pelo encontro, principalmente de homens, no entorno do bar. Ouvindo pessoas e/ou grupos que fossem significativos para identificarmos como ela é um lugar de fruição do lazer e como os moradores (re)criam os espaços pela apropriação e sociabilidade. As ruas servem como limite definidor de um determinado território que estrutura mapas e orienta a organização social do espaço, para nossa análise também a compreendemos como um lugar significativo de socialibilidade (SIMMEL, 1986), apropriação do espaço (POL, 2005) e de práticas de lazer (SMOLKA, 2000). A condição da vida comunitária na Vila Holândia compreende a tensão entre as tendências das recentes formas de urbanização e a relação histórica e cultural das formas tradicionais. Assim, encontramos evidências que permitem dizer que a riqueza das experiências da rua ainda resiste ao processo de urbanização das cidades. Entretanto, reconhecemos a tendência da dinâmica das formas de urbanização como perigosas para sociabilidade nos espaços públicos, principalmente na rua. Elas formalizam as experiências da rua pela regulação dos mecanismos institucionais do legislador alheio às representações locais, como também fragmenta as interações do tecido social. Nas experiências da rua, os sujeitos compartilham o espaço público, materializam a convivência social e estabelecem vínculos afetivos. No cotidiano da rua identificamos a perpetuação das formas de apropriação e sociabilidade subvertendo a idéia da rua como local de violência, insegurança e medo para lugar de resistência social e cultural. É possível afirmar que no Brasil a dinâmica da vida comunitária nas ruas ainda reconfigura a ocupação e usos dos espaços públicos.
  • LOPES, Carolina Gontijo CV de LOPES, Carolina Gontijo
  • AMARAL, Sílvia Cristina Franco CV de AMARAL, Sílvia Cristina Franco
Carolina Gontijo Lopes

Graduada em Educação Física e especialista em Pedagogia do Esporte Escolar pela Universidade Estadual de Campinas e mestre em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou em políticas de esporte e lazer municipais, em instituições não governamentais e em escolas públicas. Possui interesse de investigação em políticas públicas de lazer; práticas culturais no tempo livre; espaço urbano e atuação profissional.
Sílvia Cristina Franco Amaral

Possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (1989), mestrado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (1995) e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (2003) e Livre-docente pela FEF-UNICAMP (2011). Atualmente é docente da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas e coordenadora do Grupo de Política Pública e Lazer. Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Lazer e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: lazer, política pública, cultura corporal, educação física e esporte.

PAP1353 - Espaços semipúblicos de bebidas e de bebidas e/ou restauração: plano de ação e percurso metodológico subjacente à seleção de plataformas empíricas
Resumo de PAP1353 - Espaços semipúblicos de bebidas e de bebidas e/ou restauração: plano de ação e percurso metodológico subjacente à seleção de plataformas empíricas PAP1353 - Espaços semipúblicos de bebidas e de bebidas e/ou restauração: plano de ação e percurso metodológico subjacente à seleção de plataformas empíricas
PAP1353 - Espaços semipúblicos de bebidas e de bebidas e/ou restauração: plano de ação e percurso metodológico subjacente à seleção de plataformas empíricas

Qualquer trabalho de natureza científica exige considerável clarificação quanto aos processos adoptados para o implementar, tendo em vista o tipo de outputs que, em termos de respostas, se pretendem alcançar. A comunicação que nos propomos apresentar resultou de um trabalho de investigação decorrido em espaços semipúblicos portuenses associados ao vinho, tendo contado com um conjunto articulado de múltiplas estratégias metodológicas com vista a um maior conhecimento da realidade em estudo. Tentar conhecer a realidade passa, precisamente, por um processo de construção dessa mesma realidade, à qual não é alheia nem a perspectiva de abordagem nem a prática acional adotadas. Assim, esteve presente um traçado metodológico tão rigoroso quanto a própria pesquisa o permitiu. Nesse sentido, para evitar arbitrariedades e garantir o rigor sociológico exigido pela ciência, elaborámos, meticulosamente, um plano de ação e um percurso metodológico conducentes à seleção de plataformas empíricas para recolha de informação. Nesta comunicação propomo-nos, por conseguinte, apresentar o processo de construção da amostra de espaços semipúblicos associados a consumos vínicos, incidindo particularmente em três etapas: i) delimitação do universo no espaço geográfico circunscrito ao estudo; ii) construção de uma tipologia dos estabelecimentos inseridos nos Centros Históricos do Porto e de Vila Nova de Gaia; iii) seleção das plataformas de observação empírica para um estudo focalizado nos consumos vínicos.
  • MAGALHÃES, Dulce Maria da Graça CV de MAGALHÃES, Dulce Maria da Graça
Nome, - Dulce Maria da Graça Magalhães

afiliação institucional - Faculdade de Letras da Universidade doPorto

área de formação - Sociologia

interesses de investigação - Sociologia das classes sociais, sociologia da Educação e sociologia do consumo

PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias
Resumo de PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias
PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias

Tendo como referência a noção sociológica de espaço, cotejada das pesquisas de Jean Remy na Universidade de Lovaina (Bélgica), este trabalho discute estilo de vida, modos de apropriação e formas de espacializações em “cidades intermediárias”. Procura estabelecer uma comparação da noção que se tem do conceito intermédiarie, tanto em Portugal como no Brasil, considerando seu aspecto primordialmente interpretativo (Gault, 1989). No entanto, ao estudar espacializações do social, tendo como referência a noção de “cidade intermediária”, nossa análise assimila uma situação concreta, como propõe Jean Remy (1992) – juntamente com Liliane Voyé –, quando desenvolve sua interpretação de espaço e de transacção social. A cidade é, por excelência, o lugar onde indivíduos vários, embora permanecendo distintos uns dos outros, encontram entre si possibilidades múltiplas de coexistência e de trocas mediante a partilha legítima de uma “unidade social”. O espaço surge como lugar de convergência onde se detecta facilmente a presença de atores diferentes, que participam na vida cotidiana da transacção social. Na cidade, as configurações dos espaços sociais são ambíguas, onde a construção de um estilo de vida moderno, no contexto binário rural/urbano, caracteriza-se pelo hibridismo cultural – refratário e acessível, concomitante, ao que ainda é considerado “local” e “estrangeiro”, “tradicional” e “moderno”, paradoxalmente. Em meio a contrastes e similaridades, no dia a dia a estética da cidade suscita formas “tradicionais” e “modernas” de vida social, cuja visibilidade pública se reproduz nos estilos de habitação e ocupação dos espaços urbanos. Como “situação concreta”, a referência empírica é uma cidade brasileira que consideramos “intermediária”, Montes Claros, a maior aglomeração urbana de Minas Gerais localizada na interseção Sudeste/Nordeste do país, onde se verifica intensa mobilidade espacial, difusa e generalizada. Concomitante, identificamos alguns estudos realizados em Portugal que aplicam o conceito de “cidade intermediária”, formulado por Michel Gault. O nosso interesse é discutir a pertinência prática do conceito – apesar de contextos diferenciados de cada cidade – por considerar que a expansão urbana atinge proporções históricas e universais. Entende-se que o estudo do fenômeno urbano, suas dinâmicas sócio-culturais e mobilidades passam pela construção de um paradigma sociológico que extrapole a visão funcionalista do “urbanismo”, cuja interpretação de urbanização e posições intermédias das cidades é definido como processo que integra a mobilidade/fluxo regional, não apenas de pessoas e de bens, mas também de mensagens e de idéias na vida cotidiana.
  • CARDOSO, Antonio Dimas CV de CARDOSO, Antonio Dimas
CARDOSO, Antônio Dimas

É bacharel e especialista em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES (Brasil), mestre e doutor em Sociologia, com tese sobre ação coletiva e arranjos corporativos, no Centro de Pós-Graduação sobre as Américas, na Universidade de Brasília (UnB/Brasil). Atualmente, está realizando projeto de pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa/UNL, Portugal, com investigação sobre "Modos de Apropriação de Espaço", no estudo da Sociologia de Jean Rémy. É professor efetivo da Universidade Estadual de Montes Claros (Brasil), na Graduação em Ciências Sociais, onde ministra cursos de Sociologia Urbana, e no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social. Possui experiência como sociólogo em Administração Pública, com atuação em projetos de geração de trabalho e renda e apoio às atividades produtivas, além de atuar como gestor público em planejamento de cidade média no Brasil, implementando programas de governança democrática.

PAP0126 - O Ambiente e a Sociedade Rural de São José dos Ausentes nos Campos de Cima da Serra, Brasil
Resumo de PAP0126 - O Ambiente e a Sociedade Rural de São José dos Ausentes nos Campos de Cima da Serra, Brasil PAP0126 - O Ambiente e a Sociedade Rural de São José dos Ausentes nos Campos de Cima da Serra, Brasil
PAP0126 - O Ambiente e a Sociedade Rural de São José dos Ausentes nos Campos de Cima da Serra, Brasil

O Brasil tornou-se um destino turístico competitivo e consolidado. Isso se deve aos segmentos turísticos ofertados, entre eles, o rural. A partir do inventário das propriedades rurais do município de São José dos Ausentes (região dos “Campos de Cima da Serra”, Rio Grande do Sul, Brasil), as quais desenvolvem atividades turísticas no espaço rural, a pesquisa analisou de que maneira os proprietários rurais e a comunidade local usufruem do ambiente para desenvolver as atividades não agrícolas. A pesquisa foi dividida em duas etapas: a primeira, de caráter exploratório, constituiu-se no levantamento do número das propriedades rurais ali existentes; a segunda, na aplicação de questionário (perguntas fechadas). A investigação, de caráter censitário, foi realizada entre os meses de outubro de 2010 e janeiro de 2011. Os dados foram coletados junto a nove propriedades rurais, que vislumbram, na atividade turística, a oportunidade de desenvolver atividades não agrícolas como forma de ampliar as respectivas receitas. A extensão territorial de São José dos Ausentes é de 1.176,7 km², e a população total é de 3.290 habitantes, sendo 1.228 na zona rural. Seu bioma é caracterizado pela Mata Atlântica e seu clima é subtropical. A paisagem da região é marcada por coxilhas e araucárias. No que se refere às características dos proprietários dos empreendimentos que praticam turismo no espaço rural, 55,6% são homens, 33,3% possuem o ensino médio completo, 88,9% são casados ou estão em uma união estável, 88,9% possuem filhos, e 77,7% residem na própria propriedade. Atualmente, 33,3% das propriedades encontram-se na terceira geração, sendo que uma delas está há sete gerações na mesma família. As propriedades possuem extensões territoriais bastante variadas: 66,7% possuem menos de 101 hectares. Em 44,4% há cachoeiras ou cascatas, como é o caso da cachoeira formada pelo desnível dos rios Divisa e Silveira, um atrativo natural que se constitui que correm paralelamente e em determinado ponto dos seus cursos, com uma queda d’agua. Há também oito propriedades (88,9%) que autorizam a pesca, diferentemente da caça, que é proibida em todas elas. A propriedade que mais tempo se dedica ao turismo está há 15 anos no setor. Entendemos que existe uma consciência ambiental por parte dos proprietários rurais dessa região, contribuindo para a preservação do bioma Mata Atlântica, e, ao mesmo tempo, assegurando a continuidade da atividade turística nesse espaço rural.
  •  SPINDLER, Magda Micheline CV - Não disponível 
  •  VALENTINI, Andiara de Souza CV - Não disponível 
  •  SANTOS, Eurico de Oliveira CV - Não disponível 

