PAP0806 - GT Estudos Ciganos em Portugal - A integração de ciganos em Portugal
A integração social consiste na aprendizagem das normas sociais que se incorporam nas formas de estar, agir e sentir, ou seja, fazem com que o indivíduo se identifique com a realidade social que o rodeia. A aprendizagem decorre com o processo de socialização, nos quadros de vida envolventes e nas experiências sociais a que cada um tem acesso. Trata-se de uma realidade dinâmica com múltiplas combinações de traços sociais, culturais e identitários.
Num estudo qualitativo realizado em Portugal sobre ciganos integrados, constatou-se que os motivos ou factores na origem da integração podem ser diversos, sendo que há distinções de percursos e de histórias de vida de integração sobretudo por razões que se prendem com questões de género, com as origens socioeconómicas e culturais, a ascendência familiar, o tipo de uniões conjugais, a escolaridade, a habitação e as relações sociais diversificadas.
Os resultados deste estudo revelam a diversidade dessas trajectórias e percursos de vida, a heterogeneidade de origem e de traços culturais e identitários que, aparentemente, não coloca em causa o sentimento de pertença e de ancoragem à identidade cigana.
- MAGANO, Olga

Olga Magano, Universidade Aberta/ Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais (CEMRI). Licenciatura e Doutoramento em Sociologia.
Interesses de investigação: ciganos; sociologia da integração; sociologia da exclusão; identidade social; mobilidade social.
PAP0625 - GT: estudos ciganos em Portugal- Os ciganos transmontanos: contributo para o conhecimento dos ciganos em Portugal
A investigação efetuada para a tese de doutoramento, apresentada na universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em junho de 2011, acerca da população cigana do concelho de Bragança, veio contribuir para a desomogeneização dos ciganos de Portugal.
O trabalho empírico decorreu em meio urbano, em três bairros da cidade, de outubro de 2005 a outubro de 2006 e em seis localidades do meio rural, onde se considerou que o número de famílias residentes era significativo, de outubro de 2006 a meados de 2007.
Para a pesquisa efetuada, optou-se por uma metodologia de caráter qualitativo, com uma permanência prolongada no terreno tentando compreender os significados que os sujeitos atribuiam às suas ações, complementando-se com entrevistas à população cigana e não cigana das localidades estudadas e com um intenso trabalho de pesquisa nos arquivos locais.
Em Trás-os-Montes, tanto no meio rural como urbano, podemos encontrar dois grupos de ciganos: os Gitanos ou Quitanos e os Chabotos ou Recos. Estas são as denominações que cada um dos grupos atribui ao outro, sendo que ambos se auto-denominam Ciganos. Segundo os mesmos as diferenciações entre si são evidentes, em vários aspetos, como o sócio-cultural, económico, linguístico, moral e também físico e o afastamento entre eles é uma realidade, pois não se verifica qualquer tipo de interação entre ambos.
O trabalho de investigação incidiu sobre o grupo de ciganos que maioritariamente habita na região (Chabotos), tanto no meio rural como urbano. Estes, apesar de um percurso vivencial idêntico até época recente, na atualidade diferenciam-se relativamente ao seu modo de vida e às relações que estabeleceram com a população não cigana, dependendo da localidade onde habitam.
Na cidade, para onde se deslocaram há cerca de vinte anos, residem em barracas localizadas na periferia de bairros periféricos, em condições de pobreza extrema e discriminados socialmente. Vivem essencialmente de ajudas sociais, das quais dependem há vários anos, tendo-se criado um círculo de pobreza difícil de romper. No meio rural a realidade é diversificada, aglomerando-se as suas habitações em espaços contíguos ou dispersando-se pela aldeia. Na maioria das localidades os indivíduos ciganos trabalham como jornaleiros para os agricultores locais, sendo que nalgumas povoações são considerados mão-de-obra essencial, uma vez que a população não cigana está muito envelhecida e perde capacidade para realizar trabalhos agrícolas. Algumas famílias ciganas cultivam terrenos (principalmente produtos hortícolas), adquiridos pelos próprios ou cedidos pelos não ciganos e criam animais para auto consumo.
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- NICOLAU, Lurdes

