PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares”
Partimos das noções de “não-lugares” (Marc Augé) e “espaços de fluxos” (Manuel Castells) para pensar a cidade contemporânea. Seguindo Marc Augé a cidade hoje convive com uma série de “riscos”: de uniformidade (semelhança entre espaços), extensão (generalização do urbano) e de implosão (guetização dos bairros). O seu crescimento, associado
ao aumento de circulação, da comunicação e do consumo, implica cada vez mais a construção de “não-lugares”: auto-estradas, grandes supermercados, centros comerciais, aeroportos, etc. Trata-se, segundo Augé, de espaços físicos que vão modelar novas formas de interacção assentes numa “contratualidade solitária”.
Manuel Castells no seu livro A sociedade em rede, vai analisar a nova lógica espacial, resultante da interacção entre tecnologia, sociedade e espaço, denominando-a o "espaço de fluxos" (que se constitui a partir de um conjunto de serviços avançados: finanças, seguros, bens imobiliários, projectos, marketing, e inovação científica, etc.). Esse "espaço de fluxos" opõe-se à organização espacial historicamente enraizada, a que Castells chamou o "espaço dos lugares".
Aproximando o “espaço de fluxos” dos “não-lugares”, procuraremos pensar a forma como uma certa organização espacial, determina ou não, o processo de interacções sociais.
Como último ponto analisaremos o papel da arquitectura na construção dos “lugares” e não-lugares” na cidade contemporânea. Segundo Josep Maria Montaner a sensibilidade da arquitectura contemporânea em relação ao lugar (enquanto um espaço empírico, concreto, existencial e delimitado) é um fenómeno recente. A relação da arquitectura com o lugar tem a ver com a cultura organicista desenvolvida na obra de Frank Lloyd Wright e as propostas dos arquitectos nórdicos encabeçados por Alvar Aalto. Para os autores mencionados: Marc Augé, Manuel Castells e Josep Montaner, a arquitectura contemporânea é uma arquitectura não-histórica e não-cultural. Castells chama a esta arquitectura "arquitectura da nudez" – "a sua mensagem é o silêncio", Marc Augé uma arquitectura dos não-lugares” e Montaner refere que ela se enquadra numa multiplicidade de espaços (mediáticos, não-lugares, ciberespaço), representando um espaço de solidão de incomunicação entre os indivíduos. No entanto, os três autores mantêm presente a possibilidade de outras dinâmicas.
- SÁ, Teresa

Teresa Vasconcelos e Sá, licenciada em Sociologia (ISCTE), mestre em Planeamento Regional e Urbano pela Universidade Técnica de Lisboa e doutorada na área de Sociologia do trabalho pelo ISCTE. Lecciona actualmente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa as disciplinas “Antropologia do Espaço”, “Sociologia da Cidade e do Território” e “Sociologia da Moda”.
Desenvolve investigação nas áreas da sociologia do trabalho e do território.
PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba
São nos espaços da cidade, moldados a partir dos usos e apropriações cotidianos que a vida se efetiva, como produto das relações sociais, da acumulação histórica e da tecedura realizada no presente. Nessa relação, o “velho” e o “novo” são elementos que constituem esse cenário, resultante das construções das sucessivas gerações. A praça é vista como exemplo dessa relação, pois consiste em um espaço fértil de possibilidades de convivência urbana. No rastro dessas considerações, surge o presente estudo sobre a apropriação e sociabilidade na Praça Tomé de Sousa, localizada na cidade de Salvador-Ba, tendo como enfoque precípuo a relação especial entre o cinema e a praça, no que diz respeito ao espaço das práticas de exibição da arte cinematográfica. As exibições de filmes em praças viabilizam um modo peculiar de apropriação que ocorre desde os primórdios do cinema. Atualmente no Brasil pululam projetos dessa natureza, que visam a apresentação da sétima arte à grande parcela da população que não tem acesso às salas convencionais de projeção. Nesse particular o Projeto Cinema na Praça, realizado em Salvador, torna-se a referência empírica desse trabalho. Esse caminhar revela o fascínio que essa grande arte vem tecendo ao longo dos tempos, atraindo e encantando multidões. O cinema toca de modo especial as pessoas, despertando afetos e isso se reverbera em múltiplas práticas sociais. No tocante a esse trabalho, destaca-se mormente as projeções em praças, iniciativas que tornam possíveis assistir a filmes coletivamente. Para realização do trabalho levou-se em consideração os relatos dos freqüentadores das sessões de cinema na Praça, das pessoas envolvidas da equipe dos projetos de cinema e cineastas. Para a feitura do trabalho, afora a revisão bibliográfica, realizou-se observações participantes na Praça Tomé de Sousa, entrevistas semi-estruturadas com pessoas envolvidas com projetos de exibição e freqüentadores das sessões de cinema na Praça. Também investigação em jornais e revistas impressos e na Internet, além de fontes documentais e iconográficas. O registro fotográfico apresenta-se como importante contributo ao trabalho de campo. A pesquisa desenvolve-se, portanto, a partir da compreensão de que são as práticas sociais, que tornam possíveis os usos e apropriações dos espaços. Nessa perspectiva a praça surge como um locus privilegiado onde afloram-se possibilidades de múltiplas manifestações que as práticas sociais podem engendrar.
- SILVA, Alzilene Ferreira da
PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se encontram à distância de um clique.
A morte, ou mais precisamente, a consciência da morte, constitui fundamento essencial para o fundamento da vida. Se o homem não tivesse consciência da morte, se não concebesse a ideia da sua finitude, a vida (e logo a vida social também), perderiam muito do seu significado. Surgindo como forma do homem alcançar e atribuir alguma ordem e sentido à força caótica da natureza, a cultura humana toma, no que se refere às atitudes face à morte e à memória dos mortos, um forma especial.
É na certeza da sua morte física que o homem desenvolve as mais diversas formas culturais, simbólicas e materiais, que procuram impedir que um dia, sendo morto, os ainda vivos se esqueçam dele. É através da memória que o homem mantém presentes aqueles que já morreram, dando forma à concepção conteana de humanidade, que contemplava não só aqueles que estão vivos como aqueles que já morreram e todos os que hão-de vir.
Mas à semelhança do que acontece nas restantes esferas sociais, os regimes de memória vão sendo alterados. Numa longa história que se materializou em obeliscos, pilares, pirâmides, monumentos, túmulos, estátuas, jazigos, capelas, nos quais os seres humanos também quiseram geralmente inscrever palavras, informações e mensagens, e que o mundo moderno acrescentou técnicas de comunicação como os jornais, notícias e anúncios, assiste-se agora a uma outra sequência estimulada pelas novas tecnologias da informação. Estas têm feito irromper novos rituais, formas cerimoniais, códigos de rememoração e inclusivamente modalidades de reunião dos mortos no mundo dos vivos através do manto da “tele-presença” e de um impedimento aparente do corte da comunicação.