PAP1453 - O espaço público da cidade competitva: lazer e mobilidade; inclusão e exclusão
Resumo de PAP1453 - O espaço público da cidade competitva: lazer e mobilidade; inclusão e exclusão PAP1453 - O espaço público da cidade competitva: lazer e mobilidade; inclusão e exclusão
PAP1453 - O espaço público da cidade competitva: lazer e mobilidade; inclusão e exclusão

Em 1948, o plano diretor de Lisboa definiu a criação, na região oriental da cidade, de uma zona industrial associada ao porto. Ao longo do século XX, essa região foi também sendo utilizada como abrigo de políticas habitacionais destinadas à população de baixa renda (Gato 1997). Com a desativação e obsolescência de parte das indústrias e a viragem da economia portuguesa para o setor terciário/quaternário (Matias Ferreira e outros, 1997), a região oriental foi se consolidando como uma periferia social. Tais condições justificaram que a zona fosse escolhida para abrigar a Exposição Mundial de 1998, dada como trunfo para tornar Lisboa mais competitiva. A consecução desse objetivo dependia também do sucesso de um projeto de reurbanização que visava constituir ali a "nova centralidade" da capital portuguesa e um de seus principais pontos turísticos. A administração divulga hoje que o perímetro é visitado por 20 milhões de pessoas ao ano ante uma população residente de 25 mil. A gestão do território, batizado de Parque das Nações, é mais distante do poder local e mais próxima do Governo Central, acionista majoritário da empresa criada para realizar a intervenção e fazer a gestão urbana. Apresentamos aqui os resultados de uma investigação dos espaços públicos do Parque, realizada por meio de observação direta, entrevistas não-estruturadas e análise de documentos. Descrevemos como o urbanismo adotado no Parque combina o favorecimento à circulação – uma característica da modernidade (Foucault, 2007) - com a valorização do lazer - uma característica do urbanismo e do modo de vida urbano atuais (Baptista, 2004). Tal combinação é uma estratégia para ancorar temporariamente o indivíduo nos espaços públicos, permitindo que esses sejam uma ferramenta de competitividade urbana por ajudarem a atrair a massa permanente de população cambiante (Martinotti, 2005) necessária à ocupação do Parque. Demonstramos então como essa concepção de espaços públicos envolve exclusão de algumas formas de ocupação mas também pela própria inclusão, ainda que condicionada, de outras. Assim, para analisar como se dá a organização das ocupações, é necessário recorrer a uma dinâmica que apreendemos pelo conceito de "processos de inclusão e exclusão". Há uma expressiva negação, pela administração, da exclusão de qualquer indivíduo, o que é condizente com a ideia de que o espaço público deve ser acessível. Uma ideia que condiz com a ficção igualitária da modernidade (Martucelli, 2002).
  • PEREIRA, Vitor Sorano CV de PEREIRA, Vitor Sorano
Graduado em comunicação e mestre em Sociologia, é jornalista do diário O Globo (Brasil), e investigador colaborador do Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa-UNL/Cesnova (Portugal). Entre 2007 e 2009, foi repórter investigativo de administração local e urbanismo na cidade de São Paulo (Brasil). Com a dissertação “Para o 'cidadão em abstracto': a produção de espaços públicos na cidade reurbanizada”, concluiu o mestrado em Sociologia, linha de especialização Território, Cidade e Ambiente, pela UNL. Apresentou a comunicação “Inclusão e exclusão: a suave e fragmentária organização do espaço de uso público consumível” (Sicyurb/2011). Entre os interesses de pesquisa está a relação entre o lazer e a mobilidade, como competências de indivíduos e características de ações, com a mobilização, a participação cívica e o urbanismo.

PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade
Resumo de PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade
PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade

Nos últimos 15 anos o tema das Agriculturas Urbanas (AU’s) adquiriu grande relevância, bem como reconhecimento social e político pelas suas potencialidades socioeconómicas e ambientais, para diferentes actores: governos locais, regionais e nacionais; agências de cooperação internacional; movimentos sociais; organizações do chamado terceiro sector e centros de investigação científica. Apesar de ser uma prática milenar, o recente contexto sociopolítico formado em torno da problemática das AU’s, tem provocado a necessidade de se revisitar diferentes tradições do pensamento sociológico e da história social sobre a cidade e os fenómenos urbanos. Alguns destes fenómenos actuais se sobrepõem às dimensões de agriculturas urbanas pós 1970 em diferentes contextos dos hemisférios norte e sul, lançando o desafio para uma construção conceitual holística e para o aprimoramento de quadros analíticos que rompam com uma abordagem simplista e dicotómica. O contexto português, considerado periférico em relação aos demais países da União Europeia e semi-periférico no quadro do sistema mundial, torna-se metodologicamente (e epistemologicamente) estratégico para se discutir as práticas vividas no território que estão fora das “best practice”. As experiências portuguesas sugerem diferentes discussões contemporâneas a partir da escala urbana, circunscritas no território da Cidade, ao exemplo do Direito à Cidade e suas premissas, a questão da soberania alimentar e a incorporação de políticas de agriculturas urbanas no discurso das cidades sustentáveis (PNUD – Programa Habitat II). Considerando este contexto propomos uma analise critica sobre a distribuição socio-espacial das políticas públicas de hortas urbanas criadas e surgidas nos últimos anos, em particular na Grande Lisboa, onde a ocupação do espaço urbano pela sociedade e o cultivo de hortas são transversais à sua história, numa trajectória que compreende urbanização e práticas de agricultura. A análise desses dois espaços – o das hortas institucionalizadas e o das hortas não planeadas – sugere outros elementos para possíveis compreensões da sociedade urbana contemporânea. Para além do paradigma da cidade (i)legal, esta análise aponta para os elementos que reflectem as vivências formadas no território e que despertam valores associados aos espaços de produção, ao direito à moradia e ao conjunto de elementos situados ao seu entorno e à própria cidade. Palavras-chave: agriculturas urbanas, Área Metropolitana de Lisboa, políticas públicas, espaço urbano não planeado e sociedade.
  •  LUIZ, Juliana CV - Não disponível 
  •  VERONEZ, Leonardo CV - Não disponível 

PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo
Resumo de PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo
PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo

Nos últimos tempos, o skate ganhou demasiada visibilidade de modo que até mesmo muitas emissoras de TV passaram a dá-lo um espaço considerável em suas programações. Essa espetacularização faz com que eventos sejam patrocinados por diversas marcas, que buscam divulgar seus produtos para um público mais amplo, tendo o skate como carro-chefe de uma série de atrações. Mas todos esses aspectos não se aplicam a esse universo em sua amplitude. Por ser uma prática tipicamente urbana, o skate vive seus momentos de disputas, de diálogos, de repressões, principalmente quando associado à utilização de equipamentos urbanos. Entre as várias modalidades que fazem parte do skate, uma delas sempre é alvo de problemas que envolvem uma série de atores sociais: trata-se do street skate, ou seja, a prática do skate nas ruas. Os streeteiros, como se denominam os skatistas desta modalidade, incentivados pela mídia especializada transitam pela cidade, mas, com um olhar apurado para certos equipamentos urbanos, que são vistos como obstáculos a serem superados. A cidade é classificada de uma forma bem diferenciada do usual por eles, que as interpreta a partir de códigos e experiências próprias. Para os streeteiros, andar de skate nas ruas pode se constituir ora como um trabalho, ora como uma diversão. Mas, para as outras pessoas, esta prática pode configurar uma arruaça ou um ato de vandalismo. Numa possível tentativa de disciplinar a prática do skate e de estimular o seu uso em locais apropriados (como nas pistas), o poder público promove algumas ações, como o Circuito Sampa Skate, evento que consiste em uma série de campeonatos. A pesquisa parte da análise dos múltiplos sentidos atribuídos à prática da modalidade street skate na cidade de São Paulo. Por meio da etnografia pretende-se evidenciar não só aspectos em torno do exercício de uma prática esportiva, mas também, as implicações em virtude dos usos e apropriações dos espaços urbanos por parte dos citadinos. De uma forma bem ampla, vislumbra-se mostrar como a cidade pode ser lida e ordenada simbolicamente por meio de um olhar skatista. Nesse sentido, ao pesquisar os diversos lugares skatáveis da cidade e seus respectivos picos, a referência etnográfica não é um único espaço ou aglutinações de pessoas, mas sim, uma multiplicidade de espaços e de atores que se encontram articulados por meio de redes mais amplas de relações. Desse modo, tem-se a chance de relacionar os distintos recortes inseridos no universo do street skate em São Paulo, sendo esse não definido a priori, mas construído a partir de discursos, práticas e representações heterogêneas, e em meio a uma dinâmica relacional.
  • MACHADO, Giancarlo Marques Carraro CV de MACHADO, Giancarlo Marques Carraro
Giancarlo Marques Carraro Machado

Bacharel em Ciências Sociais e mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). É autor da dissertação "De 'carrinho' pela cidade: a prática do street skate em São Paulo". Atualmente faz parte do LUDENS / USP (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Futebol e Modalidades Lúdicas).

PAP1495 - Pequenos e Grandes Dias. Os Rituais na Construção da Família Contemporânea
Resumo de PAP1495 - Pequenos e Grandes Dias. Os Rituais na Construção da Família Contemporânea PAP1495 - Pequenos e Grandes Dias. Os Rituais na Construção da Família Contemporânea
PAP1495 - Pequenos e Grandes Dias. Os Rituais na Construção da Família Contemporânea

