PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar
Apresentam-se os resultados do estudo que visa compreender de que forma é que a existência dos novos media, em casa, pode ter interferência nas tradicionais relações que pais e filhos, avós e netos estabelecem, ou seja, estão ou não as relações inter-geracionais a serem alteradas pela mediação tecnológica?
A investigação que dá suporte a esta comunicação procurou aferir quais as causas que podem imprimir mudanças na forma como as gerações se relacionam de acordo com as utilizações que cada geração faz dos novos media e quais as consequências que daí podem advir.
Tendo como questão de investigação “Quais as dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações, e em que medida isso se reflete no relacionamento inter-geracional?”, esta comunicação visa apresentar os principais resultados do estudo que procurou compreender o papel desempenhado pelos novos media nos relacionamentos entre as gerações, no sentido de averiguar se se estabelecem relações de cooperação e/ou conflito. Do ponto de vista teórico a investigação tem como referencias os estudos sobre as implicações das TIC nas rotinas cognitivas e sociais e, especificamente, a proposta de apropriação enquanto domesticação da tecnologia.
A importância da investigação realizada, da qual se apresentam os resultados, passa, não só, pelo contributo no que respeita à caracterização dos relacionamentos inter-geracionais, mas também, pela caraterização que se tem vindo a tentar fazer no que respeita às designações entre as diferentes gerações, tendo em conta o uso que cada uma faz dos novos media de acordo com as suas potencialidades.
O trabalho empírico recorreu-se à realização de inquéritos por questionário junto de crianças e jovens dos 6 aos 18 anos, a nível nacional, com 1902 inquéritos por questionário e 13 entrevistas a famílias de acordo com vários perfis traçados tendo em conta nº de gerações que coabita na família; nº de filhos; idade dos filhos e nível de literacia info-comunicacional das famílias. Na análise dos resultados foram consideradas várias variáveis: a idade, género, número de gerações que habitam a mesma casa e a tipologia de novo medium que habitualmente são utilizados em casa pelas famílias.
Os resultados obtidos permitem perceber que apesar das muitas reticências dos mais velhos em relação às tecnologias no que respeita ao seu próprio uso, eles percebem que a sua utilização é fundamental para os mais novos não só pelas capacidades que desenvolvem, mas porque a própria escola faz o apelo ao uso das tecnologias.
Verificou-se ainda que, apesar das assimetrias na utilização e manipulação que as diferentes gerações fazem das tecnologias e apesar dos mais novos serem mais audazes e expeditos na sua utilização, as relações podem ter pequenos conflitos, mas o que mais prevalece é a cooperação entre gerações com os mais velhos a aproveitarem as capacidades dos mais novos e assim aprenderem com eles.
- RODRIGUES, Filipa