Lurdes Fernandes Nicolau
Desde 2002 desenvolve trabalho com a população cigana do nordeste transmontano. Frequentou o mestrado em Cultura Portuguesa na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e em 2003 apresentou a dissertação acerca dos ciganos portugueses a residir em Pamplona, Espanha. O trabalho de investigação para a tese de doutoramento,em Ciências Sociais e Humanas (UTAD, 2010),centrou-se nos ciganos transmontanos, aprofundando os conhecimentos acerca dos mesmos e tratando, também, as relações interétnicas, abrangendo a população que reside no meio urbano e no meio rural.
Investigadora do Centro em Rede de Antropologia- CRIA (polo FCSH-UNL) e do Centro de Estudos Transdisciplinares para o Desenvolvimento (CETRAD/UTAD) tem como principais interesses de pesquisa as áreas da identidade, etnicidade e culturas.
PAP0508 - Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal - Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e Estratégias Identitárias de uma Família Cigana Portuguesa – 1827 – 1957
Grupo de Trabalho Estudos ciganos em Portugal.
Relações Interétnicas, Dinâmicas Sociais e
Estratégias Identitárias de uma Família Cigana
Portuguesa são estudadas desde 1827 – ano do
nascimento de Manuel António Botas – até 1957,
ano do falecimento de António Maia, neto
deste, e filho de Maria da Conceição de Sousa
e Botas. As histórias de vida destes três
indivíduos pertencentes a uma família cigana
lisboeta são investi¬gadas a partir dos
relatos orais de membros desta família; do
jazigo de família; dos registos paroquiais de
batismo, casamento e óbito; dos jornais
relativos aos períodos que medeiam aquelas
datas; dos arquivos militares e da Liga dos
Combatentes da Grande Guerra. Estas fontes
foram instru¬mentalizadas de maneira a
possibilitar e a inter-rela¬cio¬nar categorias
de informa¬ção que permitiram, através da sua
triangulação, a consoli¬da¬ção, descoberta e a
criação de novos conhecimentos.
Nascido dois anos depois do primeiro quartel
do século XIX, Manuel António Botas foi
bandarilheiro, diretor de corridas,
guitarrista, amigo da Severa e do Conde de
Anadia, entre outros. A sua participação
pessoal e, sobretudo, profissional na
sociedade oitocentista portuguesa influenciou
a geração do seu tempo e as vindouras. A sua
filha, Maria da Conceição de Sousa e Botas,
casou pela igreja católica e de acordo com a
Lei cigana, com um cigano, José Paulos Botas,
com quem conceberia oitos filhos. Tia Chata,
nome pelo qual viria a ser conhecida na idade
adulta, transformou-se numa mulher de
respeito. Um dos seus filhos, António Maia,
casou com uma jovem cigana que não seria,
segundo os testemunhos, o amor da sua vida.
Foi combatente na Primeira Grande Guerra,
vindo a falecer, vítima de gases nela
inalados. A sua atividade
política/social/económica/profissional e,
sobretudo, a mediação cultural fize¬ram dele
um tradutor-intérprete intra/intercultural.
As dinâmicas sociais, culturais e étnicas
desenvolvidas por estes três indivíduos, e a
sua família, foram objeto de investigação de
forma a compreender a pluralidade das suas
pertenças étnicas através dos contrastes e
continuidades, nas suas dimensões sociais e
culturais, com a restante sociedade portuguesa.
- SOUSA, Carlos Jorge dos Santos

Nome: Sousa, Carlos Jorge dos Santos
Afiliação institucional: CEMRI – Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais – Universidade de Lisboa
Área de formação: Doutoramento em Sociologia (Especialidade em Relações Interculturais)
Interesses de investigação: Cultura, Etnicidade, Trajetórias, Narrativas e Identidades
Outros interesses:
· A50 - Sociologia
· A91 - Ciência Política
· B12 - Políticas Educativas
· C03 - Conceção e Organização de Projetos Educativos
· D02 - Educação e Multiculturalidade
· D05 - Relações Entre Educação e Sociedade
(Formador creditado pelo Conselho Cientifico e Pedagógico da Formação Continua (CCPFC/RFO-14653/02)
PAP0878 - O Rendimento Social de Inserção e os Beneficiários Ciganos: O Caso do Concelho de Faro
O Modelo Social Europeu está na base da criação de uma prestação social mínima que se generalizou como instrumento de luta contra a pobreza e a exclusão social. Em Portugal essa medida foi criada em 1996 e designava-se inicialmente por Rendimento Mínimo Garantido (RMG).Trata-se de um subsídio que permite às famílias e indivíduos que estejam em situação de desemprego ou a viver situações de carência económica extrema, subsistirem com um valor mínimo garantido e tem como objectivo principal a saída a prazo dessa situação. Em 2003 ocorreu uma alteração das políticas sociais em Portugal e o RMG passou a designar-se Rendimento Social de Inserção (RSI). Para auferir desta prestação os beneficiários têm de cumprir um programa de inserção social com o objectivo de melhorar as condições materiais e delinear um projecto de vida. O programa de inserção e o novo projecto de vida são elaborados pelo beneficiário e por um técnico de acompanhamento e posteriormente validados pelos parceiros locais. Estes têm a responsabilidade de colaborar na efectivação e cumprimento do programa de inserção. Estas políticas sociais assentam num conjunto de novas metodologias de intervenção social para com os mais vulneráveis e permitem uma melhor articulação institucional; procuram combater a dimensão económica da exclusão, defendendo o direito ao trabalho, o princípio da igualdade de oportunidades e a universalidade de acesso às políticas sociais; porém, também se actua de modo a impedir acomodação e a dependência do subsídio.As questões da pobreza são visíveis nos ciganos portugueses há vários anos. São diversos os trabalhos de investigação que apontam este grupo como um dos mais vulneráveis e mais expostos às situações de exclusão social associadas a uma carência económica extrema. E, embora se saiba que a grande maioria dos beneficiários do RSI não sejam ciganos, estes são com frequência apontados como «abusadores» dos subsídios sociais do Estado, sem que antes tivessem contribuído para tal apoio. Perante este cenário, uma parte significativa da sociedade parece manifestar alguma forma de rejeição deste grupo étnico, o que resulta em grande medida de uma insatisfatória aplicação das políticas sociais do país.Esta comunicação procura fornecer algumas ideias que permitam clarificar as questões em torno dos beneficiários ciganos do Rendimento Social de Inserção (RSI), do Concelho de Faro. São aqui apresentados os resultados iniciais de uma investigação ainda em curso que tem como objectivos conhecer como é experimentada a atribuição do RSI, perceber como é vivida a situação de subsidiariedade junto das populações ciganas e compreender como é percebido por elas o princípio da solidariedade social.Pretende-se também conhecer como é percebida a atribuição deste subsídio às famílias ciganas por parte dos técnicos,quais são as suas perspectivas quanto à inserção e saída do universo da pobreza desta população.
- SANTOS, Sofia Aurora Rebelo

- MARQUES, João Filipe

Sofia Aurora Rebelo Santos, 28 anos, vive em Faro, sul de Portugal.
É técnica da Linha de Emergência Social (linha 144) da Equipa Distrital de Faro. Fez parte da equipa do Contrato Local de Desenvolvimento Social de Faro, num projeto de intervenção social nos bairros críticos da cidade, onde trabalhou com população cigana e não cigana. Em paralelo é estudante do Mestrado de Educação Social na Universidade do Algarve. Uma das suas áreas de interesse é os ciganos. Trabalha todos os dias na luta pelos direitos e pela promoção da cultura e identidade deste grupo étnico. Como projeto futuro pretende criar uma associação juntamente com um grupo de ciganos.
João Filipe Marques é Doutor em Sociologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, Professor Auxiliar na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e Director da Licenciatura e do Mestrado em Sociologia daquela Universidade. Para além de leccionar na área das Teorias Sociológicas, tem publicado e ensinado nas áreas da Sociologia do Racismo, das Relações Inter-étnicas e da Etnicidade. Para além de vários artigos e capítulos de livros sobre aqueles temas é autor do livro Du «non racisme» portugais aux deux racismes des Portugais, (Lisboa, Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, 2007). Atualmente, é membro da Direção da Associação Portuguesa de Sociologia.