No mundo virtual, através das redes sociais, memoriais on-line, blogs e cemitérios virtuais, os novos suportes de memória suscitam questões variadas, uma vez que permitem, como nenhum outro, a perpetuação da ilusão da presença daquele que já morreu. Através de dispositivos de imagem, movimento e som, através da manutenção e dinamização das suas páginas no facebook, o encontro com os mortos faz-se, já não por meio da tradicional visita aos cemitérios (muitos dos corpos são hoje cremados e as cinzas volatilizadas), mas no espaço virtual, através do écran do computador.
- MENDES, Ana Celeste

Ana Celeste Mendes é licenciada em Comunicação Social e Cultural pela
Universidade Católica Portuguesa, Pós Graduada em Jornalismo pelo
ISCTE, Mestre em Comunicação Cultura e Tecnologias da Informação pelo
ISCTE e Doutoranda em Sociologia no CIES-ISCTE. Bolseira da FCT,
tem-se dedicado, sobretudo, ao estudo das questões sociais ligadas à
morte e ao morrer na sociedade contemporânea. Lecciona Sociologia da
Saúde da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa.
PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil
A comunicação está baseada em trabalho que explora as intersecções entre as estratégias de legitimação do alto clero católico – em especial, a aquisição de novos e mais diversificados recursos culturais e a internacionalização dos quadros dirigentes – e as redefinições dos discursos e dos modos de exercício da autoridade católica no Brasil nas últimas cinco décadas. Para tanto, a partir de informações biográficas relativas aos bispos brasileiros em exercício e daqueles que compuseram as presidências da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB) desde sua fundação, o estudo privilegia dados relativos a seus itinerários sociais e profissionais, com destaque aos recursos escolares e culturais acumulados, às carreiras e às estratégias de elaboração e apresentação de discursos institucionais a públicos variados. A problemática combina três níveis de análise: a) a realização de estudo morfológico sincrônico do episcopado brasileiro na atualidade; b) a análise diacrônica dos padrões de recrutamento para os postos centrais da CNBB; e c) a comparação entre trajetórias, recursos e tomadas de posição de bispos em contextos socioculturais diversos. Acredita-se que o trabalho avança, assim, na demonstração de correspondências entre as redefinições dos mecanismos de legitimação da autoridade religiosa; as experiências, competências culturais e destinos dos agentes no conjunto de posições que compõem a alta esfera católica; e as novas modalidades de intervenção dos especialistas da Igreja em um mercado religioso crescentemente competitivo, no qual o catolicismo tem perdido na distribuição dos bens culturais e da salvação, sobretudo frente a denominações neopentecostais. Os resultados apontam a imposição de novos recursos culturais e escolares, com destaque a um capital internacional de competência e de relações, dentre as estratégias de legitimação da Igreja nas disputas no espaço de poder. Os sérios investimentos na dotação de novas e diversificadas formas de competência religiosa do alto clero brasileiro a partir dos anos 70 deixam claro um expediente institucional ancorado na esfera escolar (religiosa e “profana”), especialmente nos canais de formação intelectual via internacionalização. A meio caminho entre funções estritamente intelectuais e tarefas administrativas, os bispos enfrentam desafios de ordem múltipla: adaptar-se a sociedades com novas estruturas e formas de viver, produzir discursos de temática variada, complexa e mutável, fazer frente aos novos dados da competição religiosa e garantir sua legitimação dentro das lutas pela dominação simbólica. Tudo indica que Roma continua a ser peça fundamental nessas engrenagens a produzir religiosos mais e melhor diplomados, com acúmulo de experiências no exterior e culturalmente mais versáteis.
- SEIDL, Ernesto
PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer
Este estudo
constituiu um dos
eixos temáticos do
projeto de pesquisa:
“Usos do tempo livre
na Vila Holândia: o
lugar das práticas
corporais”, do Grupo
de Estudos e
Pesquisa em
Políticas Públicas e
Lazer da UNICAMP/São
Paulo/Brasil. Por
meio de uma
abordagem
etnográfica olhamos
as ruas da Vila
Holândia, Campinas -
SP, observando seu
cotidiano nos
períodos de férias
escolares, nos
feriados e aos
finais de semana que
é permeado pelas
conversas entre
vizinhos, pelas
brincadeiras das
crianças e pelo
encontro,
principalmente de
homens, no entorno
do bar. Ouvindo
pessoas e/ou grupos
que fossem
significativos para
identificarmos como
ela é um lugar de
fruição do lazer e
como os moradores
(re)criam os espaços
pela apropriação e
sociabilidade. As
ruas servem como
limite definidor de
um determinado
território que
estrutura mapas e
orienta a
organização social
do espaço, para
nossa análise também
a compreendemos como
um lugar
significativo de
socialibilidade
(SIMMEL, 1986),
apropriação do
espaço (POL, 2005) e
de práticas de lazer
(SMOLKA, 2000). A
condição da vida
comunitária na Vila
Holândia compreende
a tensão entre as
tendências das
recentes formas de
urbanização e a
relação histórica e
cultural das formas
tradicionais. Assim,
encontramos
evidências que
permitem dizer que a
riqueza das
experiências da rua
ainda resiste ao
processo de
urbanização das
cidades.
Entretanto,
reconhecemos a
tendência da
dinâmica das formas
de urbanização como
perigosas para
sociabilidade nos
espaços públicos,
principalmente na
rua. Elas formalizam
as experiências da
rua pela regulação
dos mecanismos
institucionais do
legislador alheio às
representações
locais, como também
fragmenta as
interações do tecido
social. Nas
experiências da rua,
os sujeitos
compartilham o
espaço público,
materializam a
convivência social e
estabelecem vínculos
afetivos. No
cotidiano da rua
identificamos a
perpetuação das
formas de
apropriação e
sociabilidade
subvertendo a idéia
da rua como local de
violência,
insegurança e medo
para lugar de
resistência social e
cultural. É possível
afirmar que no
Brasil a dinâmica da
vida comunitária nas
ruas ainda
reconfigura a
ocupação e usos dos
espaços públicos.
- LOPES, Carolina Gontijo

- AMARAL, Sílvia Cristina Franco

Carolina Gontijo Lopes
Graduada em Educação Física e especialista em Pedagogia do Esporte Escolar pela Universidade Estadual de Campinas e mestre em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou em políticas de esporte e lazer municipais, em instituições não governamentais e em escolas públicas. Possui interesse de investigação em políticas públicas de lazer; práticas culturais no tempo livre; espaço urbano e atuação profissional.
Sílvia Cristina Franco Amaral
Possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (1989), mestrado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (1995) e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (2003) e Livre-docente pela FEF-UNICAMP (2011). Atualmente é docente da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas e coordenadora do Grupo de Política Pública e Lazer. Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Lazer e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: lazer, política pública, cultura corporal, educação física e esporte.
PAP1353 - Espaços semipúblicos de bebidas e de bebidas e/ou restauração: plano de ação e percurso metodológico subjacente à seleção de plataformas empíricas
Qualquer trabalho de natureza científica exige considerável clarificação quanto aos processos adoptados para o implementar, tendo em vista o tipo de outputs que, em termos de respostas, se pretendem alcançar.
A comunicação que nos propomos apresentar resultou de um trabalho de investigação decorrido em espaços semipúblicos portuenses associados ao vinho, tendo contado com um conjunto articulado de múltiplas estratégias metodológicas com vista a um maior conhecimento da realidade em estudo. Tentar conhecer a realidade passa, precisamente, por um processo de construção dessa mesma realidade, à qual não é alheia nem a perspectiva de abordagem nem a prática acional adotadas. Assim, esteve presente um traçado metodológico tão rigoroso quanto a própria pesquisa o permitiu.
Nesse sentido, para evitar arbitrariedades e garantir o rigor sociológico exigido pela ciência, elaborámos, meticulosamente, um plano de ação e um percurso metodológico conducentes à seleção de plataformas empíricas para recolha de informação.
Nesta comunicação propomo-nos, por conseguinte, apresentar o processo de construção da amostra de espaços semipúblicos associados a consumos vínicos, incidindo particularmente em três etapas: i) delimitação do universo no espaço geográfico circunscrito ao estudo; ii) construção de uma tipologia dos estabelecimentos inseridos nos Centros Históricos do Porto e de Vila Nova de Gaia; iii) seleção das plataformas de observação empírica para um estudo focalizado nos consumos vínicos.
- MAGALHÃES, Dulce Maria da Graça

Nome, - Dulce Maria da Graça Magalhães
afiliação institucional - Faculdade de Letras da Universidade doPorto
área de formação - Sociologia
interesses de investigação - Sociologia das classes sociais, sociologia da Educação e sociologia do consumo
PAP0888 - Estilo de vida e apropriação social em cidades intermediárias
Tendo como referência a noção sociológica de espaço, cotejada das pesquisas de Jean Remy na Universidade de Lovaina (Bélgica), este trabalho discute estilo de vida, modos de apropriação e formas de espacializações em “cidades intermediárias”. Procura estabelecer uma comparação da noção que se tem do conceito intermédiarie, tanto em Portugal como no Brasil, considerando seu aspecto primordialmente interpretativo (Gault, 1989). No entanto, ao estudar espacializações do social, tendo como referência a noção de “cidade intermediária”, nossa análise assimila uma situação concreta, como propõe Jean Remy (1992) – juntamente com Liliane Voyé –, quando desenvolve sua interpretação de espaço e de transacção social. A cidade é, por excelência, o lugar onde indivíduos vários, embora permanecendo distintos uns dos outros, encontram entre si possibilidades múltiplas de coexistência e de trocas mediante a partilha legítima de uma “unidade social”. O espaço surge como lugar de convergência onde se detecta facilmente a presença de atores diferentes, que participam na vida cotidiana da transacção social. Na cidade, as configurações dos espaços sociais são ambíguas, onde a construção de um estilo de vida moderno, no contexto binário rural/urbano, caracteriza-se pelo hibridismo cultural – refratário e acessível, concomitante, ao que ainda é considerado “local” e “estrangeiro”, “tradicional” e “moderno”, paradoxalmente. Em meio a contrastes e similaridades, no dia a dia a estética da cidade suscita formas “tradicionais” e “modernas” de vida social, cuja visibilidade pública se reproduz nos estilos de habitação e ocupação dos espaços urbanos. Como “situação concreta”, a referência empírica é uma cidade brasileira que consideramos “intermediária”, Montes Claros, a maior aglomeração urbana de Minas Gerais localizada na interseção Sudeste/Nordeste do país, onde se verifica intensa mobilidade espacial, difusa e generalizada. Concomitante, identificamos alguns estudos realizados em Portugal que aplicam o conceito de “cidade intermediária”, formulado por Michel Gault. O nosso interesse é discutir a pertinência prática do conceito – apesar de contextos diferenciados de cada cidade – por considerar que a expansão urbana atinge proporções históricas e universais. Entende-se que o estudo do fenômeno urbano, suas dinâmicas sócio-culturais e mobilidades passam pela construção de um paradigma sociológico que extrapole a visão funcionalista do “urbanismo”, cuja interpretação de urbanização e posições intermédias das cidades é definido como processo que integra a mobilidade/fluxo regional, não apenas de pessoas e de bens, mas também de mensagens e de idéias na vida cotidiana.
- CARDOSO, Antonio Dimas

CARDOSO, Antônio Dimas
É bacharel e especialista em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES (Brasil), mestre e doutor em Sociologia, com tese sobre ação coletiva e arranjos corporativos, no Centro de Pós-Graduação sobre as Américas, na Universidade de Brasília (UnB/Brasil). Atualmente, está realizando projeto de pós-doutoramento na Universidade Nova de Lisboa/UNL, Portugal, com investigação sobre "Modos de Apropriação de Espaço", no estudo da Sociologia de Jean Rémy. É professor efetivo da Universidade Estadual de Montes Claros (Brasil), na Graduação em Ciências Sociais, onde ministra cursos de Sociologia Urbana, e no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social. Possui experiência como sociólogo em Administração Pública, com atuação em projetos de geração de trabalho e renda e apoio às atividades produtivas, além de atuar como gestor público em planejamento de cidade média no Brasil, implementando programas de governança democrática.
PAP0126 - O Ambiente e a Sociedade Rural de São José dos Ausentes nos Campos de Cima da Serra, Brasil
O Brasil tornou-se um destino turístico
competitivo e consolidado. Isso se deve aos
segmentos turísticos ofertados, entre eles, o
rural. A partir do inventário das propriedades
rurais do município de São José dos Ausentes
(região dos “Campos de Cima da Serra”, Rio
Grande do Sul, Brasil), as quais desenvolvem
atividades turísticas no espaço rural, a
pesquisa analisou de que maneira os
proprietários rurais e a comunidade local
usufruem do ambiente para desenvolver as
atividades não agrícolas. A pesquisa foi
dividida em duas etapas: a primeira, de
caráter exploratório, constituiu-se no
levantamento do número das propriedades rurais
ali existentes; a segunda, na aplicação de
questionário (perguntas fechadas). A
investigação, de caráter censitário, foi
realizada entre os meses de outubro de 2010 e
janeiro de 2011. Os dados foram coletados
junto a nove propriedades rurais, que
vislumbram, na atividade turística, a
oportunidade de desenvolver atividades não
agrícolas como forma de ampliar as respectivas
receitas. A extensão territorial de São José
dos Ausentes é de 1.176,7 km², e a população
total é de 3.290 habitantes, sendo 1.228 na
zona rural. Seu bioma é caracterizado pela
Mata Atlântica e seu clima é subtropical. A
paisagem da região é marcada por coxilhas e
araucárias. No que se refere às
características dos proprietários dos
empreendimentos que praticam turismo no espaço
rural, 55,6% são homens, 33,3% possuem o
ensino médio completo, 88,9% são casados ou
estão em uma união estável, 88,9% possuem
filhos, e 77,7% residem na própria
propriedade. Atualmente, 33,3% das
propriedades encontram-se na terceira geração,
sendo que uma delas está há sete gerações na
mesma família. As propriedades possuem
extensões territoriais bastante variadas:
66,7% possuem menos de 101 hectares. Em 44,4%
há cachoeiras ou cascatas, como é o caso da
cachoeira formada pelo desnível dos rios
Divisa e Silveira, um atrativo natural que se
constitui que correm paralelamente e em
determinado ponto dos seus cursos, com uma
queda d’agua. Há também oito propriedades
(88,9%) que autorizam a pesca, diferentemente
da caça, que é proibida em todas elas. A
propriedade que mais tempo se dedica ao
turismo está há 15 anos no setor. Entendemos
que existe uma consciência ambiental por parte
dos proprietários rurais dessa região,
contribuindo para a preservação do bioma Mata
Atlântica, e, ao mesmo tempo, assegurando a
continuidade da atividade turística nesse
espaço rural.
- SPINDLER, Magda Micheline
- VALENTINI, Andiara de Souza
- SANTOS, Eurico de Oliveira
PAP1453 - O espaço público da cidade competitva: lazer e mobilidade; inclusão e exclusão
Em 1948, o plano diretor de Lisboa definiu a criação, na região oriental da cidade, de uma zona industrial associada ao porto. Ao longo do século XX, essa região foi também sendo utilizada como abrigo de políticas habitacionais destinadas à população de baixa renda (Gato 1997). Com a desativação e obsolescência de parte das indústrias e a viragem da economia portuguesa para o setor terciário/quaternário (Matias Ferreira e outros, 1997), a região oriental foi se consolidando como uma periferia social. Tais condições justificaram que a zona fosse escolhida para abrigar a Exposição Mundial de 1998, dada como trunfo para tornar Lisboa mais competitiva. A consecução desse objetivo dependia também do sucesso de um projeto de reurbanização que visava constituir ali a "nova centralidade" da capital portuguesa e um de seus principais pontos turísticos. A administração divulga hoje que o perímetro é visitado por 20 milhões de pessoas ao ano ante uma população residente de 25 mil. A gestão do território, batizado de Parque das Nações, é mais distante do poder local e mais próxima do Governo Central, acionista majoritário da empresa criada para realizar a intervenção e fazer a gestão urbana.
Apresentamos aqui os resultados de uma investigação dos espaços públicos do Parque, realizada por meio de observação direta, entrevistas não-estruturadas e análise de documentos. Descrevemos como o urbanismo adotado no Parque combina o favorecimento à circulação – uma característica da modernidade (Foucault, 2007) - com a valorização do lazer - uma característica do urbanismo e do modo de vida urbano atuais (Baptista, 2004). Tal combinação é uma estratégia para ancorar temporariamente o indivíduo nos espaços públicos, permitindo que esses sejam uma ferramenta de competitividade urbana por ajudarem a atrair a massa permanente de população cambiante (Martinotti, 2005) necessária à ocupação do Parque.
Demonstramos então como essa concepção de espaços públicos envolve exclusão de algumas formas de ocupação mas também pela própria inclusão, ainda que condicionada, de outras. Assim, para analisar como se dá a organização das ocupações, é necessário recorrer a uma dinâmica que apreendemos pelo conceito de "processos de inclusão e exclusão". Há uma expressiva negação, pela administração, da exclusão de qualquer indivíduo, o que é condizente com a ideia de que o espaço público deve ser acessível. Uma ideia que condiz com a ficção igualitária da modernidade (Martucelli, 2002).
- PEREIRA, Vitor Sorano

Graduado em comunicação e mestre em Sociologia, é jornalista do diário O Globo (Brasil), e investigador colaborador do Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa-UNL/Cesnova (Portugal). Entre 2007 e 2009, foi repórter investigativo de administração local e urbanismo na cidade de São Paulo (Brasil). Com a dissertação “Para o 'cidadão em abstracto': a produção de espaços públicos na cidade reurbanizada”, concluiu o mestrado em Sociologia, linha de especialização Território, Cidade e Ambiente, pela UNL. Apresentou a comunicação “Inclusão e exclusão: a suave e fragmentária organização do espaço de uso público consumível” (Sicyurb/2011). Entre os interesses de pesquisa está a relação entre o lazer e a mobilidade, como competências de indivíduos e características de ações, com a mobilização, a participação cívica e o urbanismo.
PAP0934 - Os espaços das agriculturas urbanas na Grande Lisboa: trajectórias transversais à cidade
Nos últimos 15 anos o tema das Agriculturas Urbanas (AU’s) adquiriu grande relevância, bem como reconhecimento social e político pelas suas potencialidades socioeconómicas e ambientais, para diferentes actores: governos locais, regionais e nacionais; agências de cooperação internacional; movimentos sociais; organizações do chamado terceiro sector e centros de investigação científica.
Apesar de ser uma prática milenar, o recente contexto sociopolítico formado em torno da problemática das AU’s, tem provocado a necessidade de se revisitar diferentes tradições do pensamento sociológico e da história social sobre a cidade e os fenómenos urbanos. Alguns destes fenómenos actuais se sobrepõem às dimensões de agriculturas urbanas pós 1970 em diferentes contextos dos hemisférios norte e sul, lançando o desafio para uma construção conceitual holística e para o aprimoramento de quadros analíticos que rompam com uma abordagem simplista e dicotómica.
O contexto português, considerado periférico em relação aos demais países da União Europeia e semi-periférico no quadro do sistema mundial, torna-se metodologicamente (e epistemologicamente) estratégico para se discutir as práticas vividas no território que estão fora das “best practice”. As experiências portuguesas sugerem diferentes discussões contemporâneas a partir da escala urbana, circunscritas no território da Cidade, ao exemplo do Direito à Cidade e suas premissas, a questão da soberania alimentar e a incorporação de políticas de agriculturas urbanas no discurso das cidades sustentáveis (PNUD – Programa Habitat II).