Nesta comunicação sintetizamos os principais resultados de uma tese de doutoramento (2011) onde procurámos questionar e discutir o alcance das teorias da desinstitucionalização, individualização e risco enquanto chave explicativa para a compreensão do que é, hoje, a família.Quando aplicadas à família, as teses da desinstitucionalização, individualização e risco desenham um cenário de instabilidade, diluição, fragilidade ou até mesmo desaparecimento (Brannen e Nielsen, 2005). A partir do indivíduo colocam a ênfase no «casal flutuante», na «relação» ou nos «estilos de vida», por oposição a «velhas» categorias sociológicas, agora adjectivadas de «incrustadas» (Giddens, 2000 [1999]: 63), «zombie» (Beck e Beck-Gernsheim, 2002: 204) ou «líquida» (Bauman, 1999). Em alternativa, questionámo-nos sobre o que constrói uma família mais do que aquilo que a torna «efémera», «fluida» e «frágil». Na esteira de David Morgan, conceptualizámos as famílias não por aquilo «que são» ou «para que servem», mas «pelo que fazem». Das várias portas de entrada possíveis escolhemos as «práticas familiares» (Morgan 1996, 1999), especificamente o conjunto das que se enquadram numa categoria maior: os rituais familiares (Bossard e Boll, 1950; Wolin e Bennett, 1984). A opção por «fixar» a família a partir dos rituais, isto é, das práticas que empreendem, combinada com uma abordagem metodológica qualitativa, intensiva e em profundidade permitiu estabelecer e desenvolver o argumento principal desta tese, o de que as teorias da desinstitucionalização, individualização e risco são insuficientes para a compreensão do que é, hoje, a família, e que é necessária uma abordagem mais texturada (Smart, 2005; 2008) que permita captar o seu significado enquanto espaço simultaneamente físico, relacional e simbólico (Saraceno, 1997 [1988]). Por um lado, concluímos que a família, enquanto realidade sociológica, faz os rituais. A um mesmo tempo, estruturas e dinâmicas familiares, contextos sociais de pertença e dinâmicas de género contribuem para definir, moldar e estruturar a constelação de práticas adjectivadas como especiais. Por outro lado, os rituais são também um lugar de construção da família, já que pela conjugação das coordenadas tempo, espaço e emoção servem o propósito de afirmar a suspensão da realidade que as famílias enfrentam: um tempo escasso, um espaço avulso e fragmentado, e uma acção que obriga mais à injunção que à reflexão. Simultaneamente, ajudam a construir o seu oposto: um tempo e espaço especial, atravessado pela sentimentalização e emoção. A força da imagem da família enquanto espaço simbólico radica, assim, no irreal e na efemeridade do «ser família» que os rituais encerram. Em suma, o ritual suspende as divergências e produz um sentido de unidade, também na família, tese que vem confirmar a actualidade de Durkheim no ano em que se assinala o centenário de As Formas Elementares da Vida Religiosa (1912).
  • COSTA, Rosalina Pisco CV de COSTA,  Rosalina Pisco
Rosalina Pisco Costa é professora auxiliar na Universidade de Évora e investigadora no CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade. É licenciada e mestre em Sociologia na área de especialização ‘Família e População’ pela Universidade de Évora. Em 2011, depois de ter sido bolseira FCT, Gulbenkian e Visiting Student no Morgan Centre for the Study of Relationships and Personal Life da Universidade de Manchester, concluiu o Doutoramento em Ciências Sociais (Sociologia) no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com a tese Pequenos e Grandes Dias: Os Rituais na Construção da Família Contemporânea. As suas principais áreas de interesse, investigação e publicação são a família e vida pessoal; tempo social e idades da vida; e, mais recentemente, as questões da ritualização, consumo, memória e imaginário, aplicadas às representações, discursos e práticas n(d)a família contemporânea.

PAP1307 - Porque se mobilizam os professores? Juízos plurais sobre o que é “um bom profissional de ensino”. Análises exploratórias
Resumo de PAP1307 - Porque se mobilizam os professores? Juízos plurais sobre o que é “um bom profissional de ensino”. Análises exploratórias PAP1307 - Porque se mobilizam os professores? Juízos plurais sobre o que é “um bom profissional de ensino”. Análises exploratórias
PAP1307 - Porque se mobilizam os professores? Juízos plurais sobre o que é “um bom profissional de ensino”. Análises exploratórias

A comunicação visa empreender, no quadro da Sociologia Pragmática de Thévenot e Boltanski, uma primeira abordagem ao movimento de contestação dos professores ao Estatuto da Carreira Docente (ECD) aprovado em 2007 enquanto questão intimamente ligada à problemática de juízos morais e políticos plurais sobre “o que é ser professor num contexto de incerteza” nas escolas como arenas públicas. Tendo como pano de fundo a contestação às sucessivas reformas na educação implementadas desde os anos 80, procurar-se-á, à luz do trabalho teórico desenvolvido pelos autores em “De la Justification” e “L’action au pluriel”, apresentar os resultados das primeiras análises de dados empíricos recolhidos (através de fontes documentais e entrevistas realizadas junto de porta-vozes e representantes sindicais dos professores) de forma a compreender que “regimes de justificação” foram mobilizados para justificar as críticas aos princípios de justiça que presidiram à reforma do ECD e para a receptibilidade pública da denúncia como “injustiça” através da referência a “ordens de grandeza de carácter moral e político”. Mediante fontes consultadas, identificaram-se como principais focos de conflito a estruturação vertical da carreira docente, com a criação de duas categorias (“Professor” e “Professor titular”) e a correspondente diferenciação funcional, aliada a uma avaliação de desempenho dos professores com efeitos na progressão na carreira (e limitada por quotas no acesso aos escalões cimeiros). Com esta reforma, os seus responsáveis visavam a instauração de um sistema de avaliação e progressão mais responsabilizador dos professores pelos resultados escolares dos seus alunos (e distinção dos “melhores profissionais”) e uma hierarquização que estimulasse uma maior exigência nas práticas pedagógicas. No entender dos professores, o novo ECD acarreta a introdução de mecanismos de “controlo” que corroem a autonomia e reflexividade que devem pautar a actividade docente e coloca em causa o papel integrador das escolas que só pode ser cumprido por uma concepção do trabalho pedagógico como um esforço colectivo dos docentes de cada estabelecimento de ensino – posto em causa por uma avaliação limitadora da progressão na carreira. À luz do corpo teórico mobilizado, a primeira hipótese a explorar é a de que o novo estatuto assenta numa representação do professor orientada pela lógica da “cité industrial” – concepção da “eficácia” e “direcção” aplicada à acção docente – e pela lógica da “cité mercantil” – a “concorrência” e “competição” mediante um sistema de desempenho limitador da progressão. Em segundo, procura-se demonstrar que as críticas dos professores ao ECD são orientadas pela lógica da “cité inspirada” – a autonomia e inovação na acção pedagógica – e a lógica da “cité cívica” – a solidariedade cívica entre os professores em prol da igualdade de oportunidade entre os alunos e o combate à exclusão escolar.
  •  RESENDE, José Manuel CV - Não disponível 
  • GOUVEIA, Luís CV de GOUVEIA, Luís
Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Doutorando na mesma instituição desde 2011. Bolseiro de Investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia com o projecto intitulado "Porque se mobilizam os professores? Representações colectivas e coordenações de acções públicas dos professores do Ensino Básico e Secundário em função de juízos plurais sobre o que é um bom profissional de ensino".

