PAP0331 - Dilemas das redes de cooperação interorganizacionais e a formação dos profissionais de saúde. O caso da Enfermagem.
Mobilizadas pela indispensabilidade de partilha de recursos, as organizações de serviços de saúde e as de ensino superior procuram cada vez mais plataformas de entendimento e lógicas de acção para melhor atender às necessidades de aprendizagem in loco das componentes clínicas dos estudantes da área da enfermagem, de formação contínua dos seus profissionais, assim como às solicitações da própria comunidade. Por outro lado, sabemos que a cooperação interorganizacional é cada vez mais entendida como uma estratégia de desenvolvimento para gerar progresso e ainda que a “University- business dialogue and co-operation” é recomendada (European Commission, 2011).
Face a tais pressupostos é objectivo desta comunicação, promover o debate e a reflexão sociológica acerca das lógicas de redes de cooperação entre instituições de ensino superior e de saúde, questionando, por um lado, as diferentes formas de governação das acções na rede, e por outro lado, a estratégia emancipatória para o desenvolvimento do conhecimento e geradora de capital social na saúde.
Para tal, contamos com os resultados da investigação que efectuámos em doze organizações (onze de saúde e uma organização de ensino superior na área da enfermagem) através do recurso a metodologias qualitativas e das técnicas de análise de redes sociais, designadamente através da aplicação informática do UCINET e do NETDRAW.
Neste estudo desocultámos a estrutura, conteúdo e dinâmicas das relações interorganizacionais estabelecidas, verificando a existência de uma cooperação assente em redes de relações formais e informais, sustentadas em normas, mas também em valores simbólicos e ideológicos ligados à profissão, assim como relações de confiança e amizade, que eram condicionadoras do funcionamento. Identificámos potencialidades, mas também constrangimentos ao desenvolvimento da rede.
Num desafio critico mas construtivo, colocamos à discussão os resultados encontrados reflectindo acerca dos mesmos, propondo soluções alternativas para um modelo de governação da cooperação interorganizacional para a formação em saúde, em geral, e para a enfermagem, em particular, que ainda se configura mais perto do tradicional que dos novos paradigmas, ainda que vestido com roupagens apelativas ornadas por protocolos onde estão prescritas eventuais filosofias inovadoras.
Helena Maria de Sousa Lopes Reis do Arco – ProfessoraAdjunta da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre.Doutora em Sociologia pela Universidade de Évora, Mestre em Sociologia pelamesma Universidade, Licenciada em Enfermagem e Especialista em EnfermagemComunitária. Investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação eInovação do Instituto Politécnico de Portalegre. Tem nos últimos anosdesenvolvido os seus trabalhos em torno das questões relacionadas com as redessociais no âmbito da saúde. Os seus atuais interesses de investigação situam-senas áreas da Sociologia da Saúde e da Educação, bem como na Análise de RedesSociais enquanto ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervençãosocial.
e-mail: helenamaria.arco@gmail.com
Carlos Alberto da Silva - Director do Departamento de Sociologia da Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora (2011-...). Director do Programa de Doutoramento em Sociologia da Universidade de Évora (2011-...). Investigador integrado no CESNOVA - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (2011-...). Doutorado em Sociologia. Agregação em Sociologia. Mestrado em Sociologia. Licenciatura em Investigação Social Aplicada. Bacharel em Radiologia. Autor de vários trabalhos científicos e relatórios técnicos co-finaciados por programas nacionais e europeus nas áreas do diagnóstico e avaliação de projectos sociais, planificação estratégica e desenvolvimento regional. Principais áreas de interesses deinvestigação: a) Análise de redes sociais como ferramenta metodológica para o diagnóstico e intervenção social; b) Redes e cooperação territorial e transfronteiriça; c) Análise prospectiva; d) Avaliação da qualidade e satisfação de utentes e profissionais nas unidades de saúde; Avaliação em tecnologias da saúde.