Considerando este contexto propomos uma analise critica sobre a distribuição socio-espacial das políticas públicas de hortas urbanas criadas e surgidas nos últimos anos, em particular na Grande Lisboa, onde a ocupação do espaço urbano pela sociedade e o cultivo de hortas são transversais à sua história, numa trajectória que compreende urbanização e práticas de agricultura.
A análise desses dois espaços – o das hortas institucionalizadas e o das hortas não planeadas – sugere outros elementos para possíveis compreensões da sociedade urbana contemporânea. Para além do paradigma da cidade (i)legal, esta análise aponta para os elementos que reflectem as vivências formadas no território e que despertam valores associados aos espaços de produção, ao direito à moradia e ao conjunto de elementos situados ao seu entorno e à própria cidade.
Palavras-chave: agriculturas urbanas, Área Metropolitana de Lisboa, políticas públicas, espaço urbano não planeado e sociedade.
- LUIZ, Juliana
- VERONEZ, Leonardo
PAP0942 - Os múltiplos sentidos do skate na cidade de São Paulo
Nos últimos tempos, o skate ganhou demasiada visibilidade de modo que até mesmo muitas emissoras de TV passaram a dá-lo um espaço considerável em suas programações. Essa espetacularização faz com que eventos sejam patrocinados por diversas marcas, que buscam divulgar seus produtos para um público mais amplo, tendo o skate como carro-chefe de uma série de atrações. Mas todos esses aspectos não se aplicam a esse universo em sua amplitude. Por ser uma prática tipicamente urbana, o skate vive seus momentos de disputas, de diálogos, de repressões, principalmente quando associado à utilização de equipamentos urbanos. Entre as várias modalidades que fazem parte do skate, uma delas sempre é alvo de problemas que envolvem uma série de atores sociais: trata-se do street skate, ou seja, a prática do skate nas ruas. Os streeteiros, como se denominam os skatistas desta modalidade, incentivados pela mídia especializada transitam pela cidade, mas, com um olhar apurado para certos equipamentos urbanos, que são vistos como obstáculos a serem superados. A cidade é classificada de uma forma bem diferenciada do usual por eles, que as interpreta a partir de códigos e experiências próprias. Para os streeteiros, andar de skate nas ruas pode se constituir ora como um trabalho, ora como uma diversão. Mas, para as outras pessoas, esta prática pode configurar uma arruaça ou um ato de vandalismo. Numa possível tentativa de disciplinar a prática do skate e de estimular o seu uso em locais apropriados (como nas pistas), o poder público promove algumas ações, como o Circuito Sampa Skate, evento que consiste em uma série de campeonatos. A pesquisa parte da análise dos múltiplos sentidos atribuídos à prática da modalidade street skate na cidade de São Paulo. Por meio da etnografia pretende-se evidenciar não só aspectos em torno do exercício de uma prática esportiva, mas também, as implicações em virtude dos usos e apropriações dos espaços urbanos por parte dos citadinos. De uma forma bem ampla, vislumbra-se mostrar como a cidade pode ser lida e ordenada simbolicamente por meio de um olhar skatista. Nesse sentido, ao pesquisar os diversos lugares skatáveis da cidade e seus respectivos picos, a referência etnográfica não é um único espaço ou aglutinações de pessoas, mas sim, uma multiplicidade de espaços e de atores que se encontram articulados por meio de redes mais amplas de relações. Desse modo, tem-se a chance de relacionar os distintos recortes inseridos no universo do street skate em São Paulo, sendo esse não definido a priori, mas construído a partir de discursos, práticas e representações heterogêneas, e em meio a uma dinâmica relacional.
- MACHADO, Giancarlo Marques Carraro

Giancarlo Marques Carraro Machado
Bacharel em Ciências Sociais e mestre em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). É autor da dissertação "De 'carrinho' pela cidade: a prática do street skate em São Paulo". Atualmente faz parte do LUDENS / USP (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Futebol e Modalidades Lúdicas).
PAP1495 - Pequenos e Grandes Dias. Os Rituais na Construção da Família Contemporânea
Nesta comunicação sintetizamos os principais resultados de uma tese de doutoramento (2011) onde procurámos questionar e discutir o alcance das teorias da desinstitucionalização, individualização e risco enquanto chave explicativa para a compreensão do que é, hoje, a família.Quando aplicadas à família, as teses da desinstitucionalização, individualização e risco desenham um cenário de instabilidade, diluição, fragilidade ou até mesmo desaparecimento (Brannen e Nielsen, 2005). A partir do indivíduo colocam a ênfase no «casal flutuante», na «relação» ou nos «estilos de vida», por oposição a «velhas» categorias sociológicas, agora adjectivadas de «incrustadas» (Giddens, 2000 [1999]: 63), «zombie» (Beck e Beck-Gernsheim, 2002: 204) ou «líquida» (Bauman, 1999). Em alternativa, questionámo-nos sobre o que constrói uma família mais do que aquilo que a torna «efémera», «fluida» e «frágil». Na esteira de David Morgan, conceptualizámos as famílias não por aquilo «que são» ou «para que servem», mas «pelo que fazem». Das várias portas de entrada possíveis escolhemos as «práticas familiares» (Morgan 1996, 1999), especificamente o conjunto das que se enquadram numa categoria maior: os rituais familiares (Bossard e Boll, 1950; Wolin e Bennett, 1984). A opção por «fixar» a família a partir dos rituais, isto é, das práticas que empreendem, combinada com uma abordagem metodológica qualitativa, intensiva e em profundidade permitiu estabelecer e desenvolver o argumento principal desta tese, o de que as teorias da desinstitucionalização, individualização e risco são insuficientes para a compreensão do que é, hoje, a família, e que é necessária uma abordagem mais texturada (Smart, 2005; 2008) que permita captar o seu significado enquanto espaço simultaneamente físico, relacional e simbólico (Saraceno, 1997 [1988]). Por um lado, concluímos que a família, enquanto realidade sociológica, faz os rituais. A um mesmo tempo, estruturas e dinâmicas familiares, contextos sociais de pertença e dinâmicas de género contribuem para definir, moldar e estruturar a constelação de práticas adjectivadas como especiais. Por outro lado, os rituais são também um lugar de construção da família, já que pela conjugação das coordenadas tempo, espaço e emoção servem o propósito de afirmar a suspensão da realidade que as famílias enfrentam: um tempo escasso, um espaço avulso e fragmentado, e uma acção que obriga mais à injunção que à reflexão. Simultaneamente, ajudam a construir o seu oposto: um tempo e espaço especial, atravessado pela sentimentalização e emoção. A força da imagem da família enquanto espaço simbólico radica, assim, no irreal e na efemeridade do «ser família» que os rituais encerram. Em suma, o ritual suspende as divergências e produz um sentido de unidade, também na família, tese que vem confirmar a actualidade de Durkheim no ano em que se assinala o centenário de As Formas Elementares da Vida Religiosa (1912).
- COSTA, Rosalina Pisco

Rosalina Pisco Costa é professora auxiliar na Universidade de Évora e investigadora no CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade. É licenciada e mestre em Sociologia na área de especialização ‘Família e População’ pela Universidade de Évora. Em 2011, depois de ter sido bolseira FCT, Gulbenkian e Visiting Student no Morgan Centre for the Study of Relationships and Personal Life da Universidade de Manchester, concluiu o Doutoramento em Ciências Sociais (Sociologia) no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com a tese Pequenos e Grandes Dias: Os Rituais na Construção da Família Contemporânea. As suas principais áreas de interesse, investigação e publicação são a família e vida pessoal; tempo social e idades da vida; e, mais recentemente, as questões da ritualização, consumo, memória e imaginário, aplicadas às representações, discursos e práticas n(d)a família contemporânea.
PAP1307 - Porque se mobilizam os professores? Juízos plurais sobre o que é “um bom profissional de ensino”. Análises exploratórias
A comunicação visa empreender, no quadro da
Sociologia Pragmática de Thévenot e Boltanski,
uma primeira abordagem ao movimento de
contestação dos professores ao Estatuto da
Carreira Docente (ECD) aprovado em 2007
enquanto questão intimamente ligada à
problemática de juízos morais e políticos
plurais sobre “o que é ser professor num
contexto de incerteza” nas escolas como arenas
públicas.
Tendo como pano de fundo a contestação às
sucessivas reformas na educação implementadas
desde os anos 80, procurar-se-á, à luz do
trabalho teórico desenvolvido pelos autores em
“De la Justification” e “L’action au pluriel”,
apresentar os resultados das primeiras análises
de dados empíricos recolhidos (através de
fontes documentais e entrevistas realizadas
junto de porta-vozes e representantes sindicais
dos professores) de forma a compreender que
“regimes de justificação” foram mobilizados
para justificar as críticas aos princípios de
justiça que presidiram à reforma do ECD e para
a receptibilidade pública da denúncia como
“injustiça” através da referência a “ordens de
grandeza de carácter moral e político”.
Mediante fontes consultadas, identificaram-se
como principais focos de conflito a
estruturação vertical da carreira docente, com
a criação de duas categorias (“Professor” e
“Professor titular”) e a correspondente
diferenciação funcional, aliada a uma avaliação
de desempenho dos professores com efeitos na
progressão na carreira (e limitada por quotas
no acesso aos escalões cimeiros).
Com esta reforma, os seus responsáveis visavam
a instauração de um sistema de avaliação e
progressão mais responsabilizador dos
professores pelos resultados escolares dos seus
alunos (e distinção dos “melhores
profissionais”) e uma hierarquização que
estimulasse uma maior exigência nas práticas
pedagógicas.
No entender dos professores, o novo ECD
acarreta a introdução de mecanismos de
“controlo” que corroem a autonomia e
reflexividade que devem pautar a actividade
docente e coloca em causa o papel integrador
das escolas que só pode ser cumprido por uma
concepção do trabalho pedagógico como um
esforço colectivo dos docentes de cada
estabelecimento de ensino – posto em causa por
uma avaliação limitadora da progressão na
carreira.
À luz do corpo teórico mobilizado, a primeira
hipótese a explorar é a de que o novo estatuto
assenta numa representação do professor
orientada pela lógica da “cité industrial” –
concepção da “eficácia” e “direcção” aplicada à
acção docente – e pela lógica da “cité
mercantil” – a “concorrência” e “competição”
mediante um sistema de desempenho limitador da
progressão. Em segundo, procura-se demonstrar
que as críticas dos professores ao ECD são
orientadas pela lógica da “cité inspirada” – a
autonomia e inovação na acção pedagógica – e a
lógica da “cité cívica” – a solidariedade
cívica entre os professores em prol da
igualdade de oportunidade entre os alunos e o
combate à exclusão escolar.
- RESENDE, José Manuel
- GOUVEIA, Luís

Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Doutorando na mesma instituição desde 2011. Bolseiro de Investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia com o projecto intitulado "Porque se mobilizam os professores? Representações colectivas e coordenações de acções públicas dos professores do Ensino Básico e Secundário em função de juízos plurais sobre o que é um bom profissional de ensino".
PAP1230 - Processo de socialização e construção de identidades profissionais: um estudo a partir de narrativas biográficas de trainees de uma multinacional brasileira
Um dos grandes desafios da juventude nos dias atuais é em relação à angustia quanto às possibilidades de inserção e realização profissional. Os dados demográficos no Brasil retratam um paradoxo: existe um contingente de profissionais no campo da Administração (estudantes, recém formados, pós-graduados, profissionais de carreira) em busca de uma oportunidade, no entanto, existe também uma demanda por profissionais que correspondam aos objetivos cada vez maiores das organizações e às exigências dos espaços ocupacionais. A cobiça por uma carreira diferenciada conduz milhares de jovens aos “Programas Trainnes” das grandes corporações. São programas altamente concorridos e desenhados para “encontrar” os talentos em potencial para ocupar posições de liderança no presente e/ou no futuro. Os estudos sociológicos demonstram que esses talentos não se fizeram apenas ao longo do processo de escolarização, tão pouco parece limitado pensar e acreditar que nasceram com atributos que os distinguem. Os estudos de Dubar(2005), Dubet (1994) Elias (1994) demonstram que os indivíduos se constituem profissionalmente ao longo do processo de socialização e de suas experiências sociais. A formação e conservação da identidade é um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade, portanto, determinados pela estrutura social. Estas duas dimensões caracterizam o que Dubar (2005) tipifica como processo biográfico e processo relacional. Este trabalho tem como objetivo compreender o processo de construção da identidade de profissionais de trainees, atuantes numa multinacional brasileira a partir da identificação de regularidades e singularidades no processo de socialização e quais estratégias são/foram desenvolvidas para reconhecimento dessa identidade no campo profissional. Metodologicamente, para compreender o processo de construção da identidade profissional é importante olhar para a história de vida do sujeito, porque de acordo com Dubar (2005, p.150) quando olhamos para os jovens, a criação de estratégias pessoais e de representações de si pode ter grande peso no desenvolvimento futuro da vida profissional. Os dados empíricos são oriundos de narrativas biográficas obtidas por meio de entrevistas semi-estruturadas, intensivas e em profundidade, com quatro (duas moças e dois rapazes) dos vinte e um jovens que ingressaram na corporação pelo Programa Trainee 2010. A “análise dos mundos” na história de vida dos indivíduos por meio de sua própria narrativa possibilitou identificar as distinções que apresentam em suas identidades profissionais oriundas dos espaços de socialização primária e secundária.
Palavras-chave: Socialização; Identidade profissional; Espaço Ocupacional; Programa Trainee
- CUNHA, Marciano de Almeida

- SOBRAL, Mariana Cristina Tosta
- SOARES, Gabrielle Tosin
Marciano de Almeida Cunha
Professor da área de Gestão de Pessoas da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR Brasil, atuando nos cursos de graduação e pós-graduação. Doutor em Educação (PUCSP) com estágio sandwich na Université de Montréal - Canadá, Mestre em Administração e em Educação (PUCPR) e formação em Administração e Ciências Biológicas (UEPB). Palestrante e consultor em Desenvolvimento Humano. e profissional. É líder do grupo de pesquisa “Formação e profissionalização no campo das Ciências Sociais Aplicadas”, no qual desenvolve pesquisas vinculado às seguintes Linhas de Pesquisa 1. “Processos de socialização, formação e profissionalização: da escolarização à carreira profissional” e 2. “Impactos de práticas e tecnologias de desenvolvimento profissional nos processos da Gestão de Pessoas e nas estratégias das organizações”. para conhecer mais www.marcianocunha.com.br
PAP0499 - Sentimentos Intensos na Internet: o discurso amoroso da juventude
Esse trabalho se
propõe a analisar
sentimentos intensos
da juventude,
relativos ao campo
amoroso, no ambiente
das relações
virtuais. Tomamos
como âmbito de
investigação perfis
de jovens no site de
relacionamento
Orkut, escolhidos
através de
comunidades que
tratam ou se referem
a temas relativos ao
amor, namoro,
casamento e “fica”
(expressão
brasileira para
encontros efêmeros).
Indagamo-nos: que
tipo de emoção se
constitui no âmbito
dos agenciamentos
amorosos mediados
pela comunicação na
internet? Roland
Barthes, no prelúdio
de seus “Fragmentos
de um discurso
Amoroso” enuncia as
razões da escolha do
que denomina de um
“método dramático” –
a finalidade é de
ouvir o que existe
de inatual na voz
dos enamorados.
Segundo o autor,
"Dis-cursus" é,
originalmente, a
ação de correr para
todo o lado, são
idas e vindas,
démarches, intrigas.
Palavras que não
devem ser entendidas
no sentido retórico,
mas no sentido
ginástico ou
coreográfico de uma
maneira muito mais
viva, o gesto do
corpo captado na
ação. Interessa-nos
perceber como no
considerado espaço
“frio” da internet
se constituem
passionalidades,
intensidades
amorosas de gestos e
sentimentos
condensados em
palavras. A
intensidade
representa uma
“temperatura da
alma” e esboça outra
dimensão do tempo,
por encarnar,
simultaneamente,
acontecimento e
devir. E por
deslocarem-se no
espaço no espaço,
por não prescindirem
do corpo orgânico
para atuar como
suporte de
expressão, os afetos
virtuais, podem
seguir mais velozes
e sem fronteiras.
interessa-nos
identificar, através
do Orkut, emoções
intensas de amantes,
que se
auto-descrevem como
jovens em seus
"profiles",
moduladas por
dispositivos de
comunicação virtual.
São linhas de
construção
subjetivas que
ampliam, combinam,
misturam as
possibilidades do
corpo, da técnica
para que se torne
possível a
formulação de novos
territórios
existenciais. Não
mais se trata de
identificar os
sujeitos
unidimensionais,
catalisadores de
identidades com
contornos corporais
e psíquicos; o
desafio é de
reconhecer
enunciados e mídias
de um "eu"
potencializado por
outros tantos "eus"
atravessados por
sentimentos que
transpõem “real” e
“virtual”.
- DIÓGENES, Glória

Glória Diógenes nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará, Coordenadora do Laboratório das Juventudes (LAJUS), fundadora e ex-coordenadora do “Projeto Enxame – fazendo arte com gangues e galeras e ex-Secretária de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Realizou uma série de pesquisas (publicadas) sobre a criança e o adolescente: “Meninos e meninas de rua: cenário de Ambigüidades” (1993); “História de Vida de Meninos e Meninas de rua” (1994); “Criança Infeliz” - Exploração Sexual-Comercial de crianças e adolescentes em Fortaleza (1998); “Personagens em foco: esses meninos e meninas moradores de rua” (1998). Organizado por outros autores, tem artigos publicados nos seguintes livros: “Abalando os anos 90: funk e hip hop” (Rocco,1997); “Linguagens da Violência” (Rocco, 2000) e “Violência em Tempo de Globalização” (Hucitec, 1999). “Política e Afetividade” (EDUFBA, 2009); “A Juventude vai ao Cinema” (Autêntica, 2009), Juventude em Pauta: Políticas Públicas no Brasil (Petrópolis/Ação Educativa, 2011), Juventudes Contemporâneas: um mosaico de possibilidades (2011). Em 1998, como resultado de sua tese de doutorado, lança, pela Annablume, o livro “Cartografias da Cultura e da Violência - gangues, galeras e o movimento hip hop”, em 2003, o livro “Itinerários de Corpos Juvenis” (Annablume), em 2004, o livro “Cenas de uma Tecnologia Social: Botando Boneco” (Annablume/SESI/FIEC), em 2008, o livro “Os Sete Sentimentos Capitais: Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes” (Annablume) e autora do livro e, em 2010 “ViraVida – uma virada na vida de meninos e meninas no Brasil” (SESI). Junto com o Armazém Cultural organiza os Encontros de Twtteiros Culturais (ETC) em Fortaleza. No momento, pesquisa “Ciber-afectos e conexões em redes: intervenções juvenis na cidade”.
PAP0498 - Territórios Urbanos e Metrópole: linguagens e signos do grafite
O objetivo dessa
proposta é o de
acompanhar e
analisar percursos
urbanos de jovens
grafiteiros de
periferia em suas
trajetórias de
ocupação no espaço
urbano e nos
ambientes virtuais.
Em uma pesquisa
efetuada sobre a
cartografia de
gangues, galeras e o
movimento hip hop
identificamos que as
trajetórias desses
segmentos na cidade
assumem uma lógica
peculiar. São corpos
em trânsito que
parecem carregar
signos do bairro, de
filiações grupais,
para onde possível
for e assim realizar
encontros,
representações
públicas e fincar
marcas territoriais.
Os corpos juvenis
constituíam e ainda
constituem um mapa
ambulante da
metrópole. No caso
de grafiteiros,
percebe-se formas de
produção de signos,
que transpõem
fronteiras
territoriais e criam
uma peculiar
linguagem no urbano
e do urbano. Os
fluxos de
grafiteiros
transpõem a
invisibilidade dos
bairros de periferia
e criam um mapa não
fixista da cidade.
Os traços e cores
esboçados em
desenhos e grafites
migram dos muros
para telas virtuais
e ampliam o escopo e
a noção de esfera
pública. Propomo-nos
identificar no
corpo dessa nova
abordagem qual a
noção de território
de agrupamentos
juvenis que se
constituem na esfera
das “relações
virtuais”.
Observa-se através
desse foco de
observação outra
escala da metrópole
e novos eixos de
produção de
identidades
culturais e
territoriais. Isso
significa
ultrapassar a visão
de espaços
delimitados, já que,
como bem explicita
Machado Pais, nos
tempos que correm,
os jovens vivem uma
condição social em
que as setas do
tempo linear se
cruzam com o
enroscamento do
tempo cíclico”.
Analisaremos assim
linhas, contornos e
escalas de
representação da
metrópole
contemporânea,
através de
inscrições,
trajetórias e
apropriações de
jovens
"grafiteiros". Vale
ressaltar que muitos
desses jovens, ao
estampar seus
grafites em espaços
de intenso
adensamento urbano,
promovem novas
reconfigurações de
bairros de
periferia apenas
reconhecidos por
situações de
conflito e
violência. Desse
modo, o grafite
constitui uma
prática de
re-apropriação
simbólica do espaço
urbano.
- DIÓGENES, Glória

- SILVA, Lara Denise.
Glória Diógenes nasceu na cidade do Rio de Janeiro. É professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará, Coordenadora do Laboratório das Juventudes (LAJUS), fundadora e ex-coordenadora do “Projeto Enxame – fazendo arte com gangues e galeras e ex-Secretária de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Realizou uma série de pesquisas (publicadas) sobre a criança e o adolescente: “Meninos e meninas de rua: cenário de Ambigüidades” (1993); “História de Vida de Meninos e Meninas de rua” (1994); “Criança Infeliz” - Exploração Sexual-Comercial de crianças e adolescentes em Fortaleza (1998); “Personagens em foco: esses meninos e meninas moradores de rua” (1998). Organizado por outros autores, tem artigos publicados nos seguintes livros: “Abalando os anos 90: funk e hip hop” (Rocco,1997); “Linguagens da Violência” (Rocco, 2000) e “Violência em Tempo de Globalização” (Hucitec, 1999). “Política e Afetividade” (EDUFBA, 2009); “A Juventude vai ao Cinema” (Autêntica, 2009), Juventude em Pauta: Políticas Públicas no Brasil (Petrópolis/Ação Educativa, 2011), Juventudes Contemporâneas: um mosaico de possibilidades (2011). Em 1998, como resultado de sua tese de doutorado, lança, pela Annablume, o livro “Cartografias da Cultura e da Violência - gangues, galeras e o movimento hip hop”, em 2003, o livro “Itinerários de Corpos Juvenis” (Annablume), em 2004, o livro “Cenas de uma Tecnologia Social: Botando Boneco” (Annablume/SESI/FIEC), em 2008, o livro “Os Sete Sentimentos Capitais: Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes” (Annablume) e autora do livro e, em 2010 “ViraVida – uma virada na vida de meninos e meninas no Brasil” (SESI). Junto com o Armazém Cultural organiza os Encontros de Twtteiros Culturais (ETC) em Fortaleza. No momento, pesquisa “Ciber-afectos e conexões em redes: intervenções juvenis na cidade”.
PAP0965 - The Creative Citizen: Citizenship Building in Urban Areas
The current work explores the significance of citizenship in the contemporary world, suggesting a new approach to its realization, where artistic practice and the development of cultural awareness combine to produce the creative citizen. This research uses case studies from three Boston metropolitan area neighbourhoods in Massachusetts, USA, to reflect on arts and culture as platforms to re-address citizenship at the community level.
The case studies address examples where citizenship is explored through the development of inter-ethnic and face-to-face connections as platforms of artistic inclusion, the creation of a local identity associated with an Arts District, and through physical space appropriation and reinforcement of cultural identity.
The relationship between urban public space, community, and culture is understood as a platform that may offer new strategies for urban space revivification, and specific strategies of civic engagement and leadership in these communities, providing impetus for the development of creative citizens.
- CARVALHO, Claudia

Presentemente, coordena o projecto Bando à Parte: Culturas Juvenis,
Arte e Inserção Social, um projecto de formação artística a decorrer
no Teatrão (Oficina Municipal do Teatro) em Coimbra, desde Setembro de
2009.
Completou o Doutoramento em Sociologia, especialização em Sociologia
da Cultura, do Conhecimento e da Comunicação, pela Faculdade de
Economia da Universidade de Coimbra, em Outubro de 2010. Este
doutoramento contou com a coordenação do Professor Doutor Carlos
Fortuna e com a co-coordenação do Professor Ceasar McDowell. Em Maio
de 2004, completou o Mestrado em Sociologia pela Faculdade de Economia
da Universidade de Coimbra (FEUC), com uma tese que se debruçou sobre
a Associação Cultural e Recreativa de Tondela (A.C.E.R.T), intitulada
«Dinamicas Culturais e Cidadania. As Culturas Locais na
Pos-Modernidade. Um Estudo de Caso».
O trabalho empírico de doutoramento intitulado The Creative Citizen:
Citizenship Building in the Boston Area (que compreende três estudos
de caso nas comunidades urbanas de Jamaica Plain, South End e
Somerville, em Boston) foi realizado no Center for Reflective
Community Practice (agora Commmunity Innovators Lab, Departamento de
Estudos Urbanos do Massachussets Institute of Technology), com a
supervisão do Professor Ceasar McDowell. Este trabalho de investigação
dedicou-se, por um lado, a tentar compreender as diferentes formas
através das quais a cultura e as práticas culturais podem promover a
revivificação social, económica e cultural dos espaços urbanos, dando
origem à criação de novas cidadanias. Por outro lado, pretendeu
identificar estratégias de envolvimento comunitário através das
actividades culturais e artísticas.
Inicia presentemente o seu pos-doc no Centro de Estudos Sociais da
Universidade de Coimbra, no âmbito do projeto Artéria 7: o centro em
movimento, projecto de investigação-ação em colaboração com O Teatrão
(Oficina Municipal do Teatro, Coimbra).