- SILVA, Lídia Oliveira

Filipa Rodrigues, é Licenciada em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu (2007) e Mestre em Comunicação Multimédia pela Universidade de Aveiro (2011). Professora na Escola Superior de Educação de Viseu com a categoria de Assistente Convidada. Os seus interesses de investigação passam pelas implicações do uso dos novos media pelas diferentes gerações, mas pretende desenvolver o doutoramento na área da infografia associada ao jornalismo de ciencia e tecnologia.
Lídia J. Oliveira L. Silva é doutorada em Ciências e Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro (2002) onde é professora auxiliar com agregação. Investigadora do CETAC.MEDIA – Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (http://www.cetacmedia.org/) dedica-se a investigar as implicações das tecnologias da informação e da comunicação em rede nas rotinas cognitivas e sociais dos indivíduos, dos grupos e das organizações, estando a sua investigação situada nos estudos de Cibercultura.
PAP0261 - Aspectos éticos em torno da questão do risco
Quais são as implicações éticas do actual modelo de gestão das sociedades em torno do controle dos riscos? O risco é o cálculo sobre a possibilidade de um facto desagradável ou perigo acontecer no futuro. A partir desse cálculo, determinam-se acções que devem ser implementadas no presente, de modo a evitar que o facto desagradável ou perigo se torne real. A capacidade de gestão do risco é, em grande parte, atribuída à sua comunicabilidade: supõe-se que os riscos, ao serem comunicados e tornarem-se conhecidos, viabilizam o envolvimento dos indivíduos nos processos de auto-gestão. Na saúde, por exemplo, a auto-gestão constitui-se essencialmente através de práticas individuais de cuidados que visam a prevenção, com o risco sendo uma consequência das escolhas pessoais de estilo de vida. Logo, as autoridades em saúde estabelecem discursos, políticas e acções sanitárias exortando as pessoas a avaliarem o próprio risco de adoecerem e, em consequência, a mudarem seus comportamentos. A partir dessa dinâmica, a saúde pública, centrando-se na “promoção da saúde”, passa a destacar acções preventivas de auto-cuidado em detrimento de intervenções médicas. Na hierarquia das acções de promoção da saúde, a responsabilidade está no topo das prioridades e, pelos custos que comportam, os serviços de cuidado à saúde devem supostamente constituir o fim da linha. Os processos que tornaram possível o estabelecimento desta actual lógica de gestão/auto-gestão são complexos: não foram inventados pelos recentes regimes políticos e nem têm uma única origem ou causa. Contudo, a ideia de um cidadão activo, autónomo e responsável tornou-se uma espécie de a priori ético, no sentido de um dever-ser fundamental e indispensável ao funcionamento das actuais gestões de governo. Na medida em que esta noção de cidadão passa a ser um pressuposto para um conjunto de acções e regras para a vida nas sociedades contemporâneas, algumas das questões éticas mais veementes que podem surgir no âmbito da actual gestão do risco relacionam-se com os princípios autonomia, responsabilidade e justiça. Assim, esta proposta comunicação visa discutir a problemática do risco associando a sua definição e consequências às questões éticas subjacentes.
- CARVALHO, Monica

Investigadora do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa (Porto)
Doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade federal do Rio de Janeiro
Interesses de investigação: Comunicação da ciência; comunicação da saúde; risco; ciência e público
PAP1442 - Condomínios Habitacionais Fechados: (im)precisões conceptuais. Apontamentos para um debate sobre urbanidade e autonomia, segregação e qualidade de vida
Esta comunicação é dedicada à reflexão sobre as imprecisões históricas e conceptuais de que parecem revestir-se algumas das analogias e comparações recorrentemente estabelecidas entre condomínios habitacionais fechados (sua definição e origem) e outras formas e realidades – nomeadamente, o gueto, e áreas de génese ilegal, castigadas pela pobreza e exclusão social, como as favelas, os bairros de barracas ou shanty towns. Metaforicamente poderosas, defende-se que tais analogias e comparações prejudicam a análise sobre o que está em jogo em cada umas das realidades que, mais ou menos retoricamente, se tende a aproximar.
Elaborada no âmbito do curso de Doutoramento em Arquitectura – Dinâmicas e Formas Urbanas da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), nela se defende que a reflexão em torno do fenómeno do surgimento e expansão dos condomínios habitacionais fechados reveste-se de um particular potencial estratégico no alavancar de uma discussão sobre a cidade que pensamos ter e a cidade desejada, sobre a importância (também) simbólica das características da vizinhança próxima e sobre os mecanismos e conteúdos que legitimam a concepção de modelos ideais de habitat e modos de organização vocacionados para o governo do/sobre o espaço.
- MARTINS, Marta

