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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

PARA O VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

Pesquisa:

Resultados da pesquisa por: «Entrevista de reconstituição»

PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação e contributos do instrumento na investigação qualitativa
Resumo de PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação  e contributos do instrumento na investigação qualitativa PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação  e contributos do instrumento na investigação qualitativa
PAP1115 - O Bio-gráfico: desenvolvimento, aplicação e contributos do instrumento na investigação qualitativa

Esta proposta de comunicação pretende descrever um instrumento qualitativo de apoio à recolha de dados – o bio-gráfico. Desenvolvido a partir da necessidade de dar suporte à realização de entrevistas focadas na reconstituição de informação passada, o bio-gráfico consiste numa representação gráfica de informação histórica de um indivíduo, sendo composto por várias dimensões organizadas sobre uma linha cronológica central, permitindo estruturar os discursos de cada entrevistado e constituindo-se uma base privilegiada para o desenvolvimento da narrativa. A construção do instrumento teve origem em pressupostos da Psicologia e da Sociologia, em particular nas metodologias usadas no domínio do comportamento desviante (Agra e Matos, 1997) e no modelo da interdependência dos sistemas de vida (Curie, 2000), o que explica a importância atribuída à experiência individual, à dimensão processual dos acontecimentos e ao significado construído pelos indivíduos. O bio-gráfico foi concebido no âmbito de um estudo sobre envelhecimento e trabalho (Ramos, 2010), incluindo cinco dimensões de análise: percurso profissional; história de saúde; percurso escolar; história familiar; meio social e geográfico. O instrumento foi usado em outros contextos de investigação, como por exemplo na reconstituição de trajectórias de desempregados de longa duração e de trabalhadores temporários,com vista à identificação de perfis. Houve ainda lugar à sua adaptação para contextos específicos de investigação, como é o caso de um estudo sobre análise de projectos de concepção de postos de trabalho (Gil-Mata, Lacomblez & Bellies, 2011). Aqui, o instrumento é centrado sobre um projecto e não sobre um indivíduo, sendo apelidado de projectográfico (Gil-Mata & Lacomblez, 2010), assumindo-se como representação partilhada da evolução do projecto e incluindo também cinco dimensões: espaço de trabalho; meios de trabalho; organização do trabalho; reflexão e elaboração. A utilização do instrumento tem mostrado vantagens a diferentes níveis: i) na condução de entrevistas, já que este serve de orientação à narrativa dos sujeitos; ii) na validação e restituição dos dados, contribuindo para a validade dos estudos; iii) no cruzamento de dados hetero e autobiográficos, possibilitando a triangulação de fontes de informação; iv) na visualização dos dados, permitindo uma ilustração da trajectória pessoal ou projecto em estudo, permitindo a análise temporal ou histórica dos mesmos; v) no interface entre o sujeito e os dados, ao possibilitar, ao próprio indivíduo, através do confronto com o registo gráfico, repensar a sua trajectória, atribuir novos significados e construir novas relações entre acontecimentos. Este instrumento constitui não só um suporte para a recolha de dados mas também um elemento de intervenção em si, dada a importância deste exercício de atribuição de significados e sentido às vivências dos indivíduos.
  • RAMOS, Sara CV de RAMOS, Sara
  •  MATA, Rita Gil CV - Não disponível 
Sara Ramos doutorou-se em Psicologia, na especialidade de Psicologia do Trabalho pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação,da Universidade do Porto, em 2006. É Professora Auxiliar no Departamento de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, desde 2007. As suas áreas de ensino incluem métodos de investigação, métodos qualitativos, psicologia do trabalho e recursos humanos. Os trabalhos de investigação mais recentes têm-se centrado na relação entre saúde, idade e trabalho mais especificamente na temática do envelhecimento e trabalho.