PAP1230 - Processo de socialização e construção de identidades profissionais: um estudo a partir de narrativas biográficas de trainees de uma multinacional brasileira
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PAP1230 - Processo de socialização e construção de identidades profissionais: um estudo a partir de narrativas biográficas de trainees de uma multinacional brasileira

Um dos grandes desafios da juventude nos dias atuais é em relação à angustia quanto às possibilidades de inserção e realização profissional. Os dados demográficos no Brasil retratam um paradoxo: existe um contingente de profissionais no campo da Administração (estudantes, recém formados, pós-graduados, profissionais de carreira) em busca de uma oportunidade, no entanto, existe também uma demanda por profissionais que correspondam aos objetivos cada vez maiores das organizações e às exigências dos espaços ocupacionais. A cobiça por uma carreira diferenciada conduz milhares de jovens aos “Programas Trainnes” das grandes corporações. São programas altamente concorridos e desenhados para “encontrar” os talentos em potencial para ocupar posições de liderança no presente e/ou no futuro. Os estudos sociológicos demonstram que esses talentos não se fizeram apenas ao longo do processo de escolarização, tão pouco parece limitado pensar e acreditar que nasceram com atributos que os distinguem. Os estudos de Dubar(2005), Dubet (1994) Elias (1994) demonstram que os indivíduos se constituem profissionalmente ao longo do processo de socialização e de suas experiências sociais. A formação e conservação da identidade é um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade, portanto, determinados pela estrutura social. Estas duas dimensões caracterizam o que Dubar (2005) tipifica como processo biográfico e processo relacional. Este trabalho tem como objetivo compreender o processo de construção da identidade de profissionais de trainees, atuantes numa multinacional brasileira a partir da identificação de regularidades e singularidades no processo de socialização e quais estratégias são/foram desenvolvidas para reconhecimento dessa identidade no campo profissional. Metodologicamente, para compreender o processo de construção da identidade profissional é importante olhar para a história de vida do sujeito, porque de acordo com Dubar (2005, p.150) quando olhamos para os jovens, a criação de estratégias pessoais e de representações de si pode ter grande peso no desenvolvimento futuro da vida profissional. Os dados empíricos são oriundos de narrativas biográficas obtidas por meio de entrevistas semi-estruturadas, intensivas e em profundidade, com quatro (duas moças e dois rapazes) dos vinte e um jovens que ingressaram na corporação pelo Programa Trainee 2010. A “análise dos mundos” na história de vida dos indivíduos por meio de sua própria narrativa possibilitou identificar as distinções que apresentam em suas identidades profissionais oriundas dos espaços de socialização primária e secundária. Palavras-chave: Socialização; Identidade profissional; Espaço Ocupacional; Programa Trainee
  • CUNHA, Marciano de Almeida CV de CUNHA, Marciano de Almeida
  •  SOBRAL, Mariana Cristina Tosta CV - Não disponível 
  •  SOARES, Gabrielle Tosin CV - Não disponível 
Marciano de Almeida Cunha
Professor da área de Gestão de Pessoas da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR Brasil, atuando nos cursos de graduação e pós-graduação. Doutor em Educação (PUCSP) com estágio sandwich na Université de Montréal - Canadá, Mestre em Administração e em Educação (PUCPR) e formação em Administração e Ciências Biológicas (UEPB). Palestrante e consultor em Desenvolvimento Humano. e profissional. É líder do grupo de pesquisa “Formação e profissionalização no campo das Ciências Sociais Aplicadas”, no qual desenvolve pesquisas vinculado às seguintes Linhas de Pesquisa 1. “Processos de socialização, formação e profissionalização: da escolarização à carreira profissional” e 2. “Impactos de práticas e tecnologias de desenvolvimento profissional nos processos da Gestão de Pessoas e nas estratégias das organizações”. para conhecer mais www.marcianocunha.com.br

PAP0499 - Sentimentos Intensos na Internet: o discurso amoroso da juventude
Resumo de PAP0499 - Sentimentos Intensos na Internet: o discurso amoroso da juventude PAP0499 - Sentimentos Intensos na Internet: o discurso amoroso da juventude
PAP0499 - Sentimentos Intensos na Internet: o discurso amoroso da juventude