Marta Martins
Estudou Sociologia no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), instituição pela qual se licenciou, em 2006.
Presentemente, é doutoranda em Arquitectura – Dinâmicas e Formas Urbanas na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), onde colabora, enquanto Bolseira de Investigação, com o Centro de Estudos em Arquitectura e Urbanismo (CEAU-FAUP).
Nesse âmbito, e também com o apoio do DINÂMIA’CET-IUL, Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território do ISCTE-IUL, o projecto que actualmente mais a ocupa (e preocupa!) propõe-se apreender e interpretar os códigos de convivência e negociação que estruturam o quotidiano da vida em comum na metrópole contemporânea, sedimentando novas coexistências em áreas atravessadas por dinâmicas de recomposição do seu tecido social e edificado.
Nele se revisita, pois, o clássico problema da urbanidade, interrogado a partir da tensão entre a moderna valorização da autonomia crítica das escolhas individuais e a emergência de dinâmicas de segregação sócioespacial que, além de descrever, importa compreender.
PAP0347 - Envelhecimento, Educação e Autonomia - Investigação sobre um grupo de seniores na área urbana de Viana do Castelo
O fenómeno do envelhecimento constitui uma das dimensões da crise vivida pelas sociedades ocidentais atuais. Entendemos, na senda de muitos outros autores que também se debruçaram sobre o tema, que importa aprofundar o estudo e a reflexão sobre as características sociológicas do problema do envelhecimento populacional, enquanto um dos caminhos que permitirá contribuir para encontrar soluções para a crise atual.
A população mundial, a população europeia e também a população portuguesa têm vindo a envelhecer ao longo das últimas décadas. O facto é tido como um problema social, na medida em que a sociedade atual tem dificuldades em integrar plenamente uma população crescente com as características dos seniores. Entre estas características destaca-se o problema da autonomia/dependência deste grupo populacional.
Esta comunicação tem como principal objetivo apresentar, sucintamente, um projeto de investigação em curso sobre as diferentes características educativas e socioculturais, advindas ou não da emigração durante a vida laboral, de uma amostra da população idosa residente numa área urbana do Norte de Portugal e sobre como as referidas características condicionam ou influenciam as vivências diárias autónomas dos seniores estudados. Pretendemos também apresentar alguns dados recolhidos no âmbito do referido projeto e refletir sobre o significado sociológico dos mesmos. A investigação que aqui se apresenta insere-se num projeto de doutoramento e é constituída por duas partes fundamentais: uma primeira parte de contextualização teórica do envelhecimento enquanto fenómeno social com múltiplas dimensões e implicações e uma segunda parte constituída por uma investigação empírica de caráter qualitativo onde se procura compreender as situações e os fatores que condicionam o envelhecimento autónomo numa área geográfica concreta. Os dados são, sobretudo, o resultado da realização de um inquérito por entrevista a uma amostra de população com mais de sessenta anos.
- CACHADINHA, Manuela

- CARMO, Hermano
- FERREIRA, Manuela
Nota Biográfica
Manuela Cachadinha é Professora Adjunta na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo desde 1985, onde tem lecionado diversas Unidades Curriculares da área das Ciências Sociais e Humanas em diferentes Cursos de Mestrado e Licenciatura. É Mestre em Sociologia Aprofundada e Realidade Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Licenciada em Sociologia pela mesma Faculdade. Prepara atualmente um Doutoramento em Educação, na Especialidade de Educação e Interculturalidade, na Universidade Aberta. Tem realizado trabalho de investigação sobretudo nas áreas da Sociologia, da Etnografia, da Educação e do Envelhecimento. Tem publicado diversos trabalhos em revistas nacionais e internacionais.
PAP1270 - O PROJECTO IPBEJA.CASA – QUE ESPAÇO PARA A AUTONOMIA E A INOVAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR POLITÉCNICO?
No actual contexto da modernidade a discussão pública sobre o papel e as funções do ensino superior e das suas instituições ocupa uma centralidade cada vez maior nas agendas internacionais, nacionais e regionais. A reflexão sobre as instituições de ensino superior (IES) apresenta um pendor cada vez mais crítico que não se restringe à adaptação destas instituições às demandas e urgências do mundo económico, mas implica a assunção da capacidade de repensar os sentidos plurais da realidade organizacional e institucional, reflectir sobre os sentidos da ciência e da tecnologia e sobre os sentidos da investigação e da formação. Implica, ainda, conscientizar que a realidade social actual é cada vez mais reticular e conexionista e que cada vez menos se coloca a vocação regional e local destas instituições em sentido restrito. Esta dimensão reflexiva alerta e responsabiliza as IES para as funções sociais que lhe estão associadas e para uma mobilização dos actores sociais internos e externos, incluindo o amplo leque de interlocutores que se incluem nas comunidades locais.
O projecto IPBeja.CASA (Criação de Alternativas Sociais para o Alentejo) constitui uma resposta aos desafios actuais que se colocam ao Instituto Politécnico de Beja. Surge como elemento estruturante de novas formas de contrato social com e entre os actores comprometidos com a instituição, visando mobilizar para novas propostas de intervenção e práticas sociais quer os actores internos quer os actores externos, uns e outros articulados interactivamente numa lógica de construção social, de forma a envolverem-se nos processos e situações e a contribuírem para a construção de um mundo comum com maior qualidade para os actores singulares, colectivos e para a própria IES.
É sobre o processo de estruturação e desenvolvimento do Projecto IPBeja – CASA que irá incidir a comunicação, na qual iremos dar testemunho sobre as dimensões e etapas do mesmo desde a sua concepção às acções que o compõem, às estratégias de mobilização dos actores e das equipas, às modalidades de monitorização e ainda sobre o compromisso e a contratualização estabelecido pela equipa coordenadora e as respectivas equipas operativas a nível do Plano de Desenvolvimento Estratégico do Instituto Politécnico para o triénio de 2010 a 2013.
Procuraremos desta forma provar que embora condicionados por racionalidades mercantilistas e economicistas que subordinam as políticas educativas e que constrangem o funcionamento das IES e que limitam a acção dos actores sociais, o espaço para construir e inovar pode ter expressão e contribuir para a construção de uma autonomia responsável garante de uma instituição com qualidade e que pretende ser publicamente reconhecida como tal.
- ROSÁRIO, Maria José Simão do