Esse trabalho se propõe a analisar sentimentos intensos da juventude, relativos ao campo amoroso, no ambiente das relações virtuais. Tomamos como âmbito de investigação perfis de jovens no site de relacionamento Orkut, escolhidos através de comunidades que tratam ou se referem a temas relativos ao amor, namoro, casamento e “fica” (expressão brasileira para encontros efêmeros). Indagamo-nos: que tipo de emoção se constitui no âmbito dos agenciamentos amorosos mediados pela comunicação na internet? Roland Barthes, no prelúdio de seus “Fragmentos de um discurso Amoroso” enuncia as razões da escolha do que denomina de um “método dramático” – a finalidade é de ouvir o que existe de inatual na voz dos enamorados. Segundo o autor, "Dis-cursus" é, originalmente, a ação de correr para todo o lado, são idas e vindas, démarches, intrigas. Palavras que não devem ser entendidas no sentido retórico, mas no sentido ginástico ou coreográfico de uma maneira muito mais viva, o gesto do corpo captado na ação. Interessa-nos perceber como no considerado espaço “frio” da internet se constituem passionalidades, intensidades amorosas de gestos e sentimentos condensados em palavras. A intensidade representa uma “temperatura da alma” e esboça outra dimensão do tempo, por encarnar, simultaneamente, acontecimento e devir. E por deslocarem-se no espaço no espaço, por não prescindirem do corpo orgânico para atuar como suporte de expressão, os afetos virtuais, podem seguir mais velozes e sem fronteiras. interessa-nos identificar, através do Orkut, emoções intensas de amantes, que se auto-descrevem como jovens em seus "profiles", moduladas por dispositivos de comunicação virtual. São linhas de construção subjetivas que ampliam, combinam, misturam as possibilidades do corpo, da técnica para que se torne possível a formulação de novos territórios existenciais. Não mais se trata de identificar os sujeitos unidimensionais, catalisadores de identidades com contornos corporais e psíquicos; o desafio é de reconhecer enunciados e mídias de um "eu" potencializado por outros tantos "eus" atravessados por sentimentos que transpõem “real” e “virtual”.
  • DIÓGENES, Glória CV de DIÓGENES, Glória
Glória Diógenes nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará, Coordenadora do Laboratório das Juventudes (LAJUS), fundadora e ex-coordenadora do “Projeto Enxame – fazendo arte com gangues e galeras e ex-Secretária de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Realizou uma série de pesquisas (publicadas) sobre a criança e o adolescente: “Meninos e meninas de rua: cenário de Ambigüidades” (1993); “História de Vida de Meninos e Meninas de rua” (1994); “Criança Infeliz” - Exploração Sexual-Comercial de crianças e adolescentes em Fortaleza (1998); “Personagens em foco: esses meninos e meninas moradores de rua” (1998). Organizado por outros autores, tem artigos publicados nos seguintes livros: “Abalando os anos 90: funk e hip hop” (Rocco,1997); “Linguagens da Violência” (Rocco, 2000) e “Violência em Tempo de Globalização” (Hucitec, 1999). “Política e Afetividade” (EDUFBA, 2009); “A Juventude vai ao Cinema” (Autêntica, 2009), Juventude em Pauta: Políticas Públicas no Brasil (Petrópolis/Ação Educativa, 2011), Juventudes Contemporâneas: um mosaico de possibilidades (2011). Em 1998, como resultado de sua tese de doutorado, lança, pela Annablume, o livro “Cartografias da Cultura e da Violência - gangues, galeras e o movimento hip hop”, em 2003, o livro “Itinerários de Corpos Juvenis” (Annablume), em 2004, o livro “Cenas de uma Tecnologia Social: Botando Boneco” (Annablume/SESI/FIEC), em 2008, o livro “Os Sete Sentimentos Capitais: Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes” (Annablume) e autora do livro e, em 2010 “ViraVida – uma virada na vida de meninos e meninas no Brasil” (SESI). Junto com o Armazém Cultural organiza os Encontros de Twtteiros Culturais (ETC) em Fortaleza. No momento, pesquisa “Ciber-afectos e conexões em redes: intervenções juvenis na cidade”.

PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite
Resumo de PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite
PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite

O objetivo dessa proposta é o de acompanhar e analisar percursos urbanos de jovens grafiteiros de periferia em suas trajetórias de ocupação no espaço urbano e nos ambientes virtuais. Em uma pesquisa efetuada sobre a cartografia de gangues, galeras e o movimento hip hop identificamos que as trajetórias desses segmentos na cidade assumem uma lógica peculiar. São corpos em trânsito que parecem carregar signos do bairro, de filiações grupais, para onde possível for e assim realizar encontros, representações públicas e fincar marcas territoriais. Os corpos juvenis constituíam e ainda constituem um mapa ambulante da metrópole. No caso de grafiteiros, percebe-se formas de produção de signos, que transpõem fronteiras territoriais e criam uma peculiar linguagem no urbano e do urbano. Os fluxos de grafiteiros transpõem a invisibilidade dos bairros de periferia e criam um mapa não fixista da cidade. Os traços e cores esboçados em desenhos e grafites migram dos muros para telas virtuais e ampliam o escopo e a noção de esfera pública. Propomo-nos identificar no corpo dessa nova abordagem qual a noção de território de agrupamentos juvenis que se constituem na esfera das “relações virtuais”. Observa-se através desse foco de observação outra escala da metrópole e novos eixos de produção de identidades culturais e territoriais. Isso significa ultrapassar a visão de espaços delimitados, já que, como bem explicita Machado Pais, nos tempos que correm, os jovens vivem uma condição social em que as setas do tempo linear se cruzam com o enroscamento do tempo cíclico”. Analisaremos assim linhas, contornos e escalas de representação da metrópole contemporânea, através de inscrições, trajetórias e apropriações de jovens "grafiteiros". Vale ressaltar que muitos desses jovens, ao estampar seus grafites em espaços de intenso adensamento urbano, promovem novas reconfigurações de bairros de periferia apenas reconhecidos por situações de conflito e violência. Desse modo, o grafite constitui uma prática de re-apropriação simbólica do espaço urbano.
  • DIÓGENES, Glória CV de DIÓGENES, Glória
  •  SILVA, Lara Denise. CV - Não disponível 
Glória Diógenes nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará, Coordenadora do Laboratório das Juventudes (LAJUS), fundadora e ex-coordenadora do “Projeto Enxame – fazendo arte com gangues e galeras e ex-Secretária de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Realizou uma série de pesquisas (publicadas) sobre a criança e o adolescente: “Meninos e meninas de rua: cenário de Ambigüidades” (1993); “História de Vida de Meninos e Meninas de rua” (1994); “Criança Infeliz” - Exploração Sexual-Comercial de crianças e adolescentes em Fortaleza (1998); “Personagens em foco: esses meninos e meninas moradores de rua” (1998). Organizado por outros autores, tem artigos publicados nos seguintes livros: “Abalando os anos 90: funk e hip hop” (Rocco,1997); “Linguagens da Violência” (Rocco, 2000) e “Violência em Tempo de Globalização” (Hucitec, 1999). “Política e Afetividade” (EDUFBA, 2009); “A Juventude vai ao Cinema” (Autêntica, 2009), Juventude em Pauta: Políticas Públicas no Brasil (Petrópolis/Ação Educativa, 2011), Juventudes Contemporâneas: um mosaico de possibilidades (2011). Em 1998, como resultado de sua tese de doutorado, lança, pela Annablume, o livro “Cartografias da Cultura e da Violência - gangues, galeras e o movimento hip hop”, em 2003, o livro “Itinerários de Corpos Juvenis” (Annablume), em 2004, o livro “Cenas de uma Tecnologia Social: Botando Boneco” (Annablume/SESI/FIEC), em 2008, o livro “Os Sete Sentimentos Capitais: Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes” (Annablume) e autora do livro e, em 2010 “ViraVida – uma virada na vida de meninos e meninas no Brasil” (SESI). Junto com o Armazém Cultural organiza os Encontros de Twtteiros Culturais (ETC) em Fortaleza. No momento, pesquisa “Ciber-afectos e conexões em redes: intervenções juvenis na cidade”.

PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas
Resumo de PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas
PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas

The current work explores the significance of citizenship in the contemporary world, suggesting a new approach to its realization, where artistic practice and the development of cultural awareness combine to produce the creative citizen. This research uses case studies from three Boston metropolitan area neighbourhoods in Massachusetts, USA, to reflect on arts and culture as platforms to re-address citizenship at the community level. The case studies address examples where citizenship is explored through the development of inter-ethnic and face-to-face connections as platforms of artistic inclusion, the creation of a local identity associated with an Arts District, and through physical space appropriation and reinforcement of cultural identity. The relationship between urban public space, community, and culture is understood as a platform that may offer new strategies for urban space revivification, and specific strategies of civic engagement and leadership in these communities, providing impetus for the development of creative citizens.
  • CARVALHO, Claudia CV de CARVALHO, Claudia
Presentemente, coordena o projecto Bando à Parte: Culturas Juvenis,
Arte e Inserção Social, um projecto de formação artística a decorrer
no Teatrão (Oficina Municipal do Teatro) em Coimbra, desde Setembro de
2009.

Completou o Doutoramento em Sociologia, especialização em Sociologia
da Cultura, do Conhecimento e da Comunicação, pela Faculdade de
Economia da Universidade de Coimbra, em Outubro de 2010. Este
doutoramento contou com a coordenação do Professor Doutor Carlos
Fortuna e com a co-coordenação do Professor Ceasar McDowell. Em Maio
de 2004, completou o Mestrado em Sociologia pela Faculdade de Economia
da Universidade de Coimbra (FEUC), com uma tese que se debruçou sobre
a Associação Cultural e Recreativa de Tondela (A.C.E.R.T), intitulada
«Dinamicas Culturais e Cidadania. As Culturas Locais na
Pos-Modernidade. Um Estudo de Caso».

O trabalho empírico de doutoramento intitulado The Creative Citizen:
Citizenship Building in the Boston Area (que compreende três estudos
de caso nas comunidades urbanas de Jamaica Plain, South End e
Somerville, em Boston) foi realizado no Center for Reflective
Community Practice (agora Commmunity Innovators Lab, Departamento de
Estudos Urbanos do Massachussets Institute of Technology), com a
supervisão do Professor Ceasar McDowell. Este trabalho de investigação
dedicou-se, por um lado, a tentar compreender as diferentes formas
através das quais a cultura e as práticas culturais podem promover a
revivificação social, económica e cultural dos espaços urbanos, dando
origem à criação de novas cidadanias. Por outro lado, pretendeu
identificar estratégias de envolvimento comunitário através das
actividades culturais e artísticas.
Inicia presentemente o seu pos-doc no Centro de Estudos Sociais da
Universidade de Coimbra, no âmbito do projeto Artéria 7: o centro em
movimento, projecto de investigação-ação em colaboração com O Teatrão
(Oficina Municipal do Teatro, Coimbra).