Nota Biográfica
Maria José Simão do Rosário
Mestre em Sociologia
Professora-Adjunta no Instituto Politécnico de Beja – Escola Superior de Educação – Departamento de Educação, Ciências Sociais e do Comportamento.
Regência de Unidades Curriculares: Sociologia da Educação, Sociologia das Organizações, Sociologia do Género.
Áreas de investigação com publicação: Sociologia da Educação e as Questões de Género.
Tema de investigação actual: Responsabilidade Social no Ensino Superior.
PAP0435 - Pensar a (des)centralização e autonomia das escolas na Europa: o papel da avaliação na redistribuição de competências
Nas últimas décadas, reformas de (des)centralização dos sistemas educativos e autonomia das escolas multiplicaram-se em diversos países europeus. Assumindo contornos e significados distintos, essas progressivas redefinições de competências entre actores educativos tornaram inoperante a clássica distinção entre sistemas centralizados e descentralizados proposta por Archer (1979).
O papel da avaliação em todas as dimensões das políticas educativas e respectivos actores permite-nos compreender o significado dessas transformações na organização dos sistemas educativos. O conceito de “Estado Avaliador” permitiu a Broadfoot (1996) – no seguimento do trabalho de Neave (1989) – encontrar o elemento comum nas respostas diferenciadas dos sistemas educativos inglês e francês. Num projecto de investigação mais recente, Maroy (2004) examinou igualmente a convergência das políticas educativas europeias para “modelos pós-burocráticos de regulação” à luz desse conceito, ao qual associou o de “Quase-Mercado”.
A presente proposta de comunicação procura reflectir sobre os novos arranjos institucionais, o tipo de actores envolvidos nos processos de tomada de decisão, a sua relação e o tipo de competências (des)centralizadas no espaço da União Europeia. Mais precisamente, visa identificar elementos comuns que possam ser explicados com referência ao papel da avaliação na repartição de competências (Normand e Derouet, 2011). Simultaneamente, a construção de uma tipologia permitirá caracterizar os principais padrões de configuração de relações e competências dos actores educativos, examinando como grupos de países mediatizam, de forma particular, essas orientações comuns (Van Haecht, 1998).
Para proceder à análise comparada – que contribuirá para melhor compreender e situar as transformações do sistema educativo português –, mobilizaremos um conjunto de dados disponíveis em fontes secundárias (OCDE, Eurydice). A leitura dos dados estatísticos e a construção da tipologia terá igualmente em conta estudos sociológicos realizados sobre a questão.
A discussão sobre a articulação entre os elementos de convergência das medidas de política educativa e as respostas diferenciadas dos sistemas educativos será complementada, para concluir, por uma primeira consideração dos efeitos destas medidas, através de uma leitura de estudos empíricos.
- BATISTA, Susana

Susana Paiva Moreira Batista é bolseira de doutoramento da FCT desde
Abril 2011 e colaboradora do CESNOVA no âmbito do Projeto “ESCXEL”. É
licenciada e mestre em Sociologia pela FCSH-UNL, especialização em
“Políticas Públicas e Desigualdades Sociais”. Atualmente, os seus
principais interesses de investigação estão relacionados com Políticas
Educativas, Análise comparada e inserção profissional de